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Análise: Shiny (PC/XBO), um jogo com sérios problemas de desempenho

Game possui graves problemas de otimização e precisa de mais do que baterias para se recuperar.

Confesso que o jogo de plataforma Shiny (PC/XBO), produzido pelo estúdio brasileiro Garage 227, era um dos meus jogos mais esperados no cenário indie nacional. A possibilidade de jogar um título que não faz uso da violência em sua narrativa me deixou animada. Além do mais, sou fã de robôs. Então, todo game que possua essas criaturas mecânicas me chamam atenção, ainda mais no caso do protagonista Kramer 227, um robô que possui sentimentos. Contudo, a experiência passou longe da diversão.

Robôs também têm coração

A cinematic inicial de Shiny é bonita e amigável. Você toma contato com o cotidiano do herói Kramer 227 e seus amigos robôs trabalhando no planeta Aurora nos preparativos do lançamento de uma nave espacial. Porém, quando o veículo voador fica pronto, ele parte levando todas as pessoas a bordo e deixa Kramer 227 e todos os robôs no planeta condenado, que ruma em direção ao sol. Sozinho em um planeta sem energia e com seus amigos robôs inconscientes, Kramer 227 utiliza o resto de sua bateria para chegar até o gerador de energia reserva e ter força suficiente para encontrar uma maneira de sair do planeta Aurora e salvar seus amigos. Esta é a deixa para começarmos o game.


Shiny é um jogo leve. Os controles de movimentação e poderes especiais são fáceis de utilizar e fluídos. Você precisa apenas se preocupar em manter-se com energia suficiente para suas ações, coletar baterias para a nave de fuga e, de forma opcional, resgatar seus amigos robôs.

O jogo não possui diálogos, porém, as expressões e ações do pequeno robô e seus companheiros dizem muito. É impossível não jogar pensando nas semelhanças com a animação da Disney e Pixar, Wall-e (Andrew Stanton, 2008), por sua delicadeza numa trama leve e sensível. As expressões faciais dos robôs resumem-se aos olhos, mas, unida à movimentação desengonçada e agradecida dos robôs mexendo braços e outras mecânicas, cria o clima necessário para se compreender o sentimento presente ali. Sem dúvida, um grande trunfo de Shiny.

As aparências enganam

A arte de Shiny é muito bela e agradável. Os cenários de fundo e os efeitos de luz e energia são lindos, brilhantes e bem trabalhados num estilo pintura. Do mesmo modo, a arte dos objetos interativos também é de boa qualidade, oferecendo detalhes mecânicos e pequenas nuances que enriquecem o trabalho visual do maquinário e do cenário onde se passam as fases (quero apertar todos os botões!).


Contudo, nem toda esta arte apaga os problemas técnicos de Shiny. A transição da cinematic para o gameplay é lenta, o personagem trava algumas vezes até ter a taxa de FPS adequada e ainda sofre um atraso nas ações quando começamos a apertar os comandos do controle para iniciarmos a jogatina.

Problemas, problemas e mais problemas

Na primeira fase, o jogo roda relativamente bem, porém, pequenos cortes de imagem e travamentos quebram a ação no gameplay. É a partir da segunda fase que os travamentos se intensificam e passam a interferir diretamente na experiência do jogo. Para se ter uma ideia da gravidade do problema, o jogo é composto por 20 níveis, no entanto, só me foi possível jogar até o sétimo devido aos terríveis problemas de desempenho e otimização. Um jogo que não dá para jogar.

Shiny é composto por desafios estratégicos. Nada muito complicado, como desviar de rochas, plataformas que caem automaticamente, chuva de pedras, pular para plataformas em movimento, evitar cair em buracos, entre outros. Entretanto, tais tarefas se tornam impossíveis de se realizar devido ao mau desempenho do game.

Kramer 227 está triste, assim como nós jogando Shiny.
Alguns cenários demoram mais tempo para carregar do que outros, e percebe-se uma queda razoável da taxa de bits no conteúdo audiovisual, transformando um jogo belo em feio e defeituoso. Tentei corrigir esse problema optando por configurações de qualidade mais baixas, contudo, nem mesmo isto foi o suficiente para livrar Shiny dos problemas de jogabilidade

A rotina de tela que pisca e treme (glitch o tempo todo!), Kramer 227 avançando ou retrocedendo aleatoriamente no cenário (será que ele viaja no tempo?) e bugs até na trilha sonora (de doer os ouvidos!) lhe acompanham em todo o gameplay. Tais problemas nos obrigam a criar nossas próprias táticas para driblar o defeito e tentar avançar nos níveis, como caminhar vagarosamente pelo cenário e quando chegar num ambiente novo não se mover, mas esperar a taxa de bits se adequar para evitar futuros atrasos e travamentos. Obviamente, tais defeitos técnicos culminam em dezenas de mortes seguidas e deixam seu nível de paciência no zero.

Nem tudo que reluz é ouro

Realmente o brilho de Kramer 227 no início do game não foi suficiente para salvar Shiny do desastre. Eu tentei, mas infelizmente os terríveis problemas técnicos tornaram impossível jogar Shiny em toda sua história. Não há muito o que se dizer de um jogo que não se consegue jogar, não é? Lamentável. Shiny mostra que infelizmente toda qualidade ficou na promessa e que o título não vale o seu tempo.

Prós

  • Gráficos bonitos;

Contras

  • Péssimo desempenho;
  • Alta queda de FPS;
  • Alta queda de bits;
  • Travamentos;
  • Delays;
  • Bugs na trilha sonora;
  • Loading demorado.
Shiny — PC — Nota: 3.0
Versão usada para análise: PC

Revisão: Vitor Tibério
Karen K. Kremer é mestre jedi em história pela UEPG. Viajante do tempo e cinéfila, considera Quantum Break uma obra-prima. Cresceu fazendo Meteoro de Pégasos e jogando videogame. Apaixonada por literatura, ilustração e dinossauros. Diz a lenda que com um bat-sinal no DeviantArt., MGC. ou Twitter. ela aparece.

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