Mega Man X, Zero, Battle Network e mais: conheça as muitas versões do robô

O robozinho azul da Capcom já recebeu tantas versões diferentes em seus vários spin-offs que nós não poderíamos deixar de reunir todos em um lugar só.

A série Mega Man consagrou-se como um ícone dos videogames e uma verdadeira máquina de fazer dinheiro para a Capcom. E o robozinho azul fez tanto sucesso que uma franquia apenas não foi o bastante. A Capcom logo preparou spin-offs de Mega Man, que, com o tempo, acabaram se tornando subséries. Com diferenças na jogabilidade, enredo próprio e atmosferas únicas, cada versão de Mega Man conquistou também sua própria legião de fãs. Vamos passar agora para cada um dos robôs... ou o que quer que eles sejam!


Mega Man


O primeiro, mais icônico e tradicional Mega Man. Seu nascimento é, na verdade, o início de toda a franquia Mega Man. Criado pelo desenvolvedor Keiji Inafune e sua equipe, o primeiro Mega Man foi lançado em 1987 para NES. Os jogos da franquia principal são ambientados no ano 200X e têm como plano de fundo o embate entre duas mentes brilhantes: Dr. Wily e Dr. Light. O primeiro é um ganancioso cientista que está sempre disposto a criar (ou roubar) robôs malignos, os famosos Robot Masters. Essas máquinas só podem ser detidas por Mega Man, um robô construído por Dr. Light.
Light não tinha a intenção de criar robôs para batalhas, porém, quando Wily passou a ser uma ameaça para a humanidade, sua criação deixou de ser um mero assistente de laboratório. Além de Mega Man, Wily tem três outras notáveis criações: a primeira invenção robótica, Proto Man; a ajudante de casa, Roll; e o cão de Mega Man, Rush. Nos jogos da série principal, tradicionalmente temos a liberdade para selecionar a ordem na qual enfrentamos as oito fases disponíveis, cada qual representada por um Robot Master. Ao derrotar todos, abre-se caminho para o confronto final com Wily.
Mega Man utiliza uma jogabilidade em progressão lateral, na qual o jogador deve executar com precisão saltos e ataques do robozinho para superar os muitos obstáculos até chegar ao chefe de cada fase. O nível de dificuldade dos cenários é, no geral, bem elevado. A cada fase, novas habilidades são disponibilizadas para Mega Man, como a popular rasteira, as diferentes funções de Rush e os variados poderes absorvidos após derrotar um Robot Master. A série já percorreu diversos consoles, desde NES e PS até PS3, X360 e Wii.

Mega Man X

Quase cem anos após os acontecimentos da franquia principal, começa a saga de Mega Man X, também conhecida como Maverick War. O protagonista dessa história é Mega Man X, o mais completo robô construído por Dr. Light e encontrado pelo arqueólogo Dr. Cain. Cain religa X, fazendo-o funcionar, e, através de sua tecnologia, constrói robôs semelhantes: os Reploids. Diferentemente dos robôs vistos até então, estes têm livre arbítrio e personalidades próprias.

Essas características acabam favorecendo o surgimento de uma rebelião de Reploids, que passam a se chamar Mavericks. A partir do momento em que eles começam a ser considerados uma ameaça à humanidade, é criado o time Maverick Hunters com o intuito de conter seu avanço. Ao longo dos mais de dez jogos da série Mega Man X, conhecemos diversos membros dessa equipe. Os que mais se destacam são X,o protagonista, e Zero, a grande criação de Dr. Wily.
Mega Man X (SNES) deu início a esse primeiro spin-off de Mega Man, o que se reflete em sua jogabilidade muito semelhante à da série principal. Apostando mais na ação frenética e na fluidez dos movimentos, Mega Man X conquistou muitos fãs ao redor do globo, apesar de alguns títulos da série terem decepcionado bastante. Nessa série, o jogador tem acesso a diversos upgrades para a armadura de Mega Man X, tornando-se um dos seus grandes atrativos.

