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Análise: Furi (PC/PS4) é um desafio após o outro

Embarque em uma jornada de pura ação onde o combate e estratégia são os personagens principais.


Jogos indies, desenvolvidos por grupos independentes, são o que mais existe no mundo do entretenimento digital. Mas encontrar bons títulos nesse mar de bits é uma tarefa difícil. Felizmente, um dos achados mais recentes, Furi, é uma pérola entre um punhado de conchas vazias. O game desenvolvido pelo grupo The Game Bakers é frenético, inovador e, antes de mais nada, belo. Ele pode frustrar alguns jogadores desavisados, mas no final a experiência é recompensadora.

Sem enrolação

Como a maioria dos games de ação e aventura funcionam? É uma mecânica bem simples, na verdade: o jogador/protagonista é posto à prova tendo que atravessar estágios repletos de inimigos para combater e, no fim, entrar em combate contra um oponente mais poderoso, o popular chefão. Mas e se nós modificássemos essa fórmula um pouco? Digamos, eliminar esses “preenchimentos” de luta e chegar na batalha derradeira? Essa é a proposta por trás de Furi. Não existem obstáculos intermediários, apenas você contra um inimigo poderoso.

Eliminar estágios é uma estratégia inovadora para o gênero. Além do mais, o personagem principal não é um combatente que pode trocar ou melhorar de armas ou mesmo descobrir e aperfeiçoar novas habilidades. O que o game apresenta é um gameplay sólido em que, logo no primeiro combate, você é apresentado a um tutorial simples e dinâmico sobre os diferentes tipos de golpes que pode realizar. O resto, daí por diante, fica por conta do jogador. Em todos os combates do game não existem dicas, então prepare-se para cometer alguns erros e reiniciar alguns combates.

Felizmente, Furi tem uma curva de aprendizado muito amigável. O nível de dificuldade de cada chefão é crescente e cada um possui uma forma diferente de combater. Já que cada combate força o jogador a pensar em uma nova estratégia de luta, do meio para o fim da campanha do game você já estará acostumado e conseguirá pensar uma forma de derrotar seu oponente sem quebrar muito a cabeça. O game recomenda que você o experimente na dificuldade mais alta a fim de aproveitar mais o que cada confronto pode oferecer. Além disso, tanto no PC como PS4, caso o jogador opte pela modalidade mais fácil, as conquistas não serão desbloqueadas.

Uma sinfonia de golpes

Falando em estratégia, Furi oferece uma boa quantidade de belos e simples golpes para derrotar seus oponentes. Você pode atingir seus inimigos a distância com uma arma enquanto se movimenta rapidamente, evitando danos do adversário. Ou você pode partir para uma estratégia mais direta, atingindo o chefão com sucessivos golpes de espada e bloqueando-o no momento certo para contra-atacar. Calcular o tempo adequado para desferir um ataque é um elemento chave para vencer qualquer combate no mundo de Furi.

Preocupado em entregar uma experiência diferente para os jogadores do gênero, Furi não se preocupa muito com a história. Na verdade, ela é quase uma poesia, uma metáfora sobre estar preso e tentar se libertar, atravessando vários obstáculos para conquistar a liberdade. O protagonista não possui nome e é guiado pelos diferentes mundos que o separam de seu lar por uma entidade (que parece ter saído de Donnie Darko) para enfrentar os diferentes “carcereiros” e nunca desistir. A história é rasa e simples por um bom motivo: deixar a imaginação do jogador voar durante os monólogos que rolam entre os combates.

A mecânica do game e a história simples não iriam conseguir cativar o jogador se não fosse bela bela trilha sonora do game. Seja enquanto você caminha em direção ao local onde o chefão está ou quando está no calor da batalha, a música é um elemento que acompanha com fidelidade o sentimento do momento. Com ares clássicos misturados a uma batida pop-disco, os temas musicais encaixam como uma luva neste mundo de ficção científica que brilha aos olhos com uma bela e simples arte ao estilo cel-shadding.

Não desista, lute!

Furi é um game único na sua proposta de jogabilidade. Podendo ser finalizado em algumas horas para os jogadores que se acostumarem rápido ao ritmo do título, ele não possui um fator de rejogabilidade alto. Depois de passar horas enfrentando um chefão mais complicado, o jogador dificilmente vai querer repetir a experiência, pois não existe nenhum tipo de recompensa especial além da própria satisfação de ter derrotado um chefão em uma dificuldade maior. O game é altamente recomendado para aqueles que querem um título bonito, com um ritmo constante e com uma jogabilidade simples como nos games antigos. Além disso, usuários da PS Plus podem aproveitá-lo sem pagar nada, pois ele é um dos games gratuitos de julho.

Prós

  • Ideia inovadora;
  • Belo visual e trilha sonora;
  • Mecânica simples e intuitiva.

Contras

  • Trama simples;
  • Baixo fator de rejogabilidade.
Furi — PC/PS4 — Nota: 8.5
Versão utilizada para análise: PS4

Revisão: Vitor Tibério
Luís Antônio Costa é graudado em Ciência da Computação pela UFRGS. Apaixonado por games desde que ganhou seu primeiro Master System e conheceu Sonic, também é amante da ciência e um devorador de livros. Além do GameBlast, também faz alguns textos para o Medium e pode ser encontrado no Facebook e Twitter.

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