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Análise: Pesadelo: Regressão (PC): boas propostas cercadas por problemas

O game brasileiro impressiona em alguns aspectos, mas decepciona e frustra em outros.

Uma das impressões mais fortes que tive de Pesadelo: Regressão foi que ele próprio mina suas potencialidades. Traz boas propostas que acabam sendo atacadas por alguns elementos do game. O foco em criar uma atmosfera de terror e tensão às vezes é agredido por cortes desnecessários de cenas, outras é avariado pela estranha atuação vocal. Ao fim do dia, o que mais chama atenção é o mistério e o uso de elementos da cultura brasileira, em contraste a uma experiência tensa e de horror propriamente dita.




Os primeiros momentos do jogo são bem interessantes, ainda que seja logo nos primeiros minutos que surgem três grandes problemas. Depois de passar por uma espécie de hospital/laboratório avançado, você acorda em uma casa estranha em meio a um cemitério, com lembranças difusas sobre como chegou ali. A casa traz algumas dicas a partir do cenário — como fotos, pôsteres e documentos.

 Nossa primeira missão é encontrar o coveiro, tentando compreender onde estamos e como sair dali. Tudo é bem escuro, e a forma de ter uma melhor visão do espaço é utilizando fósforos ou uma lanterna (ambos os equipamentos são consumíveis — as pilhas, no caso da última). O mistério, o visual e a ambientação são bem competentes em te causar estranhamento e medo, mas logo que falamos com o coveiro essa atmosfera é quebrada.

É notável que a atuação vocal do jogo não é feita por profissionais, mas o resultado acaba sendo cômico, o que não condiz com o ambiente que o jogo está construindo a todo o momento. Ou pelo menos foi essa a impressão que tive, pois não existe muita coisa no game que me faça crer que se trata de uma paródia ou piada com filmes de terror de baixo orçamento.

 Depois de conversar com o personagem, é hora de procurar ervas no cenário para criar uma poção. A parte de criação de itens no jogo é interessante: geralmente você encontra algum tipo de instrução com os ingredientes necessários, para então buscá-los no mapa e realizar as combinações. Mais para frente é necessário até usar equipamentos que ficam pelo cenário, o que gera um ritmo interessante na jogatina.


A parte seguinte também traz um exemplo de como o jogo quebra suas próprias potencialidades. Em um dos primeiros casebres na área seguinte, encontramos um documento sobre monstros que vagam o lugar. A partir dele, entende-se que eles são atraídos por barulho e que seus olhos ficam vermelhos ao encontrarem a presa. Tem até mesmo um desenho bem medonho da criatura.

Ao sair e ver ao longe uma dessas criaturas, já comecei a ficar tenso, mas uma cena corta a ação para mostrar o monstro pulando e fazendo um barulho besta. O jogo já havia introduzido o inimigo de uma maneira muito mais interessante, para então fazer isso de uma forma que não empolga e quebra o clima.

 Isso seria tranquilamente um problema menor se as sessões de furtividade fossem interessantes, mas elas não são. E aí entra, entre outras coisas, um terceiro problema: as plantas carnívoras. Elas ficam no chão, meio que escondidas, e limitam a projeção do seu deslocamento, já que não é possível se esconder nas matas e outros locais fora da rota onde estão os monstros. É uma ideia para não deixar o jogo tão fácil, mas acaba fazendo o game se tornar uma experiência mais de esperar uma oportunidade do que ter realmente uma agência.


Mas existem momentos bacanas no jogo, como quando precisamos ligar um gerador para utilizador o elevador. A única forma de se guiar pela área é usando um mapa (sem nenhum tipo de marcador ou coisa assim), indo atrás das lápides para encontrar o segredo de um cofre no meio do lugar. Esse momento acaba gerando um ritmo interessante para o jogador, que precisa administrar os caminhos, o uso da luz e de outros itens, para se movimentar pela área sem chamar atenção dos inimigos.

 Infelizmente outras áreas não fazem os desafios sobressaírem aos problemas. Pesadelo: Regressão é um título interessante, mas que não consegue superar os problemas que traz, compondo uma experiência não muito agradável.

Prós:

  • Os ambientes são bem construídos e condizem à proposta do game;
  • Algumas áreas trazem bons desafios que mesclam exploração e criação de itens. 

Contras: 

  • Atuação vocal;
  • Sessões de furtividade. 
Pesadelo: Regressão — PC — Nota: 6.0
Revisão: Vitor Tibério
Pedro Vicente é um homem sem qualidades. Para se esquecer das décadas de fracassos de sua vida real, resolveu passar parte do seu dia jogando. Iniciado nos games por Adventures e JRPGs, hoje em dia joga de tudo. Gosta muito de escrever sobre jogos, mas só dá nota 10 para games em que você pode dar Suplex em um trem.

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