Blast Test

Atlas Reactor (PC) mistura turnos simultâneos e trabalho em equipe

O jogo da Trion Worlds surpreende no alfa aberto com sua originalidade e execução.

“Isso é insano demais para dar certo”, foi o que pensei ao descobrir a proposta de Atlas Reactor (PC). Um jogo de estratégia em equipes online em que as decisões de cada turno são feitas simultaneamente e influências de MOBAs e eSports? Como isso funcionaria? As chances de a execução ser falha e o game ser confuso ou chato demais (ou ambos) eram gigantescas. Mesmo que conseguissem acertar a fórmula, provavelmente seria um título inacessível, atendendo a um nicho específico. O potencial para um desastre era tão grande que senti-me obrigado a tentar o alfa aberto.


Assim que comecei a jogar, meus pensamentos mudaram. O tutorial me explicou os comandos básicos e em menos de 10 minutos eu já fui capaz de entender como o game funcionava. Duas partidas depois, eu já estava me divertindo e criando minhas próprias estratégias com estranhos online, vibrando com cada vitória e pensando no que poderia ter feito melhor quando derrotado. Na verdade, Atlas Reactor era insano demais para dar errado, isso sim.

A ideia que parecia mais difícil de entender provou-se a mais simples: turnos simultâneos. Os turnos são divididos em quatro estágios: Prep (em que você pode colocar armadilhas e usar buffs), Dash (com habilidades de esquiva), Blast (onde ocorre a maioria dos ataques) e Move (em que você pode se… mover). Cada jogador tem 20 segundos para decidir suas ações, com habilidades se enquadrando em uma das quatro categorias de estágio. Uma habilidade do tipo Dash é executada antes de uma do tipo Blast e depois do estágio de preparação.

Metade do que você precisa para poder jogar bem é saber prever os movimentos inimigos. Em 20 segundos, você deve decidir se é melhor atacar, desviar ou preparar uma armadilha. Muitas não usar habilidade alguma e mover seu personagem para mais longe é a melhor opção — bom posicionamento é essencial num jogo de estratégia, inclusive esse.

Mas boa predição e posicionamento sozinhos não vão lhe levar muito longe. Lembre-se: você não está sozinho. Cada batalha conta com duas equipes de quatro jogadores. Uma boa sinergia com seus aliados permite a criação de várias estratégias interessantes, como lançar algum inimigo para uma armadilha ou salvar a vida de um parceiro com um buff estratégico. Vence o time que matar mais adversários — o bom e velho deathmatch é o único modo de jogo até o momento.

Claro, para se criar uma boa sinergia é preciso domínio do personagem escolhido. Felizmente, há uma ótima variedade de freelancers disponíveis para acomodar diferentes tipos de jogadores e equipes. Prefere ficar atrás de barreiras e se proteger do perigo? Lockwood e suas balas ricocheteantes são a escolha para você. A linha de frente faz mais seu estilo? Titus, com seus golpes poderosos mas de curto alcance, é uma boa pedida.

Tomando lições dos MOBAs, nem todos os freelancers estão disponíveis desde o início. Há uma rotação periódica de personagens gratuitos, mas você pode comprar o acesso definitivo para seu herói favorito com Credits (adquiridos com dinheiro de verdade) ou ISOs (uma moeda in-game recebida com partidas).

Pelo menos no alfa, esse aspecto free-to-play é atenuado. Conseguir ISO o suficiente para comprar os personagens é fácil e o jogo não tenta lhe lembrar a cada segundo da existência de skins e opções de customização. A limitação de personagens e rotação é até interessante para se conhecer melhor cada freelancer e obrigar o jogador e tentar assumir diferentes papeis.

Caso preserve tudo o que foi apresentado até o momento, Atlas Reactor tem potencial ser uma ótima alternativa para quem não consegue se acostumar com MOBAs ou FPSs competitivos. Com jogabilidade sólida, mecânicas originais, execução acessível e visual carismático, o jogo é capaz de divertir jogadores de todos os tipos e ainda alcançar em cheio o nicho específico de fãs de estratégia em turnos.

O período de alfa aberto foi iniciado no dia 31/03 e se encerrará em 14/04, com o beta fechado começando logo depois. Para testar, basta baixar o game diretamente do site oficial. Só vai custar seu tempo — algo que esse game promete tomar quando for lançado.

Lucas Pinheiro Silva é analista de sistemas web por profissão, gamer por vocação. Tem grande interesse em game e level design, o que o levou a escrever para o GameBlast. Em seu Facebook e Twitter também fala de outras coisas, como HQs, música e literatura.

Comentários

Google+
Facebook


Podcast

Ver mais

No Facebook

Ver mais