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Análise: Redout (PC) é um justo tributo aos clássicos da hipervelocidade

Entre acertos e erros, Redout convence não apenas como homenagem, mas também mostra seu brilho próprio.



Poucas séries deixam uma saudade tão grande no coração de seus fãs quanto F-Zero. Esquecida desde F-Zero GX no Gamecube, o buraco deixado pela sua sensação única começou, então, a ser preenchido com outros jogos, sendo a série Wipeout a “substituto” mais famosa, que também conta com bastante tempo de existência e que já possui quatro anos desde seu último lançamento. É neste contexto que Redout se propõe como um refúgio para os fãs desolados que sentem que 200 ou 300 quilômetros por hora não são o suficiente.
Para matar a saudade de quem quer ir realmente rápido.

Primeiras Impressões

A primeira impressão que tive com Redout foi um pouco mista, antes mesmo de poder entrar no jogo. A falta de escolha de opções de resolução, ficando assim preso a resolução nativa do monitor que estivesse rodando o jogo, é uma escolha um pouco arriscada. No entanto, o maior dos problemas que eu sofro com resoluções não estava presente em Redout. A interface do jogo se adequa muito bem a resolução que o jogo estiver rodando; coisa que raramente presencio, sendo obrigado a apertar os olhos caso eu queira ler as opções de um jogo rodando em 1080p, já que não jogo em um monitor e, sim, em uma televisão um pouco distante. Mas, como não se pode estar preparado para tudo, esta restrição de resolução pode obrigar muito jogadores a desativar diversos efeitos para poderem jogar adequadamente, já que Redout não é para os “fracos de PC”, e isso não é a toa.

Mais do que um tributo

Redout é incrivelmente bonito e bem polido visualmente. As naves têm visuais distintos e seus percursos são mais que interessantes de se jogar. Estes são lindos de se ver e possuem em um geral uma temática muito consistente que deixa aquela ansiedade pra ver “sobre o que” será o próximo percurso. Além disso, os efeitos visuais são fantásticos, além de efeitos sonoros que criam a atmosfera certa para o jogo.

Inegavelmente bonito.
O título também apresenta unicidades em sua jogabilidade. A principal a se mencionar é a possibilidade de customização das naves do jogo, o que adiciona um fator estratégico a mais para se pensar antes da partida. O jogador não é obrigado, no entanto, a fazer uso dessa customização, podendo escolher entre diversas classes de naves. Porém, seria um desperdício de uma das coisas que tornam Redout único. Além disso, há uma compra de powerups antes da corrida, o que adiciona mais um elemento estratégico de escolha e retira o elemento de sorte que muitos desgostam.

Redout se diferencia também de uma forma difícil de se explicar na sensação que ele passa. É inegável que o jogo seja “rápido”, mas ele não tem a sensação de velocidade caótica que via-se em F-Zero, especialmente do 64 para frente, onde um piscar de olhos gerava morte certa. Essa sensação pode ser aumentada pela forma diferente e um pouco mais indulgente que ele trata o dano das naves. Ao jogar, a sensação me lembrava muito mais Star Wars: Episode I Racer, o que não é algo necessariamente ruim (ainda mais para mim, que tenho grandes saudades desse jogo também), mas eu não tenho certeza se era a intenção dos desenvolvedores. De qualquer modo, acredito que isso ajudou a criar uma sensação única ao jogo.

Pedras no Caminho

Apesar da diversidade de percursos, modos de jogo e uma infinidade de possibilidade de naves graças à customização, Redout não é capaz de fornecer muitas horas de entretenimento por uma falha chave que põe o título em cheque em diversos momentos: sua inteligência artificial. Os oponentes por diversas vezes fazem um jogo perfeito, não se assemelhando a um jogador muito bom, mas de uma forma evidente que são máquinas. Suas decisões são extremamente previsíveis.

Ficar para trás vai ser uma constante e não vai ser tão divertido.
Todos esses defeitos são agravados pela falta da possibilidade de escolha de dificuldade, que também não seria o suficiente para resolver o problema, mas ajudaria a diminuir a frustração por estar jogando contra um robô próximo a perfeição, ainda mais com a curva de aprendizagem complicada que o jogo pode apresentar. Estes defeitos não são suficientes para tornar Redout um jogo ruim, mas o que poderia ser um jogo aproveitável por muito tempo, logo cai na mesmice graças a adversários repetitivos e sem personalidade.

Ainda vale a pena

Redout é um jogo incrível para aqueles que querem matar a saudade de correr em pistas que desafiam a gravidade em velocidades extremas. Cheio de qualidades de sua própria maneira, o título não fica na sombra dos seus antepassados, tem um brilho próprio e é uma esperança de trazer uma nova vida a um subgênero quase morto, apesar de sofrer graves problemas com a inteligência artificial que comprometem seriamente o tempo de aproveitamento do jogo.

Prós

  • Visuais espetaculares;
  • Customização de naves e armas;
  • Diversidade de modos de jogo.

Contras

  • Falta de opção de resolução pode causar problemas de desempenho;
  • Inteligência artificial ruim.
Redout — PC — Nota: 8.0
Revisão: Ana Krishna Peixoto
Juni Chaves é formando em Sistemas e Mídias Digitais e atualmente redator no GameBlast e também no Ivalice. Grande interessado em Game Design e nas áreas artísticas que envolvem os jogos, não é raro encontrá-lo falando disso no Facebook e no Alvanista.

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