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Análise: Clustertruck (PC) é um excepcional e desafiador jogo de ação

Simples e viciante, Clustertruck mostra a diversão de se estar em uma daquelas cenas que só se vê em filmes de ação.


Seja sentado na sala de sua casa assistindo aqueles filmes de ação um pouco velhos que só passam de tarde, ou vendo os carros passando pela janela em uma viagem de carro ou ônibus, todos já tivemos a, muito específica, porém comum, fantasia de como deve ser pular de caminhão em caminhão em altas velocidades. Clustertruck vem para acabar com os dias de imaginação e nos botar nessa situação, com muitos obstáculos e da melhor maneira possível.

Sendo quase um misto de um runner e um jogo de plataforma tridimensional, Clustertruck tem uma proposta simples: Pular de caminhão em caminhão até a faixa de chegada. Quase um runner, pois apesar do jogador não correr automaticamente, é difícil encontrar momentos onde valha a pena ficar parado; e um jogo de plataforma pela importância dos pulos em sua essência, o título mistura ambos aspectos levados ao extremo para a construção de um surpreendentemente sólido jogo de ação.

Estratégia e precisão

Clustertruck realmente leva seus aspectos ao extremo. O choque inicial com o jogo é o quão preciso seus pulos tem de ser. Contando com diversas fases, que não só aumentam a dificuldade, como mudam de temas visuais a cada “mundo” liberado, o título é um verdadeiro teste. É fácil pular em um conglomerado de 3 caminhões, que aparecem frequentemente durante as fases, mas acertar um único caminhão é uma tarefa bem mais complicada, ainda mais considerando que eles sempre estão em movimento.
Algumas fases são um espetáculo visual a parte.
Não só os caminhões estão sempre em movimento como o jogador também sempre está. E rápido. Não demora até se perceber que uma das melhores estratégias para a maioria das fases é chegar no caminhão da frente o mais rápido possível. Isso quando não é algo necessário para se passar a fase.

Inclusive, essa é uma das maiores diversões de Clustertruck. Em cada fase, após algumas derrotas, é possível distinguir pelo menos algumas estratégias mais ou menos adequadas para se passar do estágio. Morrer em Clustertruck, inclusive, não tem nada demais. Os ciclos de iteração são curtos e cada morte pode trazer alguma aprendizagem ao jogador. Cada repetição não é apenas um processo de tentar a sorte novamente, mas de descobrir novas estratégias e melhorar a precisão nas suas ações, exatamente o que Clustertruck exige de você.

Uma ajudinha extra

Algumas das tarefas dadas por Clustertruck seriam quase impossíveis se não fosse a presença de power-ups que podem ser obtidos durante o jogo, sendo destraváveis com pontos que se adquire ao avançar das partidas, que vão desde a possibilidade de pulo duplo, como o uso de um hookshot para encurtar distâncias. Divididos em duas categorias, movement e utility, apenas um power-up de cada categoria pode ser utilizado durante a fase.
No meio do caminho tinham umas pedras...
Essa limitação é uma boa forma de manter a dificuldade enquanto evita que o jogo torne-se só um processo de “grinding” e obter um novo power-up para passar da fase. No entanto, seria interessante um modo sem tanta limitação, apenas com a restrição dos dois botões para habilidades que os necessitem, para diversão e testar do que se é capaz; além de ser difícil ver exatamente o que define um power-up como movement e utility; e o fato de que alguns power-ups parecem nitidamente melhores que outros, atrapalhando um pouco a diversidade que eles poderiam proporcionar.

Além de algumas pequenas mecânicas, como a possibilidade de usar os lados dos caminhões como superfície para os pulos, existem algumas outras pequenas ajudas que o jogador ganhará de um lado inesperado: Os bugs.

Seria um exagero dizer que Clustertruck está cheio de bugs, mas não é tão difícil achar um ou outro. Por algumas vezes, passei por superfícies e bati em coisas que deveriam me matar, mas não o fizeram; e consegui alguns pulos em grandes alturas que ainda não identifiquei se são bugs ou uma mecânica a mais.
"Gotta go fast"
Esses eventos não acontecem em qualquer circunstância, no entanto. Em altas velocidades ou em alturas que talvez os desenvolvedores não tenham previsto como possíveis para o jogador, é que algumas falhas realmente aparecem; o que acaba de certo modo “atiçando” o jogador a ser mais rápido e a ir mais alto, dando ainda mais adrenalina ao jogo. Apesar de algumas vezes me sentir ajudado por alguma falha do jogo, em nenhuma vez morri ou errei um pulo por um bug, o que tira o pior tipo de frustração da situação.

Um desafio que vale a pena

Se você, como eu, acompanha Clustertruck desde o desenvolvimento, ou apenas viu um trailer e se pergunta se ele é tão divertido quanto parece nos vídeos: ele é mais. Cada fase é bem trabalhada, desde seus obstáculos até mesmo a distância entre caminhões, a sensação de velocidade é incrível e recompensadora e a presença de alguns bugs definitivamente não irão atrapalhar a experiência.

Clustertruck é um jogo ótimo tanto para passar o dia todo jogando, quanto para pequenos momentos com uma ou duas fases; e ele prende. Travar em uma fase não vai te fazer abandonar o jogo, mas te dar vontade de voltar para ele de hora em hora. Apesar de por muitas vezes ser extremamente difícil, a maior dificuldade que encontrei em Clustertruck foi achar defeitos para apontar. Ah, e ainda tem um modo de criação e compartilhamento de fases, caso você considere que as muitas fases de Clustertruck (sim, são muitas) sejam poucas demais.

Prós

  • Desafiador mas com boa curva de aprendizagem;Diversidade de power-ups e estratégias;
  • Ótima sensação de velocidade e adrenalina;
  • Fases bem construídas, em design e visual.

Contras

  • Alguns bugs e falhas técnicas;
  • Power-ups um pouco desbalanceados.
Clustertruck — PC — Nota: 9.0
 Revisão: Ana Krishna Peixoto
Juni Chaves é formando em Sistemas e Mídias Digitais e atualmente redator no GameBlast e também no Ivalice. Grande interessado em Game Design e nas áreas artísticas que envolvem os jogos, não é raro encontrá-lo falando disso no Facebook e no Alvanista.

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