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Análise: Carmageddon: Max Damage (Multi): Atropelando pessoas desde os anos 90

Franquia polêmica, na qual é possível atropelar pessoas, retorna tentando trazer de volta sentimento dos anos 90.

Carmageddon é uma série de jogos de corrida com um passado um tanto quanto conturbado. Lançado originalmente em 1997, o título foi duramente criticado principalmente por premiar os jogadores por atropelar inocentes e indefesos pedestres, transformando um simples jogo de corrida em algo sanguinariamente maldoso.


O título acabou sendo proibido em alguns lugares como o Reino Unido e até mesmo o Brasil, mas nada disso impediu que sequências chegassem às lojas. Para amenizar um pouco a violência, e conseguir ser lançado no máximo de territórios possíveis, versões com zumbis no lugar dos distraídos transeuntes foram lançadas.

Ele está de volta

Carmageddon: Max Damage (Multi) retornou esse ano para levar suas corridas sangrentas aos atuais consoles e ao PC. A versão para computador porém trata-se de uma extensão do jogo anterior: Reincarnation, que marcou o retorno da franquia após alguns anos no limbo, inclusive, distribuída gratuitamente para quem possuía o jogo anterior.
Dirigindo loucamente em qualquer lugar.
Essa nova versão resolveu resgatar toda a ambientação dos títulos originais, trazendo até mesmo um visual um tanto quanto retrô e o já conhecido mundo aberto, que permite ao jogador esquecer das corridas e perder horas se distraindo com outras atividades. Porém toda a diversão que funcionava nos anos 90 parece não ter envelhecido muito bem.

O que vem no pacote?

Há diversas fases disponíveis para se jogar em um modo história, desbloqueáveis à medida que se avança ou aleatoriamente de forma livre. Alguns carangos disponíveis permitem altas customizações para deixá-los ainda mais letais na hora da corrida e levar dor e agonia aos seus desafiantes e, claro, àqueles que apenas passeiam sem ter noção do seu redor.

Os desafios são basicamente as corridas normais, um que coloca checkpoints aleatórios no mapa, outro que marca um pedestre no cenário e o primeiro a acertá-lo ganha a disputa e o mais interessante, que o desafia além de passar por todos os checkpoints, destruir todos os carros rivais ou matar todos os pedestres do cenário.
Os modos de jogo divertem por algum tempo.
As fases são bem amplas, o que acabou sendo um ponto negativo para o jogo. Por exemplo, no modo em que é necessário encontrar todos os pedestres, é possível perder horas tentando achar um andarilho que passou despercebido e tornar as coisa um pouco chatas para aqueles com menos paciência.

Por falar em paciência, não só achar uma “agulha no palheiro“ fará você perdê-la como as fases feias e má construídas poderão deixar tudo ainda mais frustrante. As locações nos mapas são mal distribuídas, fazendo surgir áreas com grandes espaços abertos ou corredores apertados onde cada curva é simplesmente uma questão de boa vontade em seguir em frente.

Olhe, um pedestre!

E os pedestres? Onde estão os pedestres? Bem, eles estão andando nas ruas do jogo como se nada a sua volta os preocupassem. Carros com pontas de ferro para todo o lado e explosões não são suficientes para assustá-los e eles continuarão a andar sem motivo para pânico, a não ser que o jogador vá em sua direção. Mas nada que não passe depois de alguns segundos.

Alguns desses pedestres receberam os rostos de pessoas que apoiaram o lançamento do jogo durante sua arrecadação de fundos e outros são simplesmente personagens genéricos. É possível encontrar homens, mulheres, pessoas obesas, deficientes físicos, idosos, até mesmo animais e atropelá-los sem dor nem piedade.
Atropele todos sem piedade é o lema do jogo.
Alguns poderes encontrados pela fase permitirão que toda a carnificina se torne mais fácil ainda, como, por exemplo, um que deixa em câmera lenta e outro que faz o carro soltar raios elétricos por onde passa, destroçando instantaneamente qualquer desavisado que estiver no caminho.

No início as coisas parecem engraçadas e divertidas, alguns deles fogem de medo e se tornam difíceis de serem alcançados dependendo do lugar que estejam, mas nada que um posicionamento melhor de sua máquina não resolva. Depois de algum tempo tudo se torna sem sentido, e para quem ainda apostar suas fichas nas fases do modo carreira, lá para a metade do jogo, os atropelamentos já estarão sendo apenas acidental ou em busca de alguns pontos.

Não foi dessa vez

Max Damage traz boas opções de customização de carros, power ups engraçados e cenários gigantescos, mas tudo isso não foi suficiente para trazer satisfatoriamente a série de volta. O que ela precisa urgentemente é de um bom “tapa” no seu visual e na sua mecânica de jogo, que precisa se renovar imediatamente.
Olhando assim parece impressionante. mas não é.
Os cenários mal distribuídos e a impressão de que tudo está sendo construído à medida que se avança deixaram a situação difícil para o título. É possível visualizar uma névoa cinza que cobre alguns pedaços dos cenários durante alguns momentos. De início pensei ser algo intencional para trazer o sentimento de jogo antigo de volta, mas no fim percebi que realmente a névoa estava ali para cobrir imperfeições do jogo.

O jogo possui poucos pontos positivos, o que deixa em evidência suas más execuções. No começo as coisas podem parecer até um pouco divertidas, mas com o tempo Carmageddon: Max Damage será esquecido e servirá apenas para algumas disputas engraçadas com os amigos, enquanto eles ainda estiverem dispostos a isso.

Prós

  • Divertido nos primeiros momentos;
  • Multiplayer interessante.

Contras

  • Falta de novidades;
  • Missões entediantes;
  • Toda a violência perde a graça com o tempo.
Carmageddon: Max Damage – PlayStation 4, Xbox One e PC – Nota: 5,0
Versão utilizada para análise: PlayStation 4
Revisão: Luigi Santana
Fabio Oliveira é Analista de Sistemas formado pela UERJ. Além da paixão pelo mundo dos games, é fanático por seriados americanos, cultura japonesa e filmes de ficção científica. Fã de Mario e Resident Evil resolveu contribuir para o universo gamer sendo newposter no GameBlast.

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