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Análise: Spacejacked (PC) é um tower defense frustrante

Defenda uma nave espacial nesse frenético indie que mistura ação 2D e tower defense.

Em jogos do tipo Tower Defense, você deve defender uma área com a ajuda de armas posicionadas estrategicamente. Existem vários representantes desse gênero e cada um deles tem alguma novidade ou característica única. Spacejacked, título indie para PC, é mais um tower defense que tenta inovar, mas acaba trazendo uma experiência mediana por conta de problemas simples.

Protegendo uma nave

Em Spacejacked, o objetivo é defender uma nave no comando do técnico espacial Dave. Para acabar com os aliens, o personagem constrói torres com armamentos para defender uma das quatro salas do veículo. O diferencial aqui é que controlamos manualmente Dave: ele próprio precisa instalar e melhorar as armas. O herói também tem à disposição uma pistola para atacar os inimigos.


Como em todo tower defense, os inimigos atacam em ondas cada vez mais agressivas. Três tipos de armas estão disponíveis: uma que atira projéteis simples e rápidos, um laser lento e poderoso, e um dispositivo que atrasa os inimigos enquanto confere dano contínuo. Cada alien tem fraquezas diferentes e usar a arma correta é essencial para vencer. Depois de algumas fases, é possível também modificar os projéteis das armas, o que abre mais possibilidades de estratégia.

A necessidade de estar presente nas salas e montar as armas manualmente faz com que Spacejacked se pareça com uma mistura de jogo de ação 2D e tower defense. É frenético e divertido correr pra lá e pra cá construindo torres, atirando em inimigos e tentando ter controle sobre a situação. Uma pena que só existem três tipos de armas, e isso limita muito as possibilidades de estratégia.


Correndo no escuro

No começo, as missões de Spacejacked são simples, pois é necessário defender uma única sala por vez. Mas, conforme se avança na aventura, os aliens atacam mais de uma sala ao mesmo tempo e esse é o principal diferencial do jogo. Por conta dos ataques simultâneos, você precisa administrar a defesa de várias arenas com cuidado. Para deixar as coisas mais complicadas, o dinheiro para construir as armas é bem limitado — por sorte, todas as torres podem ser desmontadas e todos os recursos são recuperados. Sendo assim, cada estágio é bem intenso, com o personagem correndo pelas salas para tentar acabar com todos os aliens.


O que tinha tudo para ser bom, na verdade, torna a experiência frustante. Acontece que o jogo não te dá nenhuma informação sobre os tipos de inimigos que serão enfrentados. Sendo assim é impossível montar de antemão uma estratégia — informação é tudo em um tower defense. Você também não sabe o que está acontecendo nas outras salas, o que dificulta saber se as armas colocadas foram eficientes. O resultado disso é uma experiência cansativa e frustrante, repleta de tentativa e erro, com grande necessidade de memorização. Perdi a conta das vezes em que eu quase estava terminando um estágio, mas apareceu algum inimigo que passava facilmente pelas minhas defesas e eu só percebia isso no último segundo, sem possibilidade de evitar a derrota.

A dificuldade também é problemática. O começo da aventura é trivial, mas, do nada, a quantidade de inimigos aumenta drasticamente. Isso, somado à falta de informações para montar estratégias, torna cada estágio desnecessariamente difícil. Foram várias as vezes nas quais eu fui derrotado rapidamente por conta dos picos de dificuldade.


Desafios e repetição

Fora o modo história, Spacejacked tem um modo de desafios adicionais. Eles são bem variados e apresentam situações com regras únicas. Em um deles, por exemplo, Dave não pode usar sua pistola; já em outro, só aparecem inimigos extremamente rápidos. É uma adição interessante, mas a dificuldade é extrema: basicamente você tem que montar uma estratégia perfeita para vencer, qualquer deslize é derrota instantânea. Dezenas de desafios adicionais estão disponíveis, mas acredito que só fãs mais extremos vão se divertir com esse modo.

Já na apresentação, o jogo tem gráficos no estilo pixel art. O resultado é legal, com uma aparência que remete ao retrô sem deixar de ser moderno. Contudo, infelizmente, a pouca variedade de inimigos e estágios dão a sensação de que tudo é muito parecido depois de algumas partidas. A parte sonora também é bem limitada: Spacejacked conta com músicas repletas de sintetizadores e com uma pegada meio chiptune, mas existem só umas quatro faixas, que rapidamente se tornam irritantes e repetitivas.

Defesa espacial decepcionante

Spacejacked tem algumas ideias interessantes quando o assunto é tower defense, mas a execução deixa a desejar. É divertido controlar Dave nas pequenas arenas 2D construindo torres de armas e atirando em aliens. A mecânica de defender várias salas simultaneamente também é legal. Em contrapartida, é complicado montar estratégias com as poucas informações dadas pelo jogo. Isso, aliado aos picos de dificuldade, poucas armas e baixa variedade de inimigos e cenários, podem tornar a experiência bem frustrante e cansativa. Sendo assim, Spacejacked só é recomendado para os fãs mais fervorosos de tower defense.

Prós

  • Boa mistura de tower defense e ação em 2D;
  • Bom visual;
  • Boa quantidade de conteúdo.

Contras

  • Pouca variedade de inimigos e estágios;
  • A ausência de informações gera uma jogabilidade centrada em tentativa e erro;
  • Dificuldade desbalanceada;
  • Música repetitiva.
Spacejacked — PC — Nota: 6.5
Revisão: Jaime Ninice
Capa: Felipe Araujo
Farley Santos é brasiliense e gosta de explorar games obscuros e pouco conhecidos. Fã de Yoko Shimomura e Motoi Sakuraba, é apreciador de boardgames, game music, fotografia, livros e animes. Além de mostrar seus cliques no Flickr, tem também um blog onde escreve sobre inúmeros assuntos.

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