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Análise: LOUD on Planet X (Multi) acerta no som, mas peca no ritmo

Unindo dois gêneros distintos e boa música, jogo teve mais erros do que acertos.


Em janeiro de 2014, a empresa canadense Pop Sandbox iniciava o desenvolvimento de um jogo que se destacava pela ideia de unir dois gêneros totalmente distintos, o musical e o de tower defense. O objetivo era criar algo que fosse diferente daquilo que já estávamos cansados de ver (e de jogar), mas sem deixar de lado as influências de títulos que fizeram esses gêneros tão populares. Foi assim que nasceu LOUD on Planet X (Multi). Após uma campanha bem sucedida no Kickstarter, o game foi lançado justamente em um período no qual os jogos rítmicos estão voltando com força total. Mas será que ótimas ideias e uma boa seleção musical são elementos suficientes para fazer um jogo brilhar?

Qualquer semelhança não é mera coincidência

Sem maiores explicações, você, na pele de uma das 12 bandas presentes no game, é capturado por alienígenas e precisa usar o poder da música para derrotar os monstros de outro planeta. Apesar de simples, essa trama já é justificativa suficiente para que você saia apertando botões enquanto tenta impedir que inimigos acabem com a sua raça, literalmente.



É justamente nesse ponto que se iniciam as semelhanças com outros títulos do gênero. As fases apresentam quatro pistas horizontais, cada uma representada por um botão no DualShock 4. Os monstros, que surgem no canto esquerdo da tela, atravessam as pistas e tentam chegar até o palco onde está a sua banda, à direita. Para derrotá-los, você precisa pressionar, no ritmo da música, o botão correspondente à pista em que o alienígena estiver passando, fazendo assim com que as caixas de som da sua banda lancem raios que os destroem.

É claro que aqui não poderiam faltar também os poderes especiais, tão comuns em games de tower defense. Você tem à disposição desde alto-falantes que servem como barreira até luzes que deixam os inimigos atordoados por um curto período de tempo. Existe também uma barra LOUD, que destrói todos os alienígenas que estiverem na tela.

Bandas intergaláticas

Apesar de ser classificado pela própria Pop Sandbox como "uma versão indie de Guitar Hero (PS2) e Rock Band (Multi) misturada com Plants vs Zombies (Multi)", LOUD on Planet X consegue se diferenciar bastante desses títulos em sua proposta, visual e mecânicas. Infelizmente, é justamente em alguns desses pontos em que o jogo peca quando deveria acertar.

Embora você precise pressionar botões no ritmo da música que estiver tocando ao fundo, você não faz o papel de condutor da melodia, como acontece em outros games musicais. Errar comandos, por exemplo, não faz com que o som seja prejudicado. O maior foco aqui, e o que vai definir a ordem com que os botões devem ser pressionados, são os alienígenas. E é aí que os elementos de tower defense entram em cena. Vou dar um exemplo que parece até o enunciado de um problema de física, mas não é: três monstros percorrem pistas diferentes ao mesmo tempo, cada um com uma velocidade diferente. Qual deles devo derrotar primeiro?  Essa mecânica incentiva o jogador a usar o raciocínio e a estratégia para escolher como deve conduzir as partidas, sem simplesmente ser obrigado a seguir uma ordem específica de botões imposta pelo jogo.

Algo que também influencia na hora de bolar estratégias é a grande variedade de alienígenas presentes no game e suas características próprias. Alguns deles, por exemplo, possuem escudos que anulam os ataques do jogador; outros se multiplicam quando são destruídos, e assim por diante. 

Além disso, o número de olhos de cada inimigo indica o número de vezes que você tem que acertá-lo para derrotá-lo. Por isso, é preciso pensar se é mais vantajoso derrotar primeiro um monstro mais veloz e menos trabalhoso de ser eliminado, ou um que apresente maiores dificuldades, mas seja mais lento. Essa ideia de relacionar o visual do título com a jogabilidade foi muito bem executada e garante ainda mais charme ao jogo.

