Jogamos

Análise: Senran Kagura Shinovi Versus (PC/PS Vita), quando o hack n’ slash encontra o visual novel

A série da Tamsoft vai muito além das polêmicas e preconceitos que a cercam.


Depois de escrever um preview sobre Senran Kagura 2: Deep Crimson (3DS) para a revista Nintendo World, fiquei muito interessado em saber mais sobre a série e as polêmicas que, entre outras coisas, envolviam possíveis cenas de nudez. Recentemente, Senran Kagura Shinovi Versus (PC/PS Vita), até então exclusivo do PS Vita (sim, existem exclusivos para o portátil), deu as caras no Steam, o que me instigou a adquiri-lo.


Para quem não conhece, Senran Kagura é uma franquia composta principalmente por um conjunto de jogos de luta e hack n’ slash desenvolvidos pela Tamsoft e distribuídos pela Marvelous. Há também outros estilos de games, como Senran Kagura: Bon Appétit! (PS Vita), que é um “cooking game”, além de mangás e um anime.

O Bom e o Mal shinobi são dois lados da mesma moeda

A história de Shinovi Versus é consequência imediata dos eventos ocorridos em Senran Kagura Burst (3DS). O jogo revisita a indômita rivalidade entre as garotas da academia Hanzo e seus inimigos jurados, entre eles a obscura da academia Hejibo e a equipe Homura Crimson. Além de seus antigos adversários, as garotas Hanzou também enfrentarão as estudantes da academia Gessen, que procuram puni-las pelas suas imperfeições como guerreiras shinobi.

Enquanto isso, a academia Hejibo se opõe às três facções competidoras e não irão parar até ser o último grupo shinobi remanescente, mesmo que isso signifique deixar um rastro de morte e sonhos despedaçados.

Se você não jogou o título anterior, pode ficar despreocupado, pois todos os pré-requisitos, como o preceito de cada uma das escolas e suas respectivas estudantes, são detalhadamente abordados.

O modo como a história é apresentada é bastante distinta, lembrando muito jogos do gênero visual novel, pois durante esta parte do game são exibidas imagens estáticas e há muitas linhas de descrição e diálogo, como um romance propriamente dito.

O mais interessante, entretanto, é o fato de você jogar não apenas com as estudantes da Hanzo, as protagonistas, mas com as alunas de três das academias ninja, incluindo uma das escolas inimigas, dando a oportunidade de viver a mesma história sobre três pontos de vista distintos, tornando o enredo mais complexo e sem espaço para furos.

Uma tênue, mas presente linha

Acho que uma das coisas mais importantes a ser esclarecida é que, ao contrário dos boatos e do que as imagens da capa do jogo parecem insinuar, não há qualquer imagem de nudez propriamente dita, mas sim uma sensualidade devidamente censurada com tarjas coloridas, aproximando o game dos animes do gênero ecchi.

Shinovi Versus, na verdade, apela para vários públicos que vão desde os apreciadores de fan service até os fãs de jogos de luta e visual novels. É claro que aquele tenta agradar a todos, dificilmente é integralmente bem-sucedido em seus empreendimentos e Senran Kagura não é exceção.

Fan service  

Fan service, de modo um pouco vago, são elementos utilizados em mídias visuais, particularmente por fãs de mangá, anime e jogos japoneses, e envolvem coisas que não necessariamente têm relação com a história principal, mas servem para divertir, entreter ou atrair o público. Muitas vezes incluem situações de conotação sensual (ecchi).

Garotas, combos e um imenso guarda-roupa

Um dos principais problemas deste título da série é que, diferentemente do Burst e do que se espera de jogos tradicionais do gênero hack n’ slash, não existem fases propriamente ditas, mas sim pequenos cenários que o aproxima um pouco dos jogos de luta.

Diferentemente dos jogos deste gênero, os combos e golpes especiais são simples de serem executados, requerendo não mais do que memorizar dois ou três botões. Além disso, há um bom intervalo entre um golpe e outro, permitindo até mesmo os que não têm muito contato com o gênero hack n’ slash façam combos longos, quase infinitos, o que pode resultar em uma luta literalmente perfeita dependendo apenas da habilidade do jogador, fato que também instiga os fãs do estilo.