Mega Man Legends

Se Mega Man X não se diferenciava tanto assim da série principal em termos de jogabilidade e estrutura de jogo, Mega Man Legends foi uma mudança brusca de direção. Situado a milhares de anos no futuro, temos um mundo pós-apocalíptico assolado por grandes quantidades de água à lá Water World. O protagonista da vez é Mega Man Volnutt que, junto da sua parceira Roll, exploram ruínas em busca de Quantum Refractor, a principal fonte de energia desse mundo.

Mega Man Legends utilizou as inovações técnicas do PS para construir uma jogabilidade adaptada ao universo poligonal. Trata-se de um jogo de ação e aventura em 3D com alguns elementos de RPG e muita inspiração em mangás e animes. O principal aspecto de Mega Man Voluntt, que se reflete na jogabilidade, é o seu corpo customizável, permitindo utilizar-se de um vasto arsenal de armas e habilidades. O personagem, na verdade, é um dos Mega Man mais bem explorados em termos de construção e concepção, apresentando uma história bem profunda para a série.
A história de Mega Man Legends, infelizmente, não foi concluída. Após o lançamento de Mega Man Legends 2 (PS), os fãs tiveram que aguardar dez anos pelo anúncio de Mega Man Legends 3 (3DS). O terceiro título da saga acabou sendo cancelado pela Capcom e foi o estopim para o desligamento de Keiji Inafune da empresa. Felizmente, o desenvolvedor já havia criado outros spin-offs do robozinho azul, que você confere a seguir.

Mega Man Battle Network

Assim como Legends, Mega Man Battle Network deu uma baita chacoalhada na fórmula original da franquia. Battle Network é tão diferente do que a série Mega Man costumava ser que a Capcom preferiu situá-la em um universo paralelo. Nesse mundo, quase tudo está conectado à internet, o que requer que todos as pessoas carreguem um PET (Personal Terminals), uma espécie de computador de bolso. Através de um PET, é possível se comunicar com outras pessoas e acessar outros dispositivos através de seus NatNavis.
NetNavis são como os robôs da série Mega Man, porém em versão virtual. O próprio Mega Man (conhecido como MegaMan.EXE) é um NetNavi, mais especificamente do garoto Lan Hikari. Adaptada para os portáteis da Nintendo, GBA e DS, essa série resolveu apostar numa mecânica mais próxima dos RPGs. No comando de Lan, o jogador deve navegar por cenários urbanos para resolver diversas tarefas. Em muitos momentos, é preciso se conectar à rede e, partir daí, o jogador passa a controlar Mega Man por cenários virtuais.
Ao encontrar adversários (os vírus de computador), o jogador é levado a uma espécie de tabuleiro, que é dividido entre o território de Mega Man e o território inimigo. A mecânica de batalha funciona através de Battle Chips, que acionam os vários ataques e habilidades de Mega Man. Construir um deck de chips e utilizá-los sabiamente nas batalhas é a chave para a vitória. Mega Man Battle Network possui seis jogos principais, alguns deles apostando em duas versões diferentes, como é feito com Pokémon.

Mega Man Zero

Misturando a adoração pelo robô Zero em Mega Man X com o sucesso da franquia Battle Network, a Capcom apostou mais uma vez nos portáteis da Nintendo para trazer mais um spin-off de Mega Man: Mega Man Zero. Protagonizando o badass Zero, essa série foi um retorno bem-vindo à tradicional fórmula de progressão lateral da franquia principal.
Após os acontecimentos da saga Mega Man X, uma nova ameaça surge para a humanidade: Neo Arcadia. Apesar de inicialmente ser uma sociedade acolhedora, Neo Arcadia passa a oprimir Reploids e humanos. É nesse momento que a cientista Ciel, líder de uma força de resistência, encontra Zero adormecido. Ela religa o robô para que ele ajude as suas tropas no combate contra Neo Arcadia. A batalha acaba levando Zero a confrontar o próprio X, seu antigo aliado.
Mega Man Zero, ao ter como protagonista o robô Zero, reutiliza a jogabilidade introduzida em Mega Man X. Várias armas e habilidades podem ser adquiridas por Zero, inclusive roubando de adversários. Dessa forma, temos mais um jogo com bastante foco na ação. Ao longo de seus quatro títulos, Mega Man Zero foi bastante elogiado pelos fãs, o que culminou na coletânea Mega Man Zero Collection (DS).

