Crônica

Como um RTS open-source ressuscitou o espírito das LAN houses

Jogos online tomaram conta do multiplayer, mas será que ainda há espaço para partidas presenciais?



Quando eu era mais novo, adorava passar algumas horas numa LAN house para jogar com meus amiguinhos.

… Ah, você nunca ouviu falar de LAN houses? Pois bem, até a popularização da internet banda larga no Brasil, não era exatamente viável jogar partidas multiplayer com seus amiguinhos do conforto de casa. A latência era enorme, nossos PCs não eram lá muito bons e também não tínhamos os conhecimentos necessários para estabelecer conexões e encontrar IPs e tudo mais (jogar online era um velho oeste antes do Steam).

Então nossa solução era ir a LAN houses, lojas que disponibilizavam PCs poderosos com uma boa conexão à internet e, como o nome indica, uma local area connection (conexão de área local), que permitia partidas presenciais com baixa latência. Enquanto Counter-Strike sempre foi e sempre será o queridinho das LAN houses, meu jogo de preferência sempre foi Age of Mythology. O ritmo mais lento e as sensações épicas proporcionadas pelo RTS eram sem comparação.

Desde então, eu joguei alguns RTSs sozinho (Star Wars: Empire At War me acompanhou durante todo o ensino médio) porque não tinha amigos interessados no gênero com quem jogar. Não vou fingir ser um mestre no gênero, porque mal passo de um novato (nunca joguei StarCraft, veja só), mas sempre tive vontade de ter mais experiências com o estilo.

O relançamento de Age of Empires II no Steam me permitiu satisfazer um pouco dessas vontades. Acabei jogando o clássico com alguns amigos de Curitiba, com meus colegas Yuri e Arthur do BlastCast e até com amigos meus que moram na Inglaterra e na Noruega. Todas essas partidas foram online, usando apenas o Skype para proporcionar a comunicação em tempo real. Foi divertido, mas, no fim das contas, não tem como comparar um jogo online com a experiência de jogar presencialmente com os amigos.

Surge a MORTS

Durante o ano de 2015, participei de um curso de extensão, chamado BEPiD, na PUCPR, no qual fiz vários bons amigos, tanto com colegas quanto com professores. Talvez nostálgico de seus tempos de jogatina de tempos passados, o professor Breno "MaDDoX" Azevedo resolveu fundar a MORTS (Milícia Organizada de RTS), convocando alunos do BEPiD para formarem equipes e duelarem no Balanced Annihalation. Um dos alunos, Lohann, já tinha experiência com o jogo, então geralmente ele e o Breno acabam sendo os líderes dos times.



Sem entender nada do que eu estava fazendo, minha primeira partida de BA foi uma comédia. Sendo orientado diretamente pelo Breno, levou alguns minutos para ter qualquer ideia do que as unidades básicas eram capazes de fazer e, sem dúvida alguma, não consegui compreender o sistema de recursos do jogo. Clicando quase aleatoriamente nos ícones de edifícios, consegui construir um exército patético de robôs que foi rapidamente aniquilado pelos nossos oponentes.

Tive que desistir do jogo antes de terminar, transferindo os meus recursos e propriedades restantes para o Breno poder usufruir. Mas ninguém esperava que, na minha aleatoriedade, comecei a construir um robô gigante (o apelidei de Megazord). O professor conseguiu proteger o tal robô até sua construção terminar e, no final das contas, vencer o jogo. Eu ainda não tinha entendido nada do que havia feito, mas já comecei a achar legal.



Ainda apanhei bastante nas próximas partidas, mas foi justamente contra o Breno que consegui minha primeira vitória. Trabalhando em parceria próxima com outro colega, o Rafael, nós conseguimos criar uma estratégia válida (ele segurava a frente enquanto eu desenvolvia unidades avançadas mais poderosas) e obter uma posição de vantagem na partida. Pouco tempo depois, recebi o título de "melhor noob"… Sei lá se é merecido ou não.

Hoje, as reuniões semanais da MORTS, no laboratório do BEPiD mesmo, são como rituais para nós. É nossa oportunidade de nos divertirmos com amigos enquanto aperfeiçoamos nossas habilidades num jogo que quase ninguém conhece. Histórias dos momentos mais incríveis das batalhas ecoam através do tempo. Finalmente, após mais de 10 anos, consegui reviver os tempos de LAN house.

Revisão: Luigi Santana

Renan Greca Quando não está ocupado sendo diretor, redator, newsposter, podcaster e RP do GameBlast, Renan Greca gosta de jogar videogames. Às vezes, lembra de focar em seu mestrado também.

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