Infelizmente, simplicidade não é necessariamente sinônimo de qualidade. A falta de complexidade e variação no momento de desencadear os golpes deixa o jogo bastante repetitivo. Aliado a isso, o modo de realizar os combos não varia muito de personagem para personagem, o que agrava ainda mais a situação.

Outro ponto que favorece muito o jogo, além de distingui-lo dos demais do gênero, é a diversidade de personagens e customização para os mesmos. Há mais de 20 personagens jogáveis e centenas de vestimentas que variam de vestidos a acessórios, como chapéus, sapatos e outros itens típicos de cosplay. Isso torna cada um dos seus personagens esteticamente únicos e distintos dos demais jogadores.

Em contraposição, possui uma das mais longas e detalhadas histórias para um jogo de luta. Em Shinovi Versus são apresentados os pontos de vista das três escolas, além do passado e a motivação de cada um dos personagens que a compõe.

Apesar de ter chegado tardiamente ao PC, SK: SV possui alguns aprimoramentos com relação a sua versão para PS Vita, como o fato dele rodar a 60 fps, o que deixa as partidas ainda mais rápidas e eletrizantes, e a capacidade de rodá-lo em alta definição, deixando o jogo graficamente mais agradável. Aliado a isto, o game não possui vídeos e cenas pré-renderizadas, o que deixa o jogo mais leve, fluido e ocupa menos espaço no HD (pouco mais de dois Gigas).
A trilha sonora também é um dos grandes destaques, sendo composta majoritariamente por músicas do estilo J-Pop e J-Rock, o que além de ser uma combinação perfeita com o estilo anime do jogo deixa a jogatina ainda mais eletrizante.

Sedução, a grande técnica Kunoichi

Se você ainda não está convencido de que o modo como as personagens são visualmente apresentadas no jogo não é assim tão exagerado ou mesmo desnecessário, eis uma breve explicação de cunho histórico sobre o assunto.

Popularmente as kunoichis, ninjas do sexo feminino, são relacionadas com a arte da sedução, mas é preciso atentar que isto era apenas um dos subterfúgios que poderiam ser lançados para que ela alcançasse sua missão, principalmente quando envolvia coleta de informações.

Se a Kunoichi fosse restringida apenas ao uso da sensualidade, não teria sentido existir mulheres especializadas e treinadas por anos a fio em tantas habilidades quanto as técnicas Ninja sugerem. Em outras palavras, sedução faz parte do treinamento ninja, o que justifica, em certa medida, as roupas usadas pelas protagonistas, mas acima de tudo elas sabem lutar.

Muito além de um simples ecchi

Senran Kagura Shinovi Versus, portanto, não é um hentai, mas sim um ecchi com tons de comédia. De qualquer maneira, ele não se limita a sua aparência, tendo como um dos seus principais focos contar a história de mulheres fortes que lutam para superar seus dramas pessoais e se graduarem ninjas. O único pecado do jogo é ter mecânicas repetitivas e fases muito limitadas. O game, no entanto, salva-se pela consistência de sua história, que aborda inclusive a perspectiva das escolas rivais, e pela diversidade de personagens e opções de customização.

Prós

  • História consistente;
  • Combate fluido;
  • Diversidade de personagens jogáveis;
  • Customizações.    

Contras

  • Mecânicas repetitivas;
  • Fases limitadas.

Senran Kagura Shinovi Versus — PC/PS Vita — Nota 7.0
Versão utilizada para análise: PC
Revisão: Vitor Tibério
Capa: Peterson Barros

Manoel Siqueira Silva é formado em Análise de Sistema e Filosofia pela UFSCar. Aprecia games de todos os gêneros, mas confessa ter uma queda por RPG e jogos de mundo aberto. Está sempre em busca de games de qualidade que foram subestimados ou são desconhecidos. Este ser pode ser encontrado no Twitter e no Facebook.

Comentários

Google+
Facebook


Podcast

Ver mais

No Facebook

Ver mais