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Análise: OKHLOS (PC) coloca o jogador em um motim contra os deuses

Este charmoso indie é uma mistura de roguelike com Pikmin.


Em tempos de instabilidade política no Brasil, todos os protestos nas ruas devem ter te feito pensar: como eram protestos nos tempos da Grécia antiga, quando os alvos das multidões não eram Dilma nem Temer, mas Zeus e Ares?

Bem, você pode nunca ter pensado nisso, mas a desenvolvedora indie Coffee Powered Machine pensou. Um protesto público contra os deuses do Olimpo é a base que forma OKHLOS. Controlando um filósofo inconformado, é a tarefa do jogador recrutar aldeões, guerreiros e escravos para destruírem tudo que virem pela frente e ensinarem uma lição às suas divindades.

Em sua essência, OKHLOS é derivado de Pikmin (GC), pois utiliza o provérbio "a união faz a força" como fundamento da sua jogabilidade. Sozinho, o filósofo não consegue quebrar nem uma cerca de madeira — com outras 20 a 30 pessoas, no entanto, é possível derrubar muralhas inteiras. Assim como em Pikmin, a sensação de culpa que ocorre quando um membro do seu motim morre é rapidamente esquecida. No jogo, afinal, eles devem ser pensados mais como uma barra de vida e força do que como personagens individuais (por mais frio que isso possa soar).


Cada classe de personagem tem sua importância. Filósofos são os líderes do protesto e, quando um morre, outro assume seu lugar. Aldeões possuem atributos equilibrados e formam o grosso do grupo. Guerreiros vêm em duas variedades: uma com alto poder e baixa defesa, outra com esses atributos invertidos. Por fim, escravos são capazes de carregar itens que podem ser usados para alguns efeitos.

No início do jogo, é fácil se empolgar. Após passar pela fase de "o que está acontecendo aqui?" no início do tutorial, a música acelera e seu grupo, cada vez maior, começa a derrotar inimigos com relativa facilidade. De certa forma, isso serve de armadilha para os mais afobados, pois as fases seguintes exigem do jogador mais estratégia do que apenas "destrua tudo!". O jogo não chega a ficar incrivelmente difícil, mas, como se trata de um roguelike, a tela de game over faz o jogador começar novamente do zero e enfrentar novas versões das fases geradas proceduralmente.

Entre cada segmento da fase, é possível encontrar uma loja onde é possível aprimorar o crescente exército. Um tipo de loja permite trocar unidades de uma classe por outra, e outra permite "comprar" um herói usando unidades como moedas. Heróis, como o nome implica, são unidades especiais poderosas e que garantem melhorias para o restante de seu exército. Nesse aspecto, senti que o jogo deixou um pouco a desejar: para obter um herói em uma loja, é necessário ter três, cinco ou dez unidades de um tipo específico para trocar. No entanto, é impossível saber quais unidades serão essas para planejar suas "compras" futuras. Além disso, mesmo obter unidades específicas pode ser incrivelmente difícil em seções frenéticas e, ao trocar suas unidades por um herói logo antes de um chefe, você acabará enfrentando-o desfalcado.


A troca de filósofo líder (após a morte do anterior) é acompanhada de uma animação para indicar seu novo protagonista, apontado por um ícone escrito "P1", então, por um momento, achei que OKHLOS teria multiplayer. No entanto, conectei outro controle ao meu computador (e em seguida procurei na Internet) e descobri que esse não é o caso. Uma pena, pois o ciclo de jogabilidade de OKHLOS consegue ser moderadamente viciante por um tempo, mas não parece ter muito incentivo jogá-lo repetidas vezes.

Como um todo, OKHLOS é uma divertida maneira de gastar algumas horas, mas sua jogabilidade, apesar de viciante, é rasa demais para motivar as diversas sessões que compõem a experiência completa de um roguelike. No entanto, parece faltar pouco para chegar a esse ponto, então o trabalho da Coffee Powered Machine não deve ser desmerecido rapidamente.

Prós

  • Trilha sonora empolgante;
  • Jogabilidade derivada de Pikmin;
  • Contextualização na Grécia antiga é charmosa.

Contras

  • Sistema de lojas devia ser mais bem pensado;
  • Ausência de multiplayer cooperativo;
  • Ciclo de jogabilidade é viciante mas rapidamente se torna repetitivo.

OKHLOS — PC (Windows/macOS/Linux) — Nota: 7.0

Revisão: Vitor Tibério

Renan Greca Quando não está ocupado sendo diretor, redator, newsposter, podcaster e RP do GameBlast, Renan Greca gosta de jogar videogames. Às vezes, lembra de focar em seu mestrado também.

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