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Análise: The Technomancer (Multi) é uma aventura complexa mas pouco eletrizante

A jornada de um jovem com poderes em Marte é menos chocante do que se pode imaginar.







Estamos em uma era em que o gênero RPG está em pleno crescimento. A categoria está com um nível de refinamento e atenção aos detalhes de jogabilidade cada vez mais elevados, como podemos ver em The Witcher 3, por exemplo. Mas será que qualquer ideia pode ser adaptada para criar um game de sucesso para esse gênero? É o que a empresa Spider acreditava ao desenvolver The Technomancer, um RPG de ficção-científica, a lá Mass Effect, que explora temas não mencionados nesse estilo de game. Infelizmente, acabamos descobrindo que a resposta para essa pergunta é não.

Raios, mil vezes raios!

Para começarmos a falar sobre The Technomancer, temos que comentar sobre seu ponto mais forte: sua história. Muitos não sabem — mesmo porque o próprio jogo nunca menciona esse fato em nenhum momento — mas o título é uma continuação de Mars: War Logs. Esse último, foi desenvolvido também pela Spider em 2013, mas não chamou muito a atenção da mídia ou dos jogadores. The Technomancer tenta ser tudo que seu antecessor não conseguiu ser, mas leva uns belos tropeções pelo caminho. Ele se passa em Marte, num futuro não muito distante, em que diferentes facções lutam pelo poder no planeta vermelho, e, no centro desta guerra, está você, um Technomancer que é capaz de controlar o poder da eletricidade.

Misturando uma ideia de seita religiosa com mutações genéticas, o grupo dos Technomancer age como vigilante do povo marciano, enquanto tenta descobrir sua verdadeira origem para não cair no jogo político dos poderosos. Ao decorrer da trama você encontrará diversos personagens e criará fortes laços de amizades que, infelizmente acabará esquecendo depois por não ter mais que conversar com eles. O game se esforça para construir uma teia de relacionamentos complexa, que vai sendo moldada pelas ações do jogador, mas falha terrivelmente. É como se todos os ingredientes para um bom RPG estivessem lá, mas simplesmente não são misturados, mesmo que você bata e chacoalhe com muita força.

E, como eu disse, esse infelizmente é o ponto mais forte do game. Isso porque o sistema de combate parece simplesmente copiar o estilo já visto em outros títulos recentes e de sucesso como Dragon Age Inquisition ou The Witcher 3: árvores de habilidades, estilos de luta, etc. The Technomancer exagera na quantidade de possibilidades e, ao invés de desenvolver a estratégia para escolher quais atributos personalizar, o jogador pode acabar ficando com apenas um estilo de luta porque, no fim das contas, ele funciona melhor no combate. Ou seja, quem vence é a opção mais simples e não um plano de ataque bem desenvolvido como em qualquer mecânica de RPG.

Muitos choques para nada

Outro aspecto que incomoda durante o gameplay é a baixa qualidade gráfica do visual de The Technomancer. O jogo quase engana o jogador com um belo design quando exibe os diferentes pontos das vilas humanas de Marte e close-ups do rosto do personagem, logo no início da campanha. No entanto, ao longo das várias horas que passei percorrendo os diversos pontos do planeta vermelho pude apenas perceber texturas mal utilizadas e cenários reduzidos, quase claustrofóbicos. Somente em raras ocasiões, vislumbrei estruturas imponentes e bem detalhadas que aumentavam meu nível de imersão.

O pior problema em relação ao combate não é a apenas a falta de estratégia que requer do jogador, mas o nível de desbalanceamento dele. Por exemplo, eu já estava em uma parte avançada do jogo e já tinha aumentado vários atributos importantes do meu personagem. Mesmo assim, quando me deparei com alguns vândalos que inundam o mercado principal, eu fui vencido. Entretanto, eles eram claramente de nível inferior. E não foi por incompetência minha, porque meus companheiros de combate também foram derrotados. Isto ocorre porque o poder de ataque dos NPCs é mal calculado, gerando esse tipo de situação bizarra.

Apesar de The Technomancer não conseguir criar aquela ligação especial com o jogador, foram o clímax da história e descobrir até quão longe meu personagem poderia chegar em termos de poderes que me fizeram querer terminar a campanha principal. Sem vontade de retornar à Marte, a impressão que fica é de um jogo com uma ideia excelente mas precariamente executada. Falta polimento, emoção e, acima de tudo, carisma. The Technomancer é uma das maiores lições da indústria de jogos para todos aqueles que se aventuram em uma nova empreitada: nunca tente pegar carona no sucesso de um gênero para fazer seu próprio produto, especialmente se você não sabe muito bem como colocar essa ideia no papel e na tela de um console.

Prós

  • História complexa e interessante;
  • Variedade de habilidades.

Contras

  • Combate desbalanceado;
  • Baixa qualidade gráfica;
  • Bugs frequentes.
The Technomancer — PS4, XBO e PC — Nota: 7.0
Versão utilizada para análise: PS4

Revisão: Ana Krishna Peixoto
Luís Antônio Costa é graudado em Ciência da Computação pela UFRGS. Apaixonado por games desde que ganhou seu primeiro Master System e conheceu Sonic, também é amante da ciência e um devorador de livros. Além do GameBlast, também faz alguns textos para o Medium e pode ser encontrado no Facebook e Twitter.

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