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Análise: Stories: The Path of Destinies (PC/PS4) – Faça suas escolhas e mude seu destino

O novo jogo da Spearhead é uma aula sobre as verdadeiras tomadas de decisão.


Você alguma vez já jogou algo e se sentiu enganado pela falsa promessa de uma narrativa com escolhas impactantes, onde uma simples decisão mudaria radicalmente todo o rumo da história? Se este tipo de coisa te deixa frustrado, com certeza, você deve ficar bem longe dos títulos da Telltale e do recente Quantum Break (Multi).


Stories: The Path of Destinies (PC/PS4), novo game desenvolvido pela Spearhead, faz as mesmas promessas, mas não decepciona. Este é um jogo que você pode abraçar sem medo, pois ele não só cumpre com sua palavra como vai além.
Ele mistura os gêneros hack n’ slash, plataforma e puzzle, além de possuir uma visão isométrica em terceira pessoa. Em outras palavras, é um jogo visualmente comum no mercado indie atual.

O game é ambientado em um mundo fictício habitado por criaturas antropomórficas, o que o permite se passar facilmente por uma das animações da Pixar, com exceção de seu peculiar narrador, que possui um humor acinzentado.
Na história, você é Reynardo, um trapaceiro nada tradicional que se vê no meio de uma guerra entre a Rebelião e o Império. No meio de toda esta confusão, a missão dele era proteger um garoto que portava um misterioso livro. Infelizmente, o jovem rapaz acabou sendo pego por soldados imperiais e não resistiu.


Agora, o trapaceiro não sabe exatamente o que ele tem que fazer, mas, querendo ou não, ele possui um destino a cumprir. O futuro dele depende de você e de cada uma de suas decisões. Você pode desde resgatar seus amigos e pedir-lhes auxílio até partir em busca de poderosos artefatos perdidos. O problema é que cada escolha realizada fecha a porta para todas as demais possibilidades. E, às vezes, recuperar uma arma que foi perdida no início dos tempos significa sacrificar a vida de um velho amigo. Afinal de contas, não se pode ter tudo na vida!

A primeira impressão não é a que fica

Qual é o mínimo que se espera de um game? Bem, que você o instale ou faça o download e imediatamente comece a jogar. Pena que nem todos os jogos são assim e, infelizmente, Stories está entre eles.

Primeiramente, ele não aceita determinados joysticks. Até aí tudo bem, a maioria dos jogos são assim. O problema, no entanto, é que ele não é compatível com um dos modelos mais populares atualmente: o controle de Xbox One. Convenhamos, jogar um hack n’ slash no teclado é muito desconfortável.
Os problemas de hardware não param por aí. Antes de você de fato começar a jogatina, o game tenta detectar automaticamente os dispositivos do seu PC. Se isso acontecesse somente uma vez, tudo bem. Mas não é o que ocorre, isso acontece todas as vezes em que você incia o jogo, sem exceção. Aliado a isso, ele também possui um carregamento um pouco lento, quebrando o ritmo das partidas e causando uma certa ansiedade, só que negativa.


Uma vez que a jogatina finalmente começa, nos deparamos com novos inconvenientes. Sim, Stories possui ainda outros problemas, dessa vez relacionados às mecânicas.

Para começar, não é possível mover a câmera do jogo. Dessa maneira, o foco é travado sobre o protagonista, o que atrapalha durante os combates, pois faz com que às vezes você não enxergue o personagem, que fica perdido atrás de algum objeto do cenário.

A situação piora ainda mais quando você percebe que Reynardo se movimenta de uma maneira nada fluída, como se estivesse submerso ou como se estivesse sendo arrastado para trás. Isso é péssimo, principalmente em um hack n’ slash, no qual se espera movimentos livres, leves e soltos.

Uma história, dezenas de possibilidades

A essa altura você deve estar se perguntando: “Com tantos problemas assim, qual a razão para eu jogar Stories?”. Apesar do visual comum e alguns pequenos problemas de mecânica, é o narrador, o modo como a história é contada e o seu desenrolar que fazem deste jogo algo especial, destacando-se dos demais jogos do gênero.

O narrador não possui exatamente um humor negro, não é gratuitamente sarcástico, nem faz piadas cruéis ou coisas do tipo. Ele é pragmático, ao mesmo tempo em que não nos poupa de algumas piadas sobre o cenário. Mas, no fim das contas, ele se importa com Reynardo.

Ao concluir cada uma das fases, você poderá escolher uma dentre três opções, cada uma corresponde a um objetivo e fase distintos. É importante frisar que sua escolha não muda apenas a jornada do protagonista como também o final do jogo. Você demorará não mais do que duas horas para alcançar cada um deles. Isso, a princípio, não agradará muito jogadores, pois nos dá uma sensação de brevidade, além de tornar Stories um péssimo custo-benefício. Entretanto, não se desespere. O game possui mais de 20 finais, sendo este um dos seus grandes atrativos e faz com que ele tenha um excelente fator replay.
Aliado a isso, há muitos itens escondidos em cada um dos estágios. A maioria deles está protegida por enormes portões, que só podem ser abertos se você possuir um determinado tipo de espada. O problema é que maioria dessas lâminas você só consegue obter após conquistar pelo menos um final. Esse é mais um fator que encoraja a exploração e um futuro retorno a estes estágios por parte do jogador.

O eterno retorno

Cada vez que você conclui o jogo, você pode acessar o livro que Reynardo carrega. É ele que permite ao protagonista voltar ao início do jogo, independente de como se desenrolou a história.
Uma vez que percebemos isso, não há como negar a forte inspiração do game no filme Groundhog Day (Feitiço do Tempo), com Bill Murray, que foi uma das primeiras obras a usar este recurso de roteiro, no qual o protagonista revive incessantemente o mesmo dia e as mesmas situações enquanto não resolver os seus conflitos.

Mais uma vez, a escolha é sua 

Apesar de uma péssima primeira impressão devido aos problemas relacionados a hardware e a algumas mecânicas, Stories é um dos poucos jogos cujas tomadas de decisão realmente influenciam no desenrolar da história. Além disso, ele possui um narrador muito presente que narra os acontecimentos de uma forma peculiar. Logo, recomendo o jogo a todos aqueles que apreciam estes recursos narrativos que poucos jogos conseguem utilizar com tamanha maestria.

Prós:

  • Narrador de humor acinzentado;
  • Tomadas de decisão reais;
  • Mais de 20 finais distintos;
  • Itens escondidos reforçam a rejogabilidade.

Contras:

  • Problemas relacionados à detecção de Hardware;
  • Câmera travada;
  • Movimentação nada fluída.
Stories: The Path of Destinies — PC/PS4 — Nota: 8.0
Versão Utilizada: PC
Revisão:Érika Honda
Capa: Peterson Barros
Manoel Siqueira Silva é formado em Análise de Sistema e Filosofia pela UFSCar. Aprecia games de todos os gêneros, mas confessa ter uma queda por RPG e jogos de mundo aberto. Está sempre em busca de games de qualidade que foram subestimados ou são desconhecidos. Este ser pode ser encontrado no Twitter e no Facebook.

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