Jogamos

Análise: Sprinter é emoção e coordenação na forma mais pura (PC)

Se emocione em um game simples, mas desafiador.


Esse é mais um daqueles indies que, se um amigo não te indicou (ou você não teve a oportunidade de ler uma análise detalhada como essa), você nunca irá conhecer. Produzido pela humilde Light Step Games, ele chegou calmamente ao Steam prometendo uma experiência muito emocional, mas que ao mesmo tempo vai exigir uma boa dose de coordenação motora do jogador. Será que ele cumpre seu objetivo? Vamos correr para descobrir.

Seja rápido, mas nem tanto

Acredite, não é apenas recomendação do game, mas pessoal também: use um controle de Xbox para jogar esse game. Logo no início, o título apresenta seu tutorial já incorporado a alguns de seus estágios. Essa é uma moda crescente nos games hoje em dia, pois ensina o jogador a jogar ao mesmo tempo que o faz avançar, evitando aquela experiência frustrante de ter que jogar um tutorial separado da campanha principal. Mas voltando à questão, por que o controle? Porque Sprinter exige movimentos rápidos e todas as ações que você irá realizar dependem da sua agilidade. Poder contar com a facilidade do controle é a diferença decisiva aqui entre entusiasmo e decepção.

Como o própio nome diz (“Sprinter” significa, ao pé-da-letra, “correr” ou “partir para corrida rapidamente”), o game gira em torno de você fazer seu personagem correr. Mas isso quer dizer que ele se trata de mais um do gênero Infinite Runner? Não mesmo. Apesar de ter uma visão top-down, aqui você controla o ritmo do seu personagem, mas existe um porém. Você sempre está seguindo outro personagem que funciona como seu guia pelos estágios. Se você ficar muito longe dele voltará ao início do nível. Nesse ponto, o game pode ser tão frustrante quanto qualquer outro Infinite Runner. Como não existem checkpoints, se falhar terá que fazer tudo de novo.

E não são poucos os obstáculos que irá encontrar em seu caminho. Além de cada nível ser composto por um corredor estreito que faz várias voltas, você terá que desviar de vigias, abrir portões e contornar paredes. E cada uma dessas barreiras é controlada a partir de um botão diferente e é aí que reside o desafio da coordenação motora. Mas o que torna esse indie um diferencial entre tantos, já que o fato de ter que lidar com precisão e com muitos desafios o torna tão semelhante a outros? A resposta é uma palavra: emoção.

Você vai correr… E refletir

A corrida que todos nós percorremos diariamente em nossas vidas é a alegoria perfeita para mostrar como não podemos nos esquecer que, em certos momentos, o melhor é parar, respirar e refletir. Cada estágio que o jogador atravessa é permeado por uma música suave, um perfeito contraste entre o ambiente que exige total atenção do jogador a todo o momento para cruzar os obstáculos. A comparação entre a corrida e nossas vidas é criada em quadros, apresentados no final de cada estágio, mostrando o personagem em diferentes situações.

Por exemplo, no final de um dos níveis, uma imagem de uma jovem entrando desesperada em um quarto para impedir que seu amigo ou namorado destrua tudo em um acesso de raiva aparece com a legenda “Rosie will run” (Rosie irá correr). Correr para onde? Para salvar a vida de alguém querido? Para impedir uma tragédia? Não sabemos. No nível seguinte, podemos ver uma jovem deitada em uma cama de hospital, possivelmente passando por um tratamento agressivo (câncer, talvez?), com os dizeres “Emily stops running” (Emily para de correr). Claramente, a doença exigiu que a jovem parasse. Mas parasse com o que, exatamente? De cumprir suas tarefas? De seguir com sua vida em um ritmo que muitas vezes parece rápido demais?

Essas simples imagens conseguem evocar os mais diferentes questionamentos no jogador. No entanto, por mais apelativas que sejam, elas não conseguem evocar o nível necessário de emoção pretendido. Elas conseguem fazer o jogador refletir? Sim, de uma forma simples e sem forçar uma história complexa no meio do game. Mas falta algo. Talvez seja o fato de os diferentes quadros não serem ordenados de forma coesa, não podendo criar um fio que conecta as diferentes histórias desses personagens. O que fica de Sprinter é um game muito parecido com outros, mas com uma alma que cria a conexão perfeita entre a nossa “corrida” constante e as diferentes nuances da vida, mesmo que não com toda a força que poderia se esperar.

Prós

  • Emocionante;
  • Design simples e bonito.

Contras

  • Curta duração.


Sprinter - PC - Nota: 7.5

Revisão: Gabriel Verbena
Luís Antônio Costa é graudado em Ciência da Computação pela UFRGS. Apaixonado por games desde que ganhou seu primeiro Master System e conheceu Sonic, também é amante da ciência e um devorador de livros. Além do GameBlast, também faz alguns textos para o Medium e pode ser encontrado no Facebook e Twitter.

Comentários

Google+
Facebook


Podcast

Ver mais

No Facebook

Ver mais