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Análise: Umbrella Corps (PS4/PC) é tudo que Resident Evil não deveria ser

O novo spin-off da franquia dos zumbis tem uma proposta interessante, mas decepciona.


Até o anúncio do inovador (e assustador) Resident Evil VII na conferência da Sony na última E3, todo o lançamento de um novo jogo da franquia era visto com pouco interesse pelos fãs e pela crítica. Parecia que um dos carros-chefes da Capcom, o revolucionário game do gênero survival horror, havia perdido sua essência. Infelizmente, isso também acontece com Umbrella Corps. Ele é apenas mais um Resident Evil. Na verdade, nem isso. O game se trata de um spin-off da série com uma proposta promissora, mas que leva vários tombos e não chega ao seus objetivos.

Contra humanos e zumbis

Umbrella Corps consegue misturar, com excelência, a fórmula de survival horror da franquia com a mecânica de partidas online ao estilo Counter Strike. Entre zumbis e tiros, a principal diferença para shooters nesse estilo é que os produtores optaram por manter a visão do jogo em terceira pessoa. Mas aqueles que preferirem uma visão mais direta para o inimigo podem mudar para o modo de primeira pessoa enquanto estiverem mirando com uma arma.
Hora de matar uns zumbis!

Com uma fraca e repetitiva campanha single player, em que o jogador tem que percorrer o mesmo cenário várias vezes realizando objetivos diferentes e encontrando os mesmos tipos de zumbis, o forte de Umbrella Corps está em seu modo multiplayer. O game oferece várias possibilidades, desde um modo ranqueado até jogar com os amigos em um bom um contra um. Porém, a escassez de mapas é um problema e os zumbis espalhados pelos cenários mais parecem enfeites do que obstáculos para se conquistar territórios. Em diversas partidas, passei por zumbis que nem se preocuparam em me atacar, me concentrando apenas em localizar os jogadores inimigos.

Felizmente, Umbrella Corps é um presente para os fãs mais nostálgicos, pois alguns cenários da série clássica estão presentes no modo multiplayer, como a mansão do primeiro Resident Evil e a vila de Resident Evil 4. Além disso, um vilão que estava um pouco sumido da franquia faz uma pequena aparição durante a jogatina — mas sem spoilers. O que os fãs de carteirinha da série podem sentir falta são as variedades de zumbis. Entre aqueles que andam a esmo pelo cenário, o jogador só encontrará alguns que brotam de restos no chão e cães que acordam com a aproximação do personagem.
Eu conheço essa vila de algum lugar...

Uma péssima experiência

Umbrella Corps opta sempre pelo mais simples, desde cenários até o arsenal disponível, há pouca variedade dos mesmos. A única parte que chamou a atenção pela grande diversificação foram as skins e acabamentos para customização dos personagens. Uma péssima decisão de desenvolvimento, pois Umbrella Corps prometia entregar uma experiência única de ação e multiplayer no universo de Resident Evil. Mesmo sendo completamente desenvolvido em cima da engine gratuita Unity, o game poderia ter sido melhor construído pensando nas possibilidades a serem exploradas no gênero de survival horror aliado ao FPS.
Várias opções para montar seu personagem.

Dois dos aspectos mais irritantes de Umbrella Corps são suas armas e a mecânica de movimento. A variedade de armas se restringe a cinco dispositivos diferentes, no máximo. Além disso, utilizá-las no combate passa uma sensação estranha, como se você estivesse atirando com uma arminha de chumbo, tendo em vista o pouco poder de ataque. Quanto à forma na qual você se move pelo cenário, ela é bizarra. A movimentação fica tão fluída e lânguida — suave demais — em certos momentos, que o personagem parecia estar escorregando de um ponto a outro. Mesmo alterando a sensibilidade nas opções do game, não fui capaz de corrigir esse problema.

Umbrella Corps é uma experiência que, assim como o T-virus, tinha potencial, mas foi trabalhada da forma incorreta. O maior problema do game é sua falta de refinamento e variedade. Em um mundo infestado por zumbis, o jogador não consegue acreditar que o trabalho de um soldado da corporação Umbrella possa ser tão chato assim. Além do mais, pode-se notar alguns bugs durante o gameplay, como problemas de colisão de objetos e a baixa qualidade da inteligência artificial dos zumbis. Tudo isso e mais um pouco fazem de Umbrella Corps um spin-off que será esquecido muito em breve e que, talvez, consiga proporcionar algumas poucas horas de divertimento para os fãs que testarem seu modo multiplayer.
Muitos zumbis. Pouca emoção.

Prós

  • Nostalgia com cenários clássicos;
  • Variedade de modos multiplayer.

Contras

  • Modo singleplayer fraco;
  • Pouca variedade de armas;
  • Mecânica de movimento bizarra;
  • Bugs ocasionais.

Umbrella Corps — PS4/PC — Nota: 5.5 
Versão utilizada na análise: PS4

Revisão: Ana Krishna Peixoto
Luís Antônio Costa é graudado em Ciência da Computação pela UFRGS. Apaixonado por games desde que ganhou seu primeiro Master System e conheceu Sonic, também é amante da ciência e um devorador de livros. Além do GameBlast, também faz alguns textos para o Medium e pode ser encontrado no Facebook e Twitter.

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