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Paragon e a difícil tarefa de se destacar dentro do gênero MOBA

Em um gênero cada vez mais inchado, será que o novo título da Epic Games tem o que é necessário para se destacar?

Os mobas são provavelmente o gênero que mais cresceu nos últimos 10 anos dentro da indústria de jogos. Guiado pelo sucesso de Dota e League of Legends, o gênero, que nascera como um simples mod de RTS, conquistou o globo e impulsionou o gigante crescimento dos esports, trazendo atenção do grande público para algo que até então era um mercado de nicho. Não é de se estranhar, portanto, que muitas empresas aproveitem o embalo para lançar seus próprios títulos, tentando concorrer com os três grandes títulos: Dota, LoL e Smite. Paragon é a tentativa da Epic Games (responsável pela franquia Gears of War) de trazer mais um título para o já inchado mercado. Será que o título tem “bala na agulha” para derrotar seus concorrentes?

Um MOBA na essência

As mecânicas básicas de Paragon são, indiretamente, a mecânica básica de qualquer moba. Cada time é composto por cinco diferentes heróis que deverão, utilizando-se das três rotas que as ligam, destruir a base de seu adversário. No caminho algumas torres (além, é claro, do time adversário) tentarão impedir esse avanço, cabendo ao jogador liderar as tropas de NPC rumo a vitória.

Para superar seus adversários, o jogador dispõe de quatro habilidades (sendo uma delas seu devastador ultimate) que podem ser evoluídas ao adquirir experiência pelo mapa. Além disso, equipamentos (no caso de Paragon representados por cartas, que serão explicadas mais adiante) podem ser comprados utilizando pontos obtidos ao abater heróis inimigos ou ao dar o ataque final em tropas de NPC.

Mas com um pouco de identidade

Indo um pouco além das características comuns a todos os jogos do gênero, Paragon possui algumas peculiaridades. A primeira, e que de certa forma o torna concorrente direto de Smite, é a sua câmera. Ao contrário do que é visto em LoL e Dota, em Paragon você controla o herói com a famosa “câmera por cima do ombro” (exatamente a mesma que temos em, por exemplo, Gears of War). Isso faz com que o jogo seja mais dinâmico e permite que ele possa ser jogado também em controles (caso do PS4, que também receberá o jogo).

Outra característica marcante de Paragon é a forma com que adquirimos itens ao longo da partida. Ao invés de possuir um conjunto de itens que podem ser adquiridos por todos os jogadores (caso dos mobas até então citados), o título aposta em um sistema de cartas e decks para compor essa mecânica. Basicamente o jogador pode construir um baralho ou utilizar algum dos disponíveis ao jogador no Beta, com os itens e modificadores que poderão ser comprados ao longo de cada partida.

Divididos em ativos e passivos, cada jogador pode usar até quatro itens ativos ao mesmo tempo (ou usar esses espaços para itens passivos se lhe for conveniente). Alguns exemplos de itens passivos são poções de vida e mana. Além desses, dois slots estão previstos para itens passivos, responsáveis de fato por trazer melhorias para cada herói (como dano físico extra ou mais vida, por exemplo). Cada item desses possui ainda, dento de si, três espaços reservados para melhorias, como ainda mais dano ou, por exemplo, dano crítico.
Pode parecer complicado no começo, mas no fim é tudo muito simples
Essa mecânica pode parecer um pouco complicada nas primeiras partidas, mais depois de algum tempo o uso das cartas torna-se intuitivo e fluido. Construir os próprios decks também é algo simples após alguma prática, e permite ao jogador uma variedade grande de opções para cada herói (como, no caso de um carry, por exemplo, focar em força de ataque, crítico, velocidade de ataque…)

O que temos até agora

Com o jogo devidamente apresentando, vamos para as primeiras impressões que tivemos ao jogar o beta fechado do título. A primeira coisa que se destaca é o visual do jogo. Tanto o mapa quanto os personagens estão muito bonitos e bem trabalhados. Isso, inclusive, pode ser um empecilho para pessoas que não tenham um computador muito bom (mesmo com a possibilidade de reduzir a qualidade gráfica do jogo).

Embora muitas coisas ainda estejam incompletas (como os monstros da floresta que não possuem nenhuma textura por enquanto), já é possível ter um vislumbre de como as partidas se desenrolarão. E é aí que mora o grande perigo de Paragon. Enquanto eu jogava as partidas contra bots ou oponentes reais, não conseguia deixar de notar as semelhanças com Smite, um título já consolidado e com uma grande user base. Embora Paragon tenha algumas mecânicas próprias, como o já citado sistema de decks, sua jogabilidade cai na “mesmice” do que já temos no gênero, não trazendo uma identidade própria.

Alguns problemas no meta do jogo também são observados, como carries (responsáveis por dar dano no fim de uma partida) muito fortes no começo do jogo (o que de certa forma vai contra sua função de late game), algo que torna jogar contra eles extremamente frustrante, já que é muito complicado de peitá-los em qualquer momento da partida. Além disso temos personagens que são claramente mais fracos que outros (algo constatado nos fóruns do jogo e que já virou objeto de atenção da Epic Games).

Só mais um?

Paragon não é um jogo ruim. Na verdade, dentro da enxurrada de mobas que tivemos na indústria nos últimos anos, ele se destaca pela qualidade do jogo em geral (algo que já era esperado vindo da Epic Games). Com uma jogabilidade não muito original (mas que funciona muito bem), heróis interessantes e habilidades bem feitas, Paragon pode vir a ser um dos grandes mobas da indústria.

Sua falta de características próprias, entretanto, pode atrapalhar a inserção desse em um mercado que já está consolidado e que parece ter certa resistência a novos títulos. Paragon vale a tentativa (lembrando que o jogo ainda está em beta fechado, mas pode ser aberto caso você compre o founder pack do título) por, no geral, se tratar de um título bem feito e com grande potencial de crescimento à medida que o desenvolvimento avança. Não espere, entretanto, nada de muito inovador.


Revisão: Luigi Santana
Capa: Peterson Barros
João Pedro Meireles é graduando em Engenharia de Computação na UFRGS. Viciado em jogos, em especial Mobas e RTS, passou boa parte da vida jogando-os e pesquisando sobre aqueles que não teve tempo de jogar, o que o levou a virar redator do GameBlast.

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