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Análise: LastFight: uma homenagem aos clássicos de luta dos arcades

Estréia da novata Piranaking empolga, e muito, mas peca na falta de conteúdo

Nos últimos anos a indústria foi invadida pelo mercado indie. Aquilo que era um gênero de nicho, onde somente os melhores jogos acabavam se destacando, acabou se tornando uma das grandes sensações do mercado, graças a iniciativas como a da Steam Greenlight. A pequena empresa francesa Piranaking é uma das que aproveita esse momento para lançar seu primeiro título: LastFight, um jogo de luta com claras inspirações em clássicos como Streets of Rage, mas com uma visão isométrica.

Visual e sons clássicos

A primeira coisa que chama a atenção ao rodar LastFight definitivamente são as animações e visual cartunesco do título. Com uma cutscene que remete instantaneamente a certos clássicos do arcade (com o famoso símbolo e aviso anti-drogas, muito usado em máquinas de fliperama nos estados unidos), já é possível ver as inspirações da Piranaking logo de cara. A trilha sonora e efeitos sonoros do jogocontribuem ainda mais para esse efeito de nostalgia, combinando músicas com estilo 8-bits e sons chamativos, criando uma atmosfera de arcade como poucos jogos conseguem.

Assim como em alguns clássicos dos fliperamas a história de LastFight é simples e pouco explorada (além de abusar de alguns clichês), servindo apenas para justificar a “porradaria” que vai rolar solta na sua tela. Ao escolher um dos protagonistas descobrimos que a namorada de um deles fora raptada por uma organização secreta (ou algo do gênero) responsável por distribuir uma perigosa droga alucinógena ao redor do globo. A grande curiosidade é que o enredo (que, repetindo, é muito pouco explorado no título) é baseado em um quadrinho francês chamado LASTMAN.
Clássico herói de jogos de luta

Gameplay... moderno?

OK, chamar o gameplay de LastFight moderno é um certo exagero, mas é inegável que o título consegue absorver certos elementos de jogabilidade de jogos clássicos e os revigorar com alguns aspectos novos. A começar pelo seu cenário isométrico, que traz uma gama maior de possibilidades tanto em movimentação como em ataques. Cenário esse, alias, que é parte fundamental do gameplay, visto que praticamente todos os objetos dispostos ao longo desse, ou possuem algum efeito na jogabilidade ou são quebráveis/arremessáveis. Usar o cenário ao seu favor é, portanto, fundamental para a vitória.
Tudo pode ficar caótico muito rápido
Além disso temos a presença de alguns power-ups que aparecem aleatoriamente no mapa. Caso um jogador consiga três desses, ele entrará em um modo extremamente forte (cuja forma e ataques variam com cada cenário) podendo causar grande estrago no curto espaço de tempo que o recurso fica disponível. É possível, entretanto, fazer com que um jogador perca os power-ups acumalados ao lhe causar qualquer tipo de dano.
Um exemplo do que você pode fazer com esses power-ups
Mas é claro que não é só de objetos arremessáveis que se faz um jogo de luta. O jogador dispõem de algumas outras opções para derrotar seus adversários. Além de golpes básicos, que infelizmente só se apresentam na forma de um combo simples, cada um dos 10 diferentes personagens possui uma habilidade especial e um agarrão, que quando usados corretamente podem desfazer qualquer tipo de defesa do jogador. Defesa essa que pode ser feita de duas formas: bloqueios e dashs, cada um com sua peculiaridade e vantagem.

Embora o gameplay seja divertido, é fácil ver que ele pode ficar muito repetitivo com o passar do tempo. Mesmo que a geração aleatória de itens (que mudam de acordo com cada cenário), consiga trazer alguma variedade para as partidas, é normal que a experiência se torne maçante após algumas horas jogando, especialmente se você não tiver algum amigo para jogar, visto que o único multiplayer presente no jogo é local.

Infelizmente... pouco conteúdo

LastFight é divertido, especialmente se jogado com amigos e utilizando alguns controles, devido a sua rápida e caótica jogabilidade (ainda mais quando 4 diferentes personagens dividem o mesmo cenário). A constante necessidade de utilizar o cenário ao seu favor, aliado com a boa variedade entre cada personagem, faz com que o todas as lutas sejam extremamente cativantes.

Aliado com o excelente visual e efeitos sonoros, LastFight é no geral uma ótima experiência, algo surpreendente quando se leva em conta que o estúdio contou com apenas 3 pessoas no desenvolvimento do título. Infelizmente essa falta de pessoal, que não aparece de forma alguma no capricho do game, acaba sendo uma das grandes responsáveis pelo maior defeito do título: a falta de conteúdo. Se você tem alguns amigos para jogar, e deseja revisitar aquele espírito de arcade, entretanto, não deixe de conferir LastFight (que em breve será lançado também para PS4 e Xbox One).

Prós

  • Gameplay divertido;
  • Visual e sons cativantes.

Contras

  • Pouco conteúdo;
  • Falta de um modo multiplayer online.
LastFight — PC — Nota: 8.0
João Pedro Meireles é graduando em Engenharia de Computação na UFRGS. Viciado em jogos, em especial Mobas e RTS, passou boa parte da vida jogando-os e pesquisando sobre aqueles que não teve tempo de jogar, o que o levou a virar redator do GameBlast.

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