Hands-on

Injustice 2 pega algumas mecânicas emprestadas para definir sua própria identidade

Novos elementos de RPG deixam o jogo de cara nova, mas há algumas estranhezas.

No ano de 2013, nós recebemos de braços bem abertos o tão promissor Injustice: Gods Among Us, desenvolvido pela NetherRealm Studios, com ninguém menos que Ed Boon na direção e distribuído pela WB Games, ambos responsáveis pela franquia Mortal Kombat. O jogo conseguiu incorporar bem os personagens do universo DC às já conhecidas mecânicas de MK, além de trazer uma boa narrativa para um jogo de luta, impressionando muitos jogadores.

Há pouco tempo, fomos “surpreendidos” com o anúncio da sequência do jogo em que foi apresentado um trailer um tanto peculiar com os heróis brigando entre si e armaduras high-tech que se montavam em seus corpos.

Durante o WB Games Summit 2016, tivemos a chance de não apenas ver um dos desenvolvedores do jogo, Thiago Gomes, narrando algumas das novidades durante uma partida, mas também de testar o game em si. Confira as nossas impressões.

Os deuses de volta

Assim como na demonstração de Mortal Kombat X, no Summit de 2014, havia apenas alguns personagens disponíveis, sendo alguns novos e outros já presentes no jogo anterior – Superman, Batman, Supergirl, Aquaman, Gorilla Grodd e Atrocitus, o Lanterna Vermelha –, e apenas o modo versus. Logo, não pudemos ter acesso a qualquer parte da campanha principal e nem conseguimos mais informações sobre a história do jogo – além de que o titulo se passa momentos após os eventos do primeiro game e que o mundo será ameaçado por uma nova nova força maligna.

Graficamente o jogo está muito bonito, claro, tanto em relação aos cenários quanto aos personagens. Algumas novidades já puderam ser vistas logo de cara, como, por exemplo, a barra de energia dos personagens utilizada para executar alguns golpes especiais. Ela agora está maior, mas não há muita diferença no modo e na velocidade com que é preenchida.

Cada personagem, assim como antes, possui golpes, combos especiais e habilidades “super” próprios. Gorilla Grodd, o gorila superinteligente, mistura ataques brutais e selvagens à sua telecinese, por exemplo. Já Atrocitus utiliza ódio e raiva para executar combos com seu anel vermelho, espirrando sangue em seus inimigos ou até mesmo invocando Dex-Starr, outro membro dos Lanternas Vermelhas, para poder executar alguns golpes com maior alcance.

Contamos com o retorno dos golpes especiais “clash”, em que ambos os personagens entram num embate e apostam parte de sua barra especial para ganhar ou perder HP, dependendo do maior apostador, e também do “super”, similar ao Raio X de Mortal Kombat, mas sem ossos quebrando e com cenas bem mais “super”. Infelizmente, de todos os supers que vimos, o que mais me empolgou de verdade foi o de Atrocitus.

Quando Dissidia Encontra Mortal Kombat

Ao final de cada partida, estatísticas são exibidas mostrando ao jogador o seu desempenho em batalha para que ele possa analisar e melhorar suas jogadas. Além disso, como uma novidade bastante curiosa demonstrada no trailer, o jogo surpreende com um sistema de níveis e equipamentos. Ao final de cada partida, ambos os jogadores, tanto o vitorioso quanto o derrotado, receberão uma porção de experiência e alguma peça de equipamento, como uma parte de armadura própria para o personagem utilizado.

Os equipamentos se distribuem entre partes do corpo, como cabeça, peito, braços, pernas e acessórios. Temos, por exemplo, o tridente do Aquaman e o cinto de utilidades do Batman, que alteram não somente a aparência do personagem, deixando-o mais robusto e intimidador, mas também as mecânicas do mesmo, mudando os golpes e combos que tal personagem pode executar. Isso torna o personagem realmente único e justifica bastante o slogan do jogo: “cada batalha te define”.

Tal sistema lembra bastante o utilizado nos jogos da série Dissidia Final Fantasy (PSP/Arcade), em que as mecânicas tipicas de RPGs interferem diretamente nas batalhas, adicionando habilidades, combos e maior resistência ou dano aos inimigos.

Isso está estranho…

Contudo, algumas mudanças acabaram me incomodando um pouco. Um exemplo são os novos controles dos personagens, que, diferentemente do último Injustice, não estão tão fluidos e velozes. Isso faz com que os lutadores pareçam mais travados, executando golpes rapidamente. Isso me lembrou muito mais o reboot de Killer Instinct para Xbox One e Windows 10, o que dificultou bastante a minha adequação aos controles.

Outra coisa que também me deixou encucado foram as expressões faciais dos personagens. Principalmente o da Supergirl que… chega a assustar com a exagerada plasticidade do rosto, deixando-o mais forçado do que realista.

Pode ser bom? É o que parece…

Injustice 2, ao que tudo indica, está seguindo os próprios passos, diferentemente do primeiro jogo que se apoiou bastante em Mortal Kombat 9. Além disso, o novo jogo adiciona várias novidades ao título, tornando-se único. Isso pode acabar sendo muito bom para definir ainda mais a identidade da franquia, divergindo bastante da ideia que eu tive a princípio: que seria apenas um Mortal Kombat X melhorado.

As interações e alternâncias entre cenários retornam sem muitas alterações, o que, sinceramente, não surpreendeu mas também não decepcionou. Já o sistema de equipamentos, com um belo toque de RPG, é uma ótima adição à franquia. Mesmo que se assemelhe um pouco ao famoso Dissidia, a novidade pode acabar divertindo ainda mais aqueles que sempre quiseram criar a sua própria versão de seu herói favorito, como o Superman Vermelho, por exemplo. Ainda que o jogo possua algumas estranhezas, os dedos estão cruzados para o título que, segundo a própria Warner, promete trazer o maior elenco de personagens DC a um jogo já feito.

O título será lançado para PlayStation 4 e Xbox One em 2017, ainda sem uma data definida, vindo totalmente traduzido e adaptado para o idioma português, assim como foi com o primeiro.

Revisão: Érika Honda.
Gustavo Dourado é estudante do Ensino Médio e fissurado por tecnologia e games. Adora animações e quadrinhos japoneses, além de filmes de todas as partes do mundo. Ama RPGs, sejam eles de mesa ou digitais e desafia qualquer game que lhe desperta algum interesse.

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