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Análise: Forced Showdown (PC) une jogo de cartas a combate em arenas

Com boa jogabilidade e proposta interessante, jogo se perde pela falta de conteúdo e repetição.


Em uma união surpreendentemente funcional entre roguelike, combate em arenas, construção de decks e uso de cartas, Forced Showdown se apresenta com uma proposta interessante de levar o jogador a um torneio em formato de reality show. Cercado de perigos, armadilhas, câmeras voando ao redor e chefes bem diferenciados, o jogador deve treinar bem suas habilidades de esquiva para sobreviver o máximo possível dentro das arenas do jogo.


Desenvolvido pela dinamarquesa BetaDwarf, o jogo é uma espécie de spin-off de Forced (Multi), em que até quatro jogadores batalhavam em arenas. De certa forma, a premissa se manteve, mas sem o modo cooperativo, o que é uma pena, pois se tratava do maior atrativo do primeiro jogo. O aspecto cooperativo foi trocado por uma ambientação focada em alcançar o nível máximo com o personagem selecionado em uma das três campanhas disponíveis.

Reality show bizarro

De modo geral, a apresentação de Forced Showdown é bastante fraca: os menus são simplórios, com ícones grandes, além de pouco detalhados, lembrando os de jogos mobile. Logo de início, o jogador é apresentado a um narrador com voz potente e animada, que apresenta as funções básicas do jogo e o leva a um tutorial rápido com o primeiro, e por algum tempo, único personagem disponível.

O modo principal é dividido em três campanhas, com níveis progressivos de dificuldade. De início, apenas a primeira está disponível, com as restantes sendo desbloqueadas somente quando a anterior for completada. Sua estrutura segue uma mesma fórmula, que se repete com algumas poucas variantes: o personagem chega em grande sala separada por portas que são abertas à medida em que os chefes são vencidos. Antes de cada porta, existem quatro arenas possíveis, cada uma com modificadores que alterarão aquele desafio de forma positiva ou negativa. Após vencer duas, o personagem enfrenta mais uma arena antes de abrir a porta e seguir.

As batalhas dentro das arenas são rápidas e podem ser completadas em menos de um minuto. A presença dos chefes, que só aparecem na oitava e última arena, é sentida como armadilhas que surgem pelo cenário a todo momento. Sejam bolas de energia ou bombas, o perigo representado por eles é sempre constante e podem acabar precocemente com a jornada do herói. Ao morrerem, alguns inimigos soltam pequenas orbs que podem recuperar a vida do personagem ou servir de moeda para a aquisição de bônus temporários, que ficam ativados somente durante a campanha.

Essa estrutura se repete durante todas as campanhas, o que pode deixar a aventura cansativa com o passar das horas. Como é de lei no gênero roguelike, as mortes são permanentes, então se o personagem seja derrotado, terá de iniciar toda a campanha do zero. Infelizmente, os modificadores possuem pouca explicação antes de cada combate, sendo representados apenas por uma pequena foto, então o jogador terá que experimentar cada um antes de conseguir selecionar aqueles que valerão mais a pena de acordo com seu estilo. Caso o modificador seja positivo, mais inimigos surgirão nos cenários e vice-versa.


Por conta da geração aleatória dos cenários, a escolha dos modificadores pode ser determinante para a vitória ou derrota. Um deles, por exemplo, deixa o personagem com apenas metade da vida logo de início. Por outro lado, o número de inimigos é reduzido, o que pode ser uma vantagem.

Boa parte das opções de Showdown estão desabilitadas para jogadores iniciantes e só podem ser acessadas com a conclusão das missões disponíveis. Essas missões desbloqueiam novos personagens e dão bônus permanente para eles, logo, completá-las é fundamental para se fortalecer.

Rumo ao topo

Ao todo, quatro personagens ficarão disponíveis para o jogador. Apesar de o número ser pequeno, cada um conta com grandes variações e possuem jogabilidade diferenciada, de forma que se adaptam ao estilo de qualquer jogador, seja ataque a distância, corpo a corpo, veloz ou lento. O mesmo se aplica para os três companions disponíveis para heróis, que podem ser trocados antes do início de cada campanha. Ao contrário de seus mestres, eles podem morrer ao final de cada batalha, mas voltarão no round seguinte.
 

A inteligência artificial dos companions é moderada. Em vários momentos, meu companion ficou preso em um ponto completamente livre do cenário. Em outros, ele venceu a batalha por mim antes mesmo de eu chegar ao inimigo. O mesmo não pode ser dito dos inimigos comuns e dos chefes, pois estão sempre avançando em cima do personagem e não possuem nenhuma estratégia, o que deixa o combate repetitivo. 

