Jogamos

Análise: Deadlight: Director's Cut (Multi): uma pintura bela e triste do apocalipse zumbi

O mundo é sombrio e repleto de perigos que se escondem nas sombras.


Eu tive a chance de analisar Deadlight em 2013 e, três anos depois, todas as minhas opiniões a respeito do game permanecem as mesmas em relação à sua versão Director’s Cut, lançanda recentemente para PC, Xbox One e PS4. Mas se nada no jogo mudou, por que relançá-lo? Porque Deadlight é uma obra diferenciada do seu gênero; uma que, definitivamente, não merece ficar restrita apenas ao mundo da Microsoft.

Não sobrou nada

Quando analisei o game pela primeira vez, o ponto que mais me chamou a atenção foi seu visual, ao mesmo tempo simples e ricamente trabalhado, em que o cenário parece uma pintura viva, com movimentos ocorrendo ao fundo e próximo do personagem. Os planos abertos nas cidades são os que mais surpeendem e fazem o jogador pausar sua corrida pela vida por alguns instantes para captar cada detalhe do mundo. Afinal, não é porque se trata de um apocalipse zumbi que não pode ser bonito da sua forma, não é mesmo?


Aliás, Deadlight não é bem sobre um apocalipse zumbi. Sim, de fato estamos no meio de uma crise de fim de mundo, com cidades abandonadas, pessoas lutando para sobreviver e o exército tentando manter o controle a todo custo. Os inimigos que rastejam na escuridão são chamados de “sombras”, humanos com olhos vermelhos de sangue e famintos por carne, mas nunca tratados como zumbis. Passando-se em meados dos anos 80, a aventura acompanha a batalha de Randall Wayne, um típico arquétipo desse gênero: um homem de meia-idade desiludido com o mundo e com um segredo tenebroso em seu passado. Apesar desse personagem encontrar algumas pessoas com as quais consegue estabelecer algum tipo de laço afetivo pelo caminho, Deadlight foca em uma jornada solitária de seu protagonista.

Tal proposta de narrativa é ótima para estabelecer uma relação profunda entre o jogador e o protagonista, e, embora Randall fale poucas vezes, os colecionáveis encontrados pelo caminho conseguem revelar um pouco mais sobre sua vida e o que aconteceu ao mundo. Mas a relação não fica mais complexa que isso. Mesmo que você pare para ler cada página de diário que encontrar, não irá descobrir nenhuma trama emocionante ou mesmo um segredo que já não parecesse muito óbvio. Deadlight poderia ter fugido dos esteriótipos em sua história, mas decide ficar na zona de conforto. Confortável até demais, para dizer a verdade.

Sobreviva como puder

Mas o que faz de Dealight um marco no gênero de survival horror de zumbis? Não é apenas o visual do game que o destaca, como também sua mecânica simples de combate. Manipular armas como machados e espingardas é muito simples e não exigem muita destreza do jogador. O game também insere alguns puzzles para cruzar certos trechos da aventura, mas os tais são tão fáceis que é normal se questionar sobre sua real nescessidade. No fim, Deadlight utiliza seu visual 2.5D para criar quase um game ao estilo plataforma, onde conta mais a velocidade com que você percorre uma estrada e consegue pular e cair nos momentos certos.

A versão Director’s Cut não se preocupou em alterar nenhum aspecto do game original; apenas em entregar uma experiência mais completa ao jogador. Além de um melhoramento na resolução gráfica (com algumas quedas bizarras de framerate durante o gameplay), o game inclui o modo Survival Arena, em que o jogador é posto dentro de um ambiente cheio de recursos para tentar sobreviver a várias hordas de zumbis. Esse modo não leva em conta quantos zumbis você pode matar mas sim como e quanto tempo você consegue durar contra tantas “sombras”. É uma ótima opção para o jogador que procura uma experiência mais desafiadora no game, já que mesmo o “Nightmare Mode”, que aumenta a dificuldade da campanha principal, não representa um verdadeiro obstáculo a um jogador experiente.

Deadlight Director’s Cut não trará grandes novidades ou diferenças para aqueles que tiveram chance de experimentá-lo no PC ou Xbox 360 em 2013. É a melhor pedida para os jogadores que sempre tiveram curiosidade sobre ele e agora podem vivenciar a experiência em uma qualidade gráfica superior em todas as plataformas. Ao terminar a jornada de Randall pela segunda vez em apenas algumas horas, aquele sentimento de decepção voltou; uma sensação de que um game tão diferente no seu gênero poderia ter sido melhor aproveitado, dispensando um final previsível que força o jogador a demonstrar empatia pelos personagens. Algo que, infelizmente, como os zumbis do game, permanece nas “sombras”.


Prós

  • Visual único;
  • Mecânica de combate;
  • Modo Survial Arena.

Contras

  • História fraca e repleta de clichês;
  • Queda de framerate.
Deadlight: Director's Cut - PC/PS4/XBO - Nota: 7.5
Versão analisada: PS4
Revisão: Bruno Alves
Luís Antônio Costa é graudado em Ciência da Computação pela UFRGS. Apaixonado por games desde que ganhou seu primeiro Master System e conheceu Sonic, também é amante da ciência e um devorador de livros. Além do GameBlast, também faz alguns textos para o Medium e pode ser encontrado no Facebook e Twitter.

Comentários

Google+
Facebook


Podcast

Ver mais

No Facebook

Ver mais