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Análise: Com Human Resource Machine (PC/iOS) você aprende a programar

Com a proposta de ensinar a qualquer pessoa a lógica de programação, o game serve muito bem como um exercício diário.

Se você gosta de jogos eletrônicos, ou apenas de equipamentos eletrônicos em geral, provavelmente já deve ter imaginado como seria legal poder criar aplicações virtuais das mais diversas maneiras, ou no mínimo já deve ter se impressionado com algum aplicativo do seu celular. Como a arte da programação parece ser apenas para pessoas especiais, o pessoal da Tomorrow Corporation (criadores dos sucessos World of Goo e Little Inferno) resolveram criar um jogo bem criativo e que tem a intenção de mostrar que a lógica por trás da programação é algo para todos. Felizmente, funciona.


Conceitos simples

Human Resource Machine, resultado do trabalho da Tomorrow, tem como ponto alto sua simplicidade, tanto em história quanto em conceitos e jogabilidade. Você começa como um recém-empregado em uma grande empresa, e para progredir na profissão precisará solucionar os diversos puzzles contidos no game, cada um representando um ano na carreira do jovem trabalhador. Há uma historinha de fundo, envolvendo máquinas tomando o controle das coisas, além de detalhes bem engraçados e que enriquecem a imersão do jogador ao jogo, como seu personagem ficar com cada vez menos cabelo a cada ano que passa. Mas isso funciona apenas como um pano de fundo para o que realmente importa, a resolução de quebra-cabeças.

Por falar neles, o jogo sempre fornecerá, em uma esteira de entrada, uma série de "telhas" (cada uma com uma letra ou um número correspondente) que deverão passar por algum processo para serem depositadas na esteira de saída. A mágica acontece neste "processo": cada nível (ou ano da sua carreira virtual) terá seu objetivo, como enviar à esteira de saída apenas números negativos, por exemplo.

Para fazer as tarefas pedidas, o jogador terá que usar os comandos fornecidos pelo game, que não seguem uma linguagem específica, mas sim a lógica de programação que elas usam. Conforme o jogador vai subindo de nível (ou subindo no elevador, como o jogo fala), novos comandos vão surgindo, mas há sempre a preocupação de explicar as funcionalidades de cada um, o que facilita bastante àqueles que nunca programaram antes.

Algo bacana presente na versão para iOS — que engloba qualquer aparelho que suporte pelo menos o iOS 8.0, seja iPhone, iPad ou iPod — é que é possível virar o aparelho no sentido vertical para a câmera focar apenas na parte dos comandos, dando mais espaço para o jogador visualizar melhor e, consequentemente, planejar suas jogadas.

O comando "jump" permite que o programa rode em looping.

Tem que ficar bem feito

Após passar pelos primeiros níveis, que funcionam como uma espécie de tutorial, aparecerão objetivos secundários. Você já deve ter ouvido falar de um jogo ou programa que, apesar de funcionar, consome recursos demais da máquina ou que não roda de forma satisfatória. Pensando nisso, os desenvolvedores de Human Resource Machine colocaram desafios em otimização do programa, que levam em consideração a quantidade de comandos utilizados e quantos processos o personagem principal teve que fazer para concluir a operação.

Quem disse que seria fácil?
Otimizar nosso programa é muitas vezes desafiador, mas ao mesmo tempo há uma forte sensação de recompensa quando conseguimos melhorar aquele trabalho que passamos tanto tempo quebrando a cabeça para realizar.

Tecnicamente competente

Human Resource Machine é um produto criado por uma empresa que tem jogos de sucesso no currículo, mas nem por isso é o jogo com os mais avançados gráficos que você encontrará na App Store ou, principalmente, entre os indies disponíveis na Steam. Contudo, isto está longe de ser ruim. O game possui um visual que funciona muito bem para sua proposta, com um toque leve de bom humor que vai além dos diálogos apresentados.

As pausas para o café trazem muito bom humor e servem para desenvolver a história.
A trilha sonora, apesar de ser alegre, grudar facilmente na cabeça de quem a ouve e casar bem com os puzzles apresentados, é repetitiva, não sendo nenhuma surpresa se o jogador resolver desligá-la após alguns estágios. Mas se você gostar, ela pode ser baixada gratuitamente no site da desenvolvedora.

Para novatos e veteranos

 A proposta principal do game é fazer com que pessoas leigas na programação tenham contato com a área, servindo como uma ótima oportunidade para um primeiro contato com a lógica da criação de conteúdos automatizados virtuais. Além de apresentar 11 comandos no total — que segundo a Tomorrow Corporation são o suficiente para simular quase qualquer algoritmo computacional do mundo —, o game apresenta níveis realmente desafiadores, que merecem ser analisados atenciosamente até por programadores experientes.

Eu sei que sou noob, mas o negócio fica bem difícil mesmo!

Talvez o maior problema do jogo seja o sua dificuldade, que não sobe em uma linha gradual. Você está se divertindo enquanto passa por alguns níveis quando, de repente, chega em um difícil o suficiente para te deixar alguns dias quebrando a cabeça para superar o desafio. Felizmente, para os estágios mais difíceis — e longos —, você pode usar o recurso de cópia de um estágio anterior, podendo levar blocos de algoritmos já feitos anteriormente para facilitar as coisas quando a dificuldade subir.

Outro ponto negativo que vale a pena ser comentado é o consumo de energia. Para jogar Human Resource Machine, é bom que você tenha como carregar seu dispositivo móvel ou não vá precisar do aparelho num curto prazo, já que a bateria pede socorro quando o jogo é executado.

No mais, o game diverte tanto iniciantes como veteranos na programação. Com níveis realmente desafiadores, não é fácil chegar ao topo da carreira nesta empresa.

Prós

  • Ótimo para quem pensa em iniciar no mundo da programação;
  • Veteranos também têm diversão garantida;
  • Usar os comandos é fácil;
  • As explicações dão uma boa ideia de como funcionam as linguagens de programação.

Contras

  • Não rode o game se você for depender da bateria depois da jogatina;
  • Nível de dificuldade cresce rápido demais, sem acompanhar a velocidade de aprendizado do jogador novato.
Human Resource Machine — Windows, Mac, Linux, iOS — Nota: 8.0
Versão utilizada para análise: iOS
Vitor Tibério é amante de jogos eletrônicos desde que bateu os olhos em alguns pixels do NES. Hoje leva a sério as disputas de Mario Kart mas tem um (enorme) espaço no coração reservado à franquia Zelda. Já jogou e rejogou quase todos os games da franquia e mal pode esperar pelo lançamento do Breath of the Wild.

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