Blast Test

The Final Station (PC) promete mostrar que jogos em 8-bits podem ser tensos

Embarcamos nesse trem rumo ao fim do mundo.


O apocalipse zumbi está em alta na cultura popular. São cada vez mais filmes, séries, quadrinhos e videogames contando histórias sobre o fim da civilização causado pelos mortos-vivos. Aproveitando essa onda, The Final Station promete mesclar a batalha pela sobrevivência com um simulador de trens, tudo em um universo em 8-bits. Por mais estranha que essa combinação possa parecer, o resultado é promissor por fugir do lugar comum e trazer algo novo ao mundo destruído por alguma doença.


O projeto está sendo desenvolvido pelo estúdio Do My Best e a distribuição será responsabilidade da tinyBuild. Chegando para PC entre os meses de julho e setembro de 2016, o jogo atualmente está em beta fechado. Nós do GameBlast tivemos acesso à essa primeira versão e trazemos agora nossas impressões.

Todos a bordo

Em The Final Station assumimos o controle do maquinista, com a missão de viajar entre as diferentes estações de uma ferrovia para resgatar sobreviventes e coletar suprimentos. As buscas durante as paradas prometem explorar muito bem o gênero horror de sobrevivência. Por maior que seja a vontade de puxar o gatilho a cada novo zumbi encontrado, o ideal é segurar e dedo e tentar se esquivar das criaturas, já que a quantidade de munição é limitadíssima. Os kits médicos e alimentos também são escassos e usá-los com frequência não é uma boa ideia, pois muitos dos humanos salvos precisarão bem mais desses itens do que você.


Sensação do clássico Resident Evil que The Final Station consegue recuperar é a tensão de abrir uma porta. Com cenários em 2D, o jogo apresenta a interessante mecânica de só revelar o que existe dentro de cada cômodo quando a entrada é aberta. Antes disso, a parede fica com uma cor escura, impossibilitando de enxergar se lá dentro há valiosos alimentos e medicamentos ou uma horda de zumbis famintos.

Além de resgatar os sobreviventes, em cada estação é preciso localizar um código de quatro números que levará o trem até o próximo destino. Em uma das paradas disponíveis na demo, além da combinação, também é necessário encontrar uma bateria para fazer a locomotiva se movimentar novamente. Talvez, no jogo completo, conforme a jornada vai se desenrolando, ficará mais difícil continuar a viagem, o que torna o fator exploração ainda mais importante.

Problemas para resolver

O trajeto entre uma estação e outra acaba se revelando bem entediante. Sempre que embarcamos no trem, as tarefas são as mesmas: conversar com os sobreviventes e verificar se eles precisam de cuidados médicos ou comida. Também é preciso ficar atento aos mecanismos da locomotiva para manter o funcionamento normal. A manutenção do maquinário é bem fácil, bastando puxar alavancas para garantir a energia elétrica ou apertar botões para controlar a pressão nos motores. Os desenvolvedores poderiam investir um pouco mais de atenção nessas partes, por exemplo, criando quebra-cabeças que vão ficando mais complicados conforme a evolução no jogo.

A facilidade do simulador de trens contrasta com a dificuldade em explorar as estações. Não são raros os momentos de tentar fugir de um grupo de mortos-vivos e encontrar uma porta trancada. Quando isso acontece, as alternativas são descarregar as armas nos zumbis, correndo o risco de acabar sem munição, ou usar um golpe de corpo para se livrar dos inimigos e seguir na direção oposta. Além dos tiros, existem alguns objetos no cenário que podem ser usados para atacar os mordedores.
A variedade de inimigos é fator que merece destaque. Na demo, estão disponíveis cinco estações para serem exploradas, onde encontramos quatro tipos de zumbis diferentes. Cada um deles apresenta características próprias, existem os pequenos que são rápidos e outros com armaduras policiais imunes aos tiros. Os armamentos também prometem ser variados, mas nesse beta só tivemos acesso a duas, uma beretta e uma shotgun.

O enredo aparenta ser mais profundo do que parece, no final da demonstração o trem chega a uma cidade que, aparentemente, continua com a vida normal. Hotéis, bares e lojas funcionam como se nada tivesse acontecendo nas redondezas. Dependendo da quantidade de sobreviventes que conseguimos levar ao destino final, recebemos uma recompensa pior ou melhor. O dinheiro coletado nas estações pode ser trocado por novos itens nesse centro urbano. O beta termina justamente no momento em que o protagonista recebe uma nova missão rumo ao norte.

Vale a pena esperar

O jogo tem interessante potencial a ser explorado, apesar dos problemas visíveis no beta. Se os produtores investirem mais nos períodos de viagens no trem e conseguirem desenrolar bem o enredo, The Final Station tem tudo para não ser só mais um título genérico sobre apocalipse zumbi.
Vinicius Veloso é jornalista e obcecado por games (não necessariamente nessa ordem). Seu vício começou com uma primeira dose de Super Mario World e, desde então, não consegue mais ficar muito tempo sem se aventurar em um bom jogo. Está no Facebook ou Twitter.

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