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Mighty No. 9: Mega Man tem um novo “irmão”, e ele promete detonar

Sem um novo título do Blue Bomber, Keiji Inafune deu vida a um novo robozinho azul que tem tudo para alegrar os fãs das clássicas aventuras em plataformas.

Depois de uma estrondosa campanha no Kickstarter, Keiji Inafune conseguiu dar vida ao seu novo filho. Conhecido como o “pai de Mega Man”, o talentoso produtor ex-Capcom utilizou as bases do Blue Bomber, criadas ao longo de gerações de videogame, para produzir, de forma independente, um novo mascote, Veja o que esperar dessa aventura.

Como nos velhos tempos

Inexplicavelmente a Capcom simplesmente parou de produzir novos títulos de Mega Man, renegando um dos mascotes mais queridos da geração 8 e 16-bit e o aproveitando tão somente em meras coletâneas. Cansado de esperar por oportunidades que nunca surgiam, Keiji Inafune, responsável por criar e produzir os jogos da série, resolveu apelar para os fãs, elaborando uma campanha no Kickstarter para dar vida a uma nova aventura do robozinho azul.

Infelizmente ainda não seria dessa vez que teríamos um jogo inédito de Mega Man, pois a Capcom é dona dos direitos de toda a franquia. Porém, utilizando conceitos muito semelhantes e inúmeras referências, víamos surgir, a cada nova meta alcançada e arte conceitual divulgada, uma chama azul bastante familiar.
Absorvendo a energia dos fãs
Sem um novo título de peso de Mega Man pela Capcom e considerando o cancelamento de projetos como Mega Man Legends 3, Keiji Inafune recorreu ao financiamento coletivo para dar vida ao seu novo game que captava a essência do clássico Blue Bomber. Através do Kickstarter, a Comcept (estúdio formado por ex-funcionários da Capcom que trabalharam em jogos da série Mega Man), e a Inti Creates (produtora de Mega Man Zero) pediram US$ 900 mil para produzir o jogo para PC. Fãs ao redor do mundo compraram a ideia e financiaram o jogo com mais de US$ 4 milhões, garantindo versões para praticamente todas as plataformas existentes.

Em Mighty No. 9 temos todas as principais características que fizeram de Mega Man um estrondoso sucesso durante décadas. O protagonista é Beck, um carismático e destemido robô azul capaz de atirar, pular, deslizar e absorver os poderes dos inimigos,  acompanhado de Call, uma fiel ajudante e guia durante a jornada contra os planos maquiavélicos de um doutor maluco que pretende usar robôs para destruir a humanidade — familiar, não é?

Era uma vez em 20XX

A história do jogo acontece no ano 20XX, como em praticamente todos os jogos da série Mega Man, onde os avanços na tecnologia robótica trouxeram paz, harmonia e prosperidade para a civilização. Homem e máquina conviviam de forma cooperativa em uma mundo sem guerras, até os seres humanos criarem robôs específicos para combates em grandes arenas.

Assim como os gregos e romanos da Antiguidade clássica, a diversão dessa sociedade tecnológica tornou-se assistir à combates mortais. Dessa vez, porém, as lutas eram entre robôs no Battle Coliseum. Foi nesse cenário que Dr. White criou nove robôs conhecidos como “Mighty Numbers” para lutarem no coliseu.

Tudo corria bem, até as coisas fugirem do controle após um cyberataque que infectou oito robôs da linhagem. Controlados remotamente por um cientista malvado, os oito Migthy Numbers passaram a ameaçar a paz entre homem e máquina, destruindo tudo pelo caminho. Agora, cabe ao nono deles, Beck, o único não afetado pelo ataque, seguir no encalço dos demais ao longo das fases que estão presentes no jogo.

Os oito odiados

Se o enredo simples e nostálgico não bastar para transportar você para os bons tempos de Nintendinho e Super Nintendo, a estrutura do jogo em si fará isso muito bem. Mighty No. 9 é um jogo de plataforma, como seu antecessor espiritual, com progressão 2D, mas com visuais e arte em 3D. O objetivo é derrotar oito chefes e seguir a rota final para acabar com os planos do Dr. Blackwell.

