Análise: One Piece: Burning Blood (Multi) é um jogo de luta para os fãs

A Bandai Namco traz a famosa obra de Eiichiro Oda diretamente para os videogames da nova geração, com foco nos veteranos do anime.

Publicado pela famosa Bandai Namco, One Piece: Burning Blood foi produzido pela Spike Chunsoft — a mesma de J-Stars Victory VS (PS3/PS4/PS Vita) —, que teve a complicada missão de criar um jogo de luta que mantivesse toda a essência e peculiaridades dos carismáticos personagens da série de Eiichiro Oda, agradando aos fãs, que há tantos anos acompanham One Piece, mas sem perder a dinâmica e equilíbrio próprios dos jogos do gênero.

A Guerra dos Melhores

Ano que vem, o mangá de One Piece completará 20 anos desde sua primeira edição, na famosa revista Weekly Shonen Jump, e já conta com mais de 800 capítulos, sendo uma das mais bem-sucedidas obras voltadas ao público shonen (infanto-juvenil masculino). O anime começou a ser transmitido pouco tempo depois, produzido pela Toei Animation, e já passou de 700 episódios, de altíssima qualidade, com fãs pelo mundo todo. Entretanto, ao jogarmos o modo história de Burning Blood, apenas o arco de Marineford, que começa no episódio 457 do anime, está presente, durante a chamada "Guerra dos Melhores". Essa foi uma escolha problemática, pois desagrada tanto aos jogadores que não acompanham One Piece, que não vão entender praticamente nada do que está acontecendo, quanto aos fãs de longa data, já que se trata de um arco muito curto.

O modo história dura apenas cerca de quatro horas e é contado pela visão dos quatro personagens-chave do evento: Monkey D. Luffy, Edward Newgate (Barba Branca), almirante Sakazuki (Akainu) e Portgas D. Ace. O problema dessa escolha é que muitos momentos se repetem, sem nem ao menos poderem ser pulados, o que nos deixa apenas com metade das cenas de fato. Considerando que a capa do jogo nos remete a um arco mais atual, de Dressrosa, que se passa a partir do 629º episódio do anime, não há como os fãs não ficarem desapontados. Felizmente, as vozes dos personagens são todas feitas pelos seus dubladores oficiais, inclusive o narrador, com legendas em português do Brasil. Além disso, os personagens, com ajuda da Toei Animation, foram bem personificados e apresentam muito bem as suas características do anime.
Com essa imagem de capa, era de se esperar a história se passando em Dressrosa.

No controle dos piratas e marinheiros

Durante o primeiro capítulo, no qual controlamos Luffy, o game aproveita para nos ensinar como jogar. Uma ótima forma de preparar um tutorial, já que estamos no controle do protagonista, em um momento épico do anime. O pessoal da Spike Chunsoft tomou como base o seu trabalho anterior em J-Stars Victory VS e a mecânica está muito parecida. Trata-se do estilo arena de jogos de luta, com combates travados em equipes de 3 personagens, com até 3 outros de suporte — apenas durante a história há 1vs1 —, no qual temos vastos cenários, com movimentação 3D e muitas habilidades especiais disponíveis.

Os controles são bem simples de aprender e não há a necessidade de decorar "meia lua + soco", "carregar para trás por 2 segundos" ou qualquer outro tipo de "mandinga" para desferir um único golpe. Eles estão ali, ao alcance de um botão. A complexidade do jogo se encontra em como utilizar a vasta gama de opções disponíveis, já que é possível esquivar, correr para os lados, para trás, para frente, fugir para um ponto melhor, atacar de uma longa, média ou curta distância, chamar um segundo personagem para auxiliar durante um ataque ou uma defesa, além de cada personagem contar com habilidades únicas e bastante peculiares, que dificilmente seguiriam um padrão de luta.

Por sinal, é um deleite para quem acompanha o anime poder controlar as habilidades de seus personagens favoritos. O jogo as preparou com maestria, deixando-as muito fiéis à série, guardadas as devidas proporções, já que o exagero da animação tornaria inviável a jogatina. Contudo, apesar de elas estarem muito bem feitas, em alguns momentos, podem se tornar caóticas e atrapalhar a visão do jogador, que já é prejudicada pelo ângulo de câmera, por trás do personagem. O cenário em alguns momentos também atrapalha, com objetos aparecendo no campo de visão, bem com os limites invisíveis da arena.
Às vezes, fica meio caótico.
Claramente, o jogo não foi feito para ser equilibrado. A escolha dos desenvolvedores foi ser mais fiel ao anime, então é natural que alguns personagens levem vantagem sobre outros ou simplesmente sejam mais poderosos. Aqueles com habilidades de Logia, por exemplo, podem ficar em um estado elemental, como fogo, lava e gelo, e, nessa forma, não ser atingido por golpes, que literalmente passam por eles — uma boa vantagem no quesito defesa e estratégia, mesmo que o efeito tenha curta duração. Outro problema é a desvantagem natural que alguns personagens têm em relação a outros, como do Ace para Akainu, já que lava vence fogo (lógica do anime), ou do Luffy "de 2 anos atrás" contra o Luffy atual, que já aprendeu a usar o Haki, outra habilidade especial, que permite, inclusive, acertar personagens com habilidade de Logia. Então, não veremos Burning Blood em eventos de luta, como a EVO, e não adianta reclamar que não há balanceamento, porque a escolha foi claramente outra.

Sozinho ou online: seja o Rei dos Piratas

Burning Blood ainda traz o tradicional modo versus, para jogar sozinho contra o jogo, ou contra um amigo, e um ótimo modo online, bem estável e com opções para participar de partidas amistosas ou ranqueadas. Vale dizer, esse é aquele momento em que você, que se achava o "Rei dos Piratas", vai lembrar que ainda é apenas um marujo, com muito a aprender. A verdade é que o modo história tem pouco desafio, permitindo o famigerado esmagamento de botões, o que não resolve muito se você lutar contra um jogador que sabe utilizar bem a esquiva, primordial para vencer qualquer partida bem disputada no game.

One Piece encontrou em Burning Blood um ótimo jogo de luta exclusivamente para os fãs do anime. Ele é fácil de aprender e não tão difícil de dominar, mas não tem um balanceamento voltado para competições e segue a lógica de poderes do anime. O seu modo história coloca o jogador diretamente no ponto mais crucial da obra de Eiichiro Oda, na Saga de Marineford, o que deixa qualquer novato perdido, ao mesmo tempo que decepciona os veteranos, que gostariam de ver mais arcos sendo retratados no jogo.

Prós

  • Vozes dos dubladores oficiais;
  • Legendas em português do Brasil;
  • Vários personagens e bem retratados;
  • Fácil de controlar;
  • Modo online estável.

Contras

  • Desbalanceado;
  • Modo história curto.
One Piece: Burning Blood — PS4/XBO/PC/PS Vita — Nota: 8.0

Versão utilizada na análise: PS4
Revisão: Jaime Ninice
Alberto Canen é formado em Direito pela UFRN. Joga videogame desde os tempos do Atari e sempre acompanha as novidades na indústria de jogos. Está no Facebook e no Twitter.

Comentários

Google+
Facebook


Podcast

Ver mais

No Facebook

Ver mais