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Análise: Lovely Planet Arcade (PC) — velocidade e execução

O novo jogo da QUICKTEQUILA traz fases rápidas com muitos tiros e pulos em busca do melhor tempo.

Lovely Planet Arcade é um jogo composto por mais de cem estágios e nenhum deles dura mais de 20 e pouco segundos (claro, isso se você passar logo). Com uma proposta de passar tão rapidamente pelas fases, a primeira imagem que se forma é de velocidade. A sensação de rapidez se dá pela forma como é necessário ligar um movimento no outro, já que o personagem que controlamos não é especialmente veloz. Basicamente é necessário vencer um certo número de inimigos e coletar uma determinada quantidade de moedas para terminar os estágios.


Cada um desses estágios pode ser encarado a partir de dois momentos diferentes. Na primeira vez que você a conhece, a sensação é de reflexo, responder a cada tipo diferente de inimigo da forma mais veloz possível para chegar logo ao fim da fase. Depois disso, seja por não ter conseguido passar ou simplesmente pela vontade de melhorar o tempo, ela se transforma em um espaço muito mais de planejamento e execução.
Não é possível demorar para vencer certos inimigos, já que eles atiram rapidamente.
Em qualquer uma dessas situações, a corrida é contra o relógio, já que LPA é muito menos sobre passar dos estágios do que fazê-los no melhor tempo possível (o que condiz bastante com o nome Arcade que carrega). Uma boa marca em qualquer uma das fases geralmente está abaixo dos dez segundos. A diferença é que no momento de conhecer a fase parece que existem múltiplas formas de vencê-la, o que não é o caso, visto que há pouca variação nas possibilidades de se percorrer o estágio. Isso é algo que se evidencia conforme você passa a conhece-lo.

Para efeito de comparação, o primeiro Lovely Planet (PC) trazia uma maior liberdade na forma e percurso pelo qual se venceria as fases. Mas ele era um jogo que acabava sendo bem diferente do Arcade, dado que os cenários tinham menos restrições e também havia um número menor de mecânicas envolvendo os inimigos. Veja essa imagem:


Lovely Planet Arcade guia muito mais o jogador através de espaços fechados por muros e cercas que não podem ser pulados. A partir daí, vai se delineando um caminho único para passar pela fase, compondo um desafio de memorizar a série de inimigos, planejar o curso e por fim executá-lo. A sensação de ritmo e velocidade vem justamente desse processo de ligar o movimento de eliminação dos diferentes tipos de adversários. Nosso personagem só pode pular (baixo), andar (não muito rápido) e atirar, mas é através dos inimigos que a movimentação pela fase muda.

Cada um dos quatro atos do jogo introduz algum tipo novo de adversário e atirar em certos tipos traz uma reação. Se no primeiro ato devemos nos preocupar apenas em vencer inimigos antes que eles possam nos alvejar ou as bombas explodirem, a partir do segundo as coisas vão se alterando. Inimigos com um coração não podem ser mortos, outros usam escudo e só são vencidos se pularmos antes de atirar, ainda existem outros que ficam com uma bomba na cabeça, fazendo ser necessário se programar para atirar nela antes desta tocar o chão e explodir.
A entrada de cada ato já dá uma prévia das novas situações.
Existem outros tipos de inimigo que realmente dão um maior ritmo e adicionam mecânicas interessantes. Um deles faz com que o tempo pare ao ser atingido, o outro para o tempo mas também te teleporta para o local no qual ele estava, um último faz com que a tela fique preta e a visão só volte tão logo uma moeda é coletada.

Cada um desses tipos diferentes de adversários são sinalizados por alguma forma no meio de seu corpo, já que mesmo sendo um game no qual você vai errando para aprender o que tem que fazer, na hora de uma ação rápida tudo seria muito confuso. Os estágios, ainda que bem confinados, trabalham bem com essa variedade de inimigos e as ações que decorrem de vencê-los.

A partir deste ponto, a questão é planejar a melhor sequência de mortes para chegar o mais rápido possível ao fim da fase. Os estágios são muito mais direcionados que os do primeiro Lovely Planet, o que traz uma liberdade bem menor. Isso é compensado, de certa forma, pelo ritmo gerado pelas conexões dos movimentos. Ao acabar uma fase com três estrelas é normal se sentir maravilhado pela ação que acabamos de realizar.

Tanto o visual do game quanto suas músicas são fofas e alegres, o que eu ainda não sei compreender se me fez relaxar ou me sentir um psicopata. O fato é que Lovely Planet Arcade é um jogo bonitinho (lovely). E pode ser o tanto ordinário, no bom sentido, quanto você quiser, já que pelo seu caráter de arcade existem possíveis modificações para brincar novamente nas fases (como mundo espelho; maior velocidade).

Lovely Planet Arcade trabalha muito bem com a velocidade e o ritmo que traz em sua proposta. Entre tiros, pulos, teleportes e tudo mais, a sensação de ir vencendo um obstáculo após o outro é recompensadora.

Prós

  • Estágios que trabalham bem com a velocidade;
  • Inimigos e novos desafios vão sendo introduzidos em um bom ritmo.

Contras

  • Não há muito espaço para diferentes abordagens nos estágios.
Lovely Planet Arcade — PC — Nota: 7.5
Revisão: Ana Krishna Peixoto
Pedro Vicente é um homem sem qualidades. Para se esquecer das décadas de fracassos de sua vida real, resolveu passar parte do seu dia jogando. Iniciado nos games por Adventures e JRPGs, hoje em dia joga de tudo. Gosta muito de escrever sobre jogos, mas só dá nota 10 para games em que você pode dar Suplex em um trem.

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