A repetição e a possibilidade de decorar o padrão dos golpes dos inimigos não deixam o jogo fácil. Em muitos momentos, Showdown pode ser frustrante, tamanha a dificuldade e a frustração por ter que recomeçar tudo mais uma vez. Às vezes, o número de inimigos e os efeitos de seus golpes podem ser grandes a ponto de tornar difícil ver o que se passa na tela. O jogo não possui nível de dificuldade selecionável, o que deixa a possibilidade de uma arena ser fácil ou quase impossível a cargo da aleatoriedade. É comum passar toda uma campanha vencendo facilmente os adversários, para em outro momento ter quatro inimigos suicidas explodindo ao seu lado simultaneamente. 

No quesito jogabilidade, os desenvolvedores preferiram ir na zona de conforto. Nesse aspecto, o jogo é incrivelmente similar ao primeiro Forced, prezando por movimentos rápidos para desviar dos projéteis e golpes desferidos pelos inimigos, enquanto ataca para todos os lados. A decisão entre os momentos de atacar e desviar é a parte mais importante do combate da série Forced, porque o personagem perde velocidade de movimento enquanto ataca, tornando o desvio mais difícil. Esse equilíbrio é interessante e bem executado, pois a variedade de inimigos e seus ataques dão margem a diversas opções de defesa para cada personagem.

Construção do sucesso

Todos os personagens vêm com um deck básico com trinta cartas escolhidas pelo jogo. À medida em que se vence os chefes e com o ouro ganho nessas batalhas, o jogador pode girar uma roleta que lhe dará novas cartas, o que permite a construção de novos decks. Como em Hearthstone e outros card games, as cartas possuem números de mana mínimos para serem utilizadas. A cada round da arena, mais uma mana é concedida ao jogador.

No jogo anterior, os personagens subiam de nível e ganhavam novas habilidades. Já em Showdown, os poderes de cada um se modificam apenas com o uso das cartas, que melhoram suas habilidades ou são consumíveis, que dão bônus de dano ou vida por alguns segundos. A construção de um deck funcional e equilibrado é importante para que o herói não fique em desvantagem nos níveis mais avançados.

Após vencer a primeira campanha, o modo season é liberado. Nele, o jogador tem acesso a desafios diários, que dão bônus generosos de ouro, além de um ranking com todos os outros jogadores de Showdown. Apesar de expandir um pouco mais a experiência, a novidade logo fica cansativa, pois, com exceção da dificuldade absurda do modo, nada muda em relação às arenas da campanha, com os mesmos cenários, inimigos e chefes para enfrentar.

Um show sem polimento

Apesar de possuir menos de dois gigas de tamanho total, Showdown é um tanto pesado. A grande quantidade de partículas durante os combates gera algumas pequenas travadas em momentos pontuais, mas nada que prejudique a experiência. Os personagens e seus companions possuem um visual competente e detalhado, com efeitos bonitos quando utilizam suas habilidades. Os cenários, no entanto, são artificiais e não receberam a devida atenção.

Durante a análise, acabei encontrando um grande número de bugs. Por mais que não prejudicassem o jogo a ponto de fechá-lo, eles podiam ser bem incômodos. Para citar alguns: um dos bônus temporários recebido entre as campanhas não funcionava, ocasionando a sua perda; as opções gráficas sempre retornavam ao padrão logo após fechar as opções, o que, na prática, não me permitia alterar o jogo.

Existe uma opção no jogo de reportar os bugs diretamente para a BetaDwarf, e no decorrer da análise os desenvolvedores lançaram pacotes de atualizações para corrigir alguns deles.

Audiência insatisfeita

Apesar da premissa interessante e da boa jogabilidade, Forced Showdown se torna repetitivo com apenas algumas horas de jogo. O jogo possui bons momentos, e os personagens são diferentes o suficiente para atrair jogadores distintos, mas peca por possuir pouco conteúdo mascarado como se fossem muitas opções. Até mesmo a voz do narrador se torna repetitiva, pois em quarenta minutos, o jogador já terá ouvido todas as linhas de diálogos possíveis. Se novas opções de arenas e modos de jogo forem adicionados no futuro, quem sabe esse reality show consiga conquistar novos fãs.

Prós

  • Ótima jogabilidade
  • Personagens com estilos distintos

Contras

  • Torna-se repetitivo após algumas horas
  • Muitos bugs
  • Apresentação fraca
Forced Showdown (PC) - Nota - 6,0

Revisão: Henrique Minatogawa
Capa: João Leal
Hamlet Victor é formado em Jornalismo pela UNIFOR, comprador compulsivo de livros e possui um vício saudável por filmes de várias nacionalidades. Está sempre em busca de manter seu PC atualizado, o que quase nunca consegue. Gosta de jogar quase tudo, mas tem uma queda por FPS e RPGs.

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