Isso mesmo, caro leitor; não copiei e colei o roteiro de Mega Man aqui por engano. Serão oito fases principais cuja ordem o jogador terá a liberdade de escolher como bem entender. Após passar pelos inimigos e plataformas, haverá o confronto contra o o chefe protetor do estágio. Derrotando-o, o jogador ganhará a habilidade do inimigo para utilizar nas outras fases. Ao vencer os oito chefes, Beck seguirá para o mundo final, onde colocará a prova todas as suas habilidades em fases cada vez mais complexas e desafiadoras.

Pelo mundo
Cada um dos oito Mighty Number é de um lugar diferente do mundo; ou seja, espere por cenários exuberantes e distintos, capazes de levá-lo a diferentes locações, com o mesmo brilho criativo dos clássicos. O jogador encontrará fases aquáticas, cheias de lava e, claro, as famosas fases no gelo que fazem o personagem deslizar descontrolado.

É justamente desafio que esperamos de Mighty No. 9. Pelo que foi divulgado até agora e pelo que testamos na demo do jogo, podemos aguardar trechos que exigirão velocidade, precisão, cautela e agilidade. Beck, assim como seu antecessor espiritual, é um herói fácil de controlar, mas complexo de dominar por completo. E aqui teremos ainda mais possibilidades do que antes.

Clássico e original

Você deve estar se perguntando sobre as inovações e melhorias de Mighty No. 9 em relação a Mega Man, não é? Pois bem: a proposta desse jogo realmente não é de inovar a série, mas de ser nostálgico. Foi o público que cresceu jogando Mega Man que financiou o jogo. Consequentemente, eles queriam as origens da série nessa nova jornada. E assim seu desejo foi-lhes concedido. Mas como Inafune também pretende alcançar o público mais jovem, algumas novidades foram implementadas.

Sem carga
Uma das maiores características de Mega Man é o seu tiro carregado. Beck, ao contrário, não possui essa habilidade. Apenas tiros simples saem do canhão do novo herói. Para compensar essa perda de poder, Inafune dotou o robô com a habilidade de destruir/absorver os inimigos após acertá-los com o dash. Basta acertar alguns tiros até o inimigo mudar de cor e partir para cima deles. É possível até emendar combos com esse novo poder. 

Talvez a mudança mais sentida no jogo seja as novas habilidades de Beck. Além de correr, saltar e atirar, o protagonista pode acertar os inimigos com o corpo, absorvendo as células “Xel”. Essa nova possibilidade gera combos e novas técnicas temporárias como pulo duplo, velocidade aumentada, escudos e até tiros mais poderosos. Além disso, os poderes adquiridos após as vitórias contra os chefes modificarão toda a aparência do herói, não apenas a sua cor.

O peso de um passado glorioso

Suceder, mesmo que espiritualmente, um dos maiores ícones da indústria de videogames não é uma tarefa fácil. A base de fãs que cultua — ou odeia, no caso das versões para PS2 — Mega Man é imensa. Prova disso é que foi justamente esse público que investiu o próprio dinheiro para transformar o velho desejo de um novo jogo da franquia em realidade, mesmo que de forma alternativa. Sendo assim, Mighty No. 9 carrega consigo uma enorme responsabilidade, seja de agradar seus investidores ou de fazer jus ao legado do seu irmão mais velho.

Invasão completa
Os planos para transformar Mighty No. 9 em um clássico moderno dos jogos de plataforma são ambiciosos. Além do jogo sair para 3DS, PC, PlayStation 3, PS4, PS Vita, Wii U, Xbox 360, Xbox One, Mighty, as aventuras de Beck chegarão a diversas mídias. Serão lançados, ainda em 2016, mangás, animações e até um filme. Não sei você, mas eu já estou ansioso para curtir tudo desse novo herói azulado.

Mesmo sabendo dessa enorme responsabilidade, o título parece corresponder a todas as expectativas. Apoiado pelos fãs e desenvolvido pelas mentes que transformaram Mega Man em uma lenda das plataformas virtuais, Mighty No. 9 promete trazer ação, exploração e muita diversão de volta aos videogames, na companhia de um robozinho azul simpático e destemido, como nos velhos tempos.
Mighty No. 9
Desenvolvedora:Comcept/Inti Creates
Distribuidora:Deep Silver
Lançamento: algum momento de 2016
Plataforma: 3DS/PC/PS3/PS4PSVita/Wii U/X360/XBO
Expectativa: 5/5
Revisão: Bruno Alves 

Ítalo Chianca escreve para o GameBlast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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