Blast Test

Monsters and Monocles (PC) é problemático, mas ainda divertido.

Apesar de problemas técnicos e de execução, este top-down shooter promete bons momentos, principalmente em seu multiplayer.


Monsters and Monocles é um top-down shooter para PC que está atualmente em acesso antecipando no Steam, com um grande foco em ação, e tem como pontos fortes o modo multiplayer, sua temática steampunk, a variedade de armas e estilos de jogo e principalmente seus níveis gerados proceduralmente, com o intuito de garantir maior potencial de replay.

Níveis gerados proceduralmente são a grande aposta de Monsters and Monocles
Em primeiro momento, sou compelido a falar de seu primeiro problema técnico a me afetar: A não-compatibilidade para jogadores que contam com mais de um monitor. Não pude escolher em qual monitor iniciar o jogo e tive que jogá-lo em meu monitor secundário. Apesar de parecer uma reclamação boba para um jogo nesta fase de desenvolvimento e em acesso antecipado, é válida pelo menos como informação para os que pretendem adquirir o jogo.

Visualmente falando…

Mas não é apenas de problemas técnicos que vive Monsters and Monocles. Pequenos defeitos em seu design e execução seguem atrapalhando aqui e ali a experiência de jogo. O primeiro fator a me chamar atenção, como creio que seja o primeiro fator a chamar atenção de qualquer pessoa em qualquer jogo, é o aspecto visual.

O conceito visual de Monsters and Monocles é fechado e consistente. É possível ver um excelente trabalho principalmente na concepção de cenários, condizentes com a fusão dos temas Steampunk e Terror propostos pelo jogo, além de serem simplesmente agradáveis de se olhar pela pixel art bem executada.
Cenários e efeitos bem trabalhados são um ponto alto do jogo.
Nos personagens a questão visual fica mais complexa. Seus conceitos são interessantes, mas o visual de seus sprites deixa a desejar, e isso se agrava nos inimigos do jogo. Enquanto alguns têm sprites melhor executados que outros, todos pecam na falta de originalidade, o que deveria ser um ponto forte do jogo. Temos como exemplo o clássico “fantasma”, o “morcego” e o “olho gigante”, sem nada diferente de forma significativa do que já vimos em dezenas de outros jogos.

Em contraponto, animações de determinados efeitos como a morte dos inimigos são executadas em um nível bem acima do que vemos no resto do jogo, tal qual foi possível ver com os cenários em comparação com os personagens e inimigos. Infelizmente não é possível ver na execução o mesmo nível de consistência visto no seus conceitos.
"Que explosão bonita"

Mais ação! 

Outro, e talvez o mais importante, aspecto do jogo a me chamar atenção foram algumas decisões de design que não são por si ruins, mas questionáveis, dado o conceito do jogo. 

O alto recuo das armas, por exemplo, dificulta e até desincentiva o jogador a atacar e se movimentar ao mesmo tempo. A esquiva não impede o jogador de se chocar com outros monstros e se torna pouco útil quando o jogador se vê encurralado por vários inimigos, principalmente considerando que ao se chocar com um inimigo, o personagem é jogado com alguma força para a direção oposta; além disso, a detecção da direção do tiro e a hitbox dos inimigos é extremamente precisa. 

O curioso é que nenhuma dessas características é inerentemente negativa, mas não condizem com a característica primária de ação que o jogo propõe. Não é difícil começar o jogo esperando correr, atirar e matar dezenas de inimigos e se ver restringido a ficar em um canto atirando nos inimigos um a um porque “compensa mais”.
A variedade de armas e o multiplayer amenizam alguns dos defeitos do jogo
Porém, se em alguns aspectos o jogo deixa a desejar, em outros ele fornece a diversão que se espera dele. Eu sou um grande crítico de jogos que apostam tão forte em conteúdo gerado de forma procedural por geralmente ser só uma forma fácil de gerar conteúdo sem pensar em determinados aspectos, como level design, por exemplo. Em Monsters and Monocles, no entanto, o conteúdo procedural faz sentido e se torna o maior diferencial, em meu ver, dele para diversos outros jogos do gênero que dependem unicamente do multiplayer para não se tornarem tediosos. Além disso, a diversidade de armas é fantástica, e o interesse que o jogador não desenvolveu por ver inimigos diferentes ou outras áreas por problemas artísticos, é possível desenvolver por querer descobrir novas armas e realizar upgrades e encontrar seu estilo de jogo ideal. 

Veredito 

Monsters and Monocles sofre de defeitos inegáveis, mas sinceramente é alegrador ver como o Acesso Antecipado pode ser uma solução para diversos desses problemas. Enquanto vemos jogos que parecem estar nessa fase com um objetivo obscuro de coletar fundos para serem finalizados, Monsters and Monocles está claramente num momento de seu desenvolvimento em que nada pode ajudar mais o jogo que feedback. Monsters and Monocles, apesar de todas as críticas feitas, é um bom jogo, só ainda não tão perto de ser o que pode ser. Se você tem interesse por top-down shooters, se tem amigos para um bom multiplayer (principalmente multiplayer local, que sempre promete muito mais diversão para esses jogos mais “arcade”, em minha opinião), Monsters and Monocles é uma ótima pedida.

Revisão: Luigi Santana
Juni Chaves é formando em Sistemas e Mídias Digitais e atualmente redator no GameBlast e também no Ivalice. Grande interessado em Game Design e nas áreas artísticas que envolvem os jogos, não é raro encontrá-lo falando disso no Facebook e no Alvanista.

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