Mega Man ZX

O sucesso da saga Mega Man Zero trouxe uma expansão de sua mitologia e jogabilidade: Mega Man ZX. Situada duzentos anos após os acontecimentos de Zero, a série ZX trouxe uma nova abordagem para a relação entre humanos e robôs. Agora, ambos se beneficiam de aspectos antes inerentes a cada um. Por exemplo, as pessoas passam a utilizar peças robóticas em seus corpos, ganhando com isso habilidades sobre-humanas.
Os protagonistas dos dois jogos da série, ZX (DS) e ZX Advent (DS), utilizam essas habilidades através de Biometais coletados aos longo de suas aventuras. Robôs lendários (como X e Zero) têm suas habilidades revividas e robôs inimigos derrotados podem ter suas armaduras reutilizadas pelo jogador após serem derrotados. ZX e ZX Advent oferecem, cada um, duas opções de protagonistas de sexos opostos, o que dá vazão para diferentes sequências entre os dois títulos. E o melhor (ou pior) é que a história da série ZX não foi concluída com ZX Advent, dando margem para possíveis continuações. 

Mega Man Star Force

Se ZX é a continuação de Zero, Mega Man Star Force é o responsável por carregar o legado de Battle Network. Em Star Force temos, mais uma vez, um mundo em que tudo está conectado através da rede. No entanto, a tecnologia avançou durante os duzentos anos que separam Battle Network de Star Force. O resultado disso é que a rede agora é estruturada a partir de ondas eletromagnéticas, criando uma espécie de dimensão paralela.

O protagonista é o jovem Geo Stelar, que une forças com o alienígena Omega-Xis. O resultado dessa união é o Star Force Mega Man, que consegue acessar a dimensão das ondas eletromagnéticas. O objetivo do jogador é deter as forças alienígenas que ameaçam a humanidade. O enredo do jogo é focado também no pai de Geo Stelar, um importante astronauta que perde a vida antes do início do jogo.


Em questão de jogabilidade, Star Force é bem semelhante a Battle Network. A diferença mais notável, à primeira vista, é a mudança na perspectiva de terceira para primeira pessoa. Mais uma vez, todos os comandos de Star Force Mega Man são executados através de cartões, realçando o aspecto RPG do título. A história de Star Force também não foi totalmente concluída, permitindo que novas continuações apareçam.

Tantos Megas

Ao longo de tantos anos, Mega Man assumiu diversas formas, que permitiram que vários públicos experimentassem a magia do seu universo e, é claro, o talento das equipes de desenvolvimento. Hoje em dia, como já discutimos aqui no GameBlast, a franquia Mega Man enfrenta um futuro duvidoso. Será Mighty No. 9 a nova "forma" do Blue Bomber? Se conseguirmos um dia jogar esse jogo, talvez tenhamos a resposta. Até lá, ficam nossas esperanças de reviver algum dos universos citados, sobretudo os cujos roteiros não foram concluídos, como Legends e ZX. Além disso, desejamos também ver a Capcom experimentar outras maneiras de trazer Mega Man de volta! No Japão, por exemplo, tivemos, recentemente um novo "Mega Man", chamado OVER-1. Ele estreou no jogo para iOS, Rockman Xover. Que outras versões do robozinho podemos esperar?

Revisão: Érika Honda
Capa: Peterson Barros

Rafael Neves é estudante de psicologia na UFBA e planeja ingressar no mundo da literatura como escritor. A paixão por videogames e a vontade de escrever unem-se na experiência como jornalista do ramo. Também trabalha em sua HQ virtual. Encontre-o no Facebook.

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