Fora do compasso

Teoricamente, a ideia de apertar botões apenas seguindo o ritmo da música, sem nenhuma indicação na tela, fortaleceria a relação entre a música e as mecânicas do game e garantiria maior imersão ao jogador. Na prática, porém, o que acontece é justamente o oposto. Esqueça aquela sensação de estar realmente tocando e influenciando o som que você escuta; LOUD on Planet X fará você sentir apenas como se estivesse pressionando botões exaustivamente enquanto escuta uma melodia no fundo, e só. Não é possível criar uma conexão musical como aquelas já vistas em um Guitar Hero, por exemplo.

Isso acontece por conta de algumas falhas bastante perceptíveis no decorrer do game. A primeira delas é a relação entre as mecânicas do jogo e a seleção musical. Não que tenha algo de errado com o som em si, muito pelo contrário; bandas como Tegan and Sara, Purity Ring, July Talk e Cadence Weapon (para citar algumas) são ótimas, e suas músicas são empolgantes a ponto de despertarem o interesse mesmo daqueles que não conhecem absolutamente nada do cenário musical indie. O problema aqui é que o título falha em criar um vínculo entre as músicas e a jogabilidade.



Muitas vezes acontece de você seguir o ritmo da melodia e, mesmo assim, os comandos falharem como se você tivesse cometido um erro. Acontece também de uma música mudar completamente de ritmo por um curto período de tempo, deixando o jogador totalmente perdido e afetando a imersão. Isso amplia ainda mais aquela sensação de estar apenas ouvindo a música no fundo, e não fazer parte dela realmente, como eu já mencionei nos parágrafos anteriores.

Outro ponto negativo é que o game, logo ao ser iniciado, recomenda o uso de fones de ouvido para que o jogador obtenha uma melhor experiência, mas na verdade eles acabam sendo mais essenciais do que opcionais. Isso porque, como o título requer que você ouça a música para que os comandos sejam executados, fica bastante difícil jogar enquanto você ouve barulhos externos ou conversa com alguém, por exemplo. Conclusão: se você busca realmente a excelência na pontuação, jogue quando estiver completamente sozinho. Isso é bastante frustrante, justamente porque contraria a proposta principal da maioria (para não dizer todos) dos games musicais, que é o de unir as pessoas.



Algo que também é imperdoável é a falta de modos extras. LOUD on Planet X conta apenas com a campanha principal, composta por 28 músicas e um chefe final, que na verdade é uma seleção com várias músicas misturadas. Depois de "zerar" o jogo, a única coisa que resta ao jogador é caçar os troféus, tentar bater seus próprios recordes e rejogar as mesmas músicas nos três diferentes níveis de dificuldade. Não há nenhum tipo de fator competitivo, como um modo multiplayer ou os famosos leaderboards, restando apenas a sensação de que faltou alguma coisa.


Potencial desperdiçado

Já na parte visual, LOUD on Planet X acerta em cheio. Os gráficos minimalistas lembram bastante Sound Shapes (não é à toa, já que a equipe da Pop Sandbox é composta por pessoas que já trabalharam no game da Queasy Games), e o estilo simples do jogo garante charme e personalidade ao título. Cada banda está muito bem representada, já que cada integrante possui trejeitos únicos que os tornam facilmente reconhecíveis. Porém, algo que faz falta é a presença de um contador de combos, o que dificulta na hora de avaliarmos nosso desempenho durante as partidas. 

LOUD on Planet X é recheado de boas ideias, mas que acabaram sendo mal executadas. Por isso, e pela falta de modos adicionais, é difícil recomendar o game para quem não for muito fã de jogos dos gêneros citados ou de música indie. É uma pena, já que o título tinha bastante potencial e poderia se destacar em meio a tantos outros.

Prós

  • União de dois gêneros distintos; musical e tower defense;
  • Visual interessante e charmoso;
  • Diversidade de inimigos;
  • Seleção musical.

Contras

  • Ausência de maior conexão entre música e jogabilidade;
  • Jogo não reconhece os comandos em alguns momentos;
  • Ausência de modos extras.
LOUD on Planet X — PS4/PC/iOS/Android — Nota: 5.5
Versão utilizada para análise: PS4
 
Revisão: Robson Júnior
Capa: João Leal 
July Dourado é aspirante a jornalista e redatora no GameBlast. Sua paixão por games começou com o Nintendo 64 e só tem crescido desde então. Além dos games, também é viciada em séries de TV e gatos.

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