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Análise: Pan-Pan (PC) é uma aventura charmosa, porém breve

Resolva puzzles e explore uma curiosa ilha nesse interessante título indie.

Pan-Pan (PC) é um daqueles títulos que conquistam o jogador logo após poucos minutos. O jogo, que foi construído por um único desenvolvedor, tem como principal foco a resolução de puzzles. A combinação de bela direção de arte, simplicidade, mundo interessante e grande foco em exploração faz com que Pan-Pan seja difícil de largar.

Muitos puzzles e exploração

Em Pan-Pan controlamos uma garota cuja nave, que lembra um balão, cai em uma ilha. Para sair dali, a jovem precisa explorar todos os cantos do local em busca de peças para os reparos do balão. O curioso é que não há diálogos e tudo é explicitado somente com cenas e interação com as criaturas da área. Quem é a garota, por qual motivo os habitantes decidem ajudá-la e por que ela estava voando em um balão são perguntas que me fiz durante a aventura e que nunca foram respondidas — por sorte isso não faz diferença alguma na experiência.


Com o mouse, controlamos a jovem em busca das peças. Para isso, precisamos explorar a ilha, que está repleta de obstáculos e enigmas. E aqui já aparece a primeira característica legal de Pan-Pan: é gostoso vasculhar a ilha. O principal motivo disso é a belíssima direção de arte, que conta com modelos simples e geométricos combinados com uma paleta de cores de tom pastel, sendo o resultado bem agradável. A disposição dos elementos nos cenários também desperta a curiosidade e sempre fiquei me perguntando como alcançar certos lugares ou como seria a próxima área. Algo bem legal é que praticamente todas as regiões podem ser alcançadas desde o início, por mais que isso resulte em não saber muito bem como avançar. A combinação desses fatores torna o mundo charmoso e convidativo.


Fora a exploração, há vários puzzles para resolver. Alguns poucos são bem óbvios, mas a maioria deles pode parecer um tanto quanto complicada de início. Muitos deles exigem encontrar certos objetos e levar para algum outro local, contudo as dicas são mínimas e sutis. Sendo assim, é importante experimentar e ficar atento a qualquer detalhe que apareça pelo caminho — as pistas ficam bem escondidas. No geral eles são criativos e surpreendentes, e na maior parte das vezes resolvê-los foi bem recompensador, principalmente por conta das dicas bem escondidas. A aventura é curta e dura por volta de três horas e não há extras, entretanto a experiência é tão contida e memorável que a ausência não é sentida.

Informações obscuras

Confesso que foram vários os momentos em que fiquei completamente perdido, e até mesmo frustrado, por não conseguir avançar. Pan-Pan é bem minimalista e sutil, só que em alguns momentos a falta de informações acaba atrapalhando as coisas. Um exemplo são os comandos: mesmo que bem simples, eles não são explicados direito, o que me fez demorar vários minutos para descobrir como colocar objetos no chão. O mundo do jogo é bem aberto e você pode explorar várias regiões a qualquer momento, só que isso acaba fazendo com que seja um pouco difícil saber exatamente qual é o próximo movimento.


Alguns puzzles têm soluções obscuras demais, as vezes exigindo passos extremamente específicos, sendo o jogo não te dá nenhuma dica clara sobre isso. Houve um momento, por exemplo, em que fiquei vários minutos andando tentando descobrir o próximo passo, até que entrei em um lugar por acaso, uma cena não interativa apareceu e consegui avançar na aventura — demorei um bocado para entender o motivo, pois não estava claro que eu precisava ir até aquele local. Para piorar, alguns enigmas só podem ser resolvidos com itens obtidos bem depois, o que me fez perder muito tempo tentando solucionar coisas que só podiam ser feitas no futuro. A presença de mais informações deixaria a experiência mais interessante.

Uma jornada simpática

Pan-Pan é uma aventura curta e intensa. É divertido desbravar a charmosa ilha enquanto tentamos encontrar as partes da nave quebrada. A combinação de exploração e resolução de puzzles funciona muito bem e é muito recompensador conseguir descobrir soluções para os enigmas. Aprecio a simplicidade das mecânicas, porém acredito que algumas explicações e um pouco de clareza ajudariam a tornar tudo mais agradável. Sendo assim, Pan-Pan é perfeito para aproveitar uma tarde livre.

Prós

  • Ótimo visual e direção de arte;
  • Mundo carismático;
  • Puzzles bem pensados e divertidos.

Contras

  • Ausência de explicações básicas atrapalha a experiência em alguns momentos;
  • Alguns puzzles têm soluções obscuras demais.
Pan-Pan — PC — Nota: 8.0
Farley Santos é brasiliense e gosta de explorar games obscuros e pouco conhecidos. Fã de Yoko Shimomura e Motoi Sakuraba, é apreciador de boardgames, game music, fotografia, livros e animes. Além de mostrar seus cliques no Flickr, tem também um blog onde escreve sobre inúmeros assuntos.

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