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Análise: Adventures of Mana (PSVita/iOS/Android) é um remake digno de heróis

Remake do primeiro jogo da série Mana faz um ótimo trabalho em trazer de volta a origem da franquia.

No final de junho, a Square Enix lançou aqui no ocidente a versão de PlayStation Vita do remake de Adventures of Mana, que estreou originalmente em fevereiro no Japão e, já adaptado para o inglês, para iOS e Android no mundo todo. Felizmente, a desenvolvedora japonesa resolveu trazer o título para cá, para alegria de todos os usuários do portátil da Sony. Melhor ainda é saber que o jogo faz por merecer essa felicidade. Mas vamos falar disso nos próximos parágrafos.

A Origem de Mana

 Vamos começar falando sobre as origens de Adventures of Mana. O jogo original foi lançado em 1991, com o nome de Seiken Densetsu: Final Fantasy Gaiden no Japão, para Game Boy. Apesar de nascer como um spin off de Final Fantasy, foi o título que deu origem a série de games “of Mana” (Secret of Mana, Legend of Mana, etc). Ao ser levado para o mercado ocidental, o jogo recebeu o nome de Final Fantasy Adventure.

Confusões de nome a parte, voltemos para o tópico principal. A série “of Mana” tem como característica suas narrativas que giram em torno da Árvore de Mana, entidade que geralmente está relacionada à vida e à criação e com algum vilão querendo usar os poderes da Árvore para algum objetivo nefasto. Esse é, também, o resumo da trama de Adventures of Mana. Como o herói Sumo, seu objetivo é impedir que o Dark Lord chegue até a Árvore e a destrua. Apesar de uma trama “básica”, o jogo cativa por essa simplicidade. Não é nenhum clássico narrativo, mas é o suficiente para se importar com os personagens e querer saber como serão o desenrolar dos fatos.

Aliado a isso, outro ponto que ajuda muito AoM é que ele é muito gostoso de se jogar. Seu estilo é bem parecido com The Legend of Zelda: A Link to the Past: visão superior, inimigos andando pela tela e armas/itens usados para resolver puzzles de cenário. Até porque na época, a intenção da Square Enix (então Squaresoft), era fazer o seu próprio Zelda, o que de forma alguma é um ponto negativo. Porém, embora tenham algumas mecânicas similares, AoM tem personalidade própria.

Ao longo da aventura, NPCs irão te seguir por alguns trechos como ajudantes.
Algo que o diferencia da série da Nintendo é que Adventures é mais voltado à ação. Ao longo do jogo,você pega diversas armas como machados, espadas, lanças, maças, etc. E elas realmente agem de forma diferente: a maça (uma espécie de porrete com uma bola pendurada na ponta) tem um dano maior, mas seu ataque é mais lento, por exemplo. Além disso, existe uma barra de especial que possibilita um golpe mais forte.

Por fim, o jogo traz o sistema de nível, onde a cada level ganho é possível atribuir pontos ao seu status. Contudo, ao invés de escolher um atributo específico, você escolhe um tipo de build para distribuir os pontos: Warrior dá mais ataque, Monk aumenta defesa e HP, Mage aumenta magia e Sage incrementa sua barra de limit break.

Talvez, minha única crítica seja pelo nível de dificuldade, que é bem fácil. Exceto por pouquíssimas situações, enfrentar inimigos nunca foi um grande problema. Tive mais dificuldades com alguns puzzles de cenário do que com chefes, por exemplo. Mas como mencionei acima, Adventures é tão bacana de jogar que isso não me incomodou tanto. 

Olha o bixo vindo!!

Os bons ares da modernidade 

Não cheguei a testar Adventures of Mana para smartphones, mas a versão do Vita é muito agradável no que diz respeito à parte técnica. Graficamente, o jogo não usa todo o potencial do console, mas o visual é muito bonito, assim como as artes. Pela proposta do game, foi atingido um ótimo resultado.

Os controles são simples, mas senti falta de poder remapea-los. Digo isso, pois o menu de sistema fica estranho (Salvar, Mapa, Configurações) no Triângulo ao invés do Start, que não possui função alguma. Com o tempo você se acostuma, mas ainda assim poderia haver essa opção.

Você usa ar armas não somente para atacar, mas para avançar pelos cenários
Por outro lado, a interface com o touchscreeen foi totalmente mantido, sendo possível jogar só pela tela de toque. Por mais que movimentar o personagem seja bem melhor pelo analógico, a navegação pelos menus de itens e equipamentos é bem mais prática assim.

O último grande destaque fica por conta da trilha sonora desse remake, que é magnifica. Totalmente orquestrada, os arranjos são fantásticos. Não consigo me lembrar de nenhum mapa onde eu não tenha parado alguns momentos para ouvir a música do lugar. Somado a isso, o jogo ainda oferece a opção de alternar a qualquer momento entre a trilha nova e a original do Game Boy. É interessante fazer a comparação.

Uma aventura que vale a pena 

Adventures of Mana é um ótimo remake que aparece nas comemorações de 25 anos da série. Ter sua versão ocidental na biblioteca de jogos do PlayStation Vita é uma grande adição. Não é um RPG muito rebuscado, mas por isso mesmo funciona muito bem para o portátil da Sony.

Com bons gráficos, mecânicas simples e uma ótima trilha sonora, podemos dizer que o trabalho da Square Enix de trazer de volta esse clássico foi muito bem executado. É um jogo divertido e que funciona muito bem, mesmo após duas décadas de seu lançamento original.

Por último, uma dica: se em algum momento se sentir perdido, fale com os NPCs. As respostas do que se precisa estão todas neles, basta juntar as peças. Palavras de alguém que demorou um pouco para perceber isso. 

Prós

  • Jogabilidade simples e eficaz;
  • Navegação dos menus pela tela de toque é prática;
  • Gráficos bonitos e coloridos;
  • Trilha Sonora. 

Contras

  • Nível de dificuldade baixo;
  • Falta da opção para remapear os controles.
Adventures of Mana — Ps Vita/iOS/Android — Nota: 9,0

Versão usada para análise: PlayStation Vita

Revisão: Ana Krishna Peixoto

Flávio Augusto Priori é formado em design de jogos e tenta ganhar a vida com esse negócio chamado video game. Para ele Metal Gear é a melhor série já feita e ainda acredita na volta da SEGA. Escrevia para o saudoso Minha Tia Joga LoL e hoje pode ser achado no Facebook e no Twitter.

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