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Análise: Far Cry: Primal (Multi): Agora a aventura é na pré-história

Enfrentar animais selvagens e tribos inimigas, domar feras assassinas e salvar seus companheiros são algumas das suas obrigações em Oros.

Esqueça as ilhas paradisíacas e as montanhas geladas de outras versões da série. Far Cry agora explora o mundo de 10 mil anos a.C, quando a sobrevivência dependia da lei do mais forte e da capacidade de trabalhar em grupo. Far Cry: Primal traz uma nova visão sobre a franquia, mas sem deixar de lado elementos cruciais que fizeram seu sucesso desde o primeiro jogo no agora longínquo 2004.


O novo rumo tomado traz diversas novas possibilidades e uma exploração um pouco mais intensa do que já foi visto anteriormente. Aqui não há armamento pesado para enfrentar os inimigos, e será imperativo aproveitar todo o ambiente não apenas para preparar estratégias de ataque como também para montar seu arsenal primitivo.

A bela Oros

A história tem como ponto central Takkar, um guerreiro da tribo Wenja, também chamados de sangue macio (soft blood), que precisa estabelecer uma nova comunidade no novo território de Oros. A posição exata da região no mundo atual seria a Europa Central no período Mesolítico. Para que Takkar consiga criar uma comunidade próspera e funcional, será preciso resgatar seus companheiros pelo mundo e recrutar alguns especialistas que o ajudarão na jornada.

Os cenários são belos, e tudo é muito orgânico e crível, características marcantes da série que foram refinadas nesta nova edição. As coisas acontecem ao seu redor a todo momento, e é preciso ficar atento para não ser atacado de surpresa por tribos rivais ou animais querendo fazer um lanchinho aproveitando-se de sua distração.
Belos cenários são uma constante no game.
Há diversas localizações para se explorar: cachoeiras, montanhas, cavernas, desfiladeiros, ilhas, tudo é bastante vasto e passa uma sensação de grandiosidade que não é novidade para quem é veterano em Far Cry. Os novatos, porém, ficarão de boca aberta, admirando cada pedacinho da incrível Oros.

Um ponto de destaque de Primal pode parecer um detalhe, mas foi algo incessantemente trabalhado pela Ubisoft, desenvolvedora do jogo: seu idioma. Foi criado um idioma próprio baseado na língua proto-indo-europeia, comum na região da Europa e que deu origem à maioria dos idiomas atuais falados na região.

Todas as palavras têm um som distinto, e aos poucos o jogador identificará algumas principais como a tradução para “animais”, “tribo” e “amigo”. O idioma, porém, não é único, e três dialetos distintos foram criados para cada uma das tribos do game, os Wenja, Udam e Izila, que personificam seus costumes e cultura.

As tribos rivais

A história pode parecer simples, mas sua execução será mais complicada do que parece. Enquanto estabelece seu lar, Takkar vai descobrindo, com a ajuda do xamã Tensay, sua habilidade em controlar feras e também de incorporar espiritualmente animais que precisam realizar algumas missões com a sua ajuda.

Com o passar da história, o título de Mestre das Feras vai sendo cada vez mais consolidado por Takkar. É possível controlar tigres, onças, lobos e feras pré-históricas que o ajudarão a conquistar territórios e espantar outros predadores.

Para que a tranquilidade reine, será preciso se defender de tribos inimigas que povoam o território de Oros. A tribo Udam, também conhecida como “os comedores de carne” (flesh eaters), residem no ártico norte de Oros, mas também saem de sua região em busca de comida e outros materiais. Eles são brutais, impiedosos e comandados pelo temido Ull. A tribo, entretanto, passa por dificuldades após serem dizimados pela doença Kuru, também chamada de “fogo no crânio“.
Tribos rivais atacarão sem piedade.
Ull não sabe o que fazer para proteger sua tribo enquanto vê seus companheiros morrerem de algo sem explicação. Quando percebe que outras tribos, os Wenja e os Izila, não sofrem do mesmo mal, os vê como inimigos e deseja aniquilá-los da face de Oros. Os Udam são reconhecidos por suas feições mais brutais e suas queimaduras e cicatrizes pelo corpo, causadas principalmente pelas flechas de fogo dos Izilas.

Os Izilas ou “andarilhos do sol” (sun walkers) são comandados pela matriarca Batari, uma mulher zelosa com sua tribo, porém, vingativa e arrogante. Essa tribo teve influência em sua criação de seitas apocalípticas reais da região da Mesopotâmia. Cultuam o Sol, a Lua e principalmente a deusa Suxli para ter prosperidade em suas plantações e na manutenção da comunidade.

Usam principalmente pinturas pelo corpo e armamentos em chamas, e veem as duas outras tribos como inimigos hereges que desejam acabar com a paz de Izila. Por isso, se tornam violentos em defesa de suas convicções e em nome de Suxli, que os protege no campo de batalha.

Domando feras e criando seu arsenal

Domar feras será uma habilidade mais do que necessária para se cumprir os objetivos do jogo. Será possível domar diversos tipos de felinos, que possuem atributos próprios como força e agilidade. Mas não será nada fácil controlar esses perigosos animais que habitavam a pré-história.

Para que essa habilidade seja trabalhada com maestria, será preciso ajudar Tensay, o xamã, a melhorar seu relacionamento com os animais. Por isso, melhore sua tenda na vila, e ele lhe concederá novas formas de atingir o “nirvana” animal, tomando poções duvidosas que envolvem sangue e outros “temperos” especiais.
Domar feras selvagens é essencial.
Ao tomar a poção, Takkar encarna um animal ou segue outros em uma espécie de transe com objetivos, que se cumpridos corretamente, liberam novos animais a serem domados e melhorias para essa habilidade. Depois basta percorrer o mapa em busca de seus novos animais de estimação. Para conquistá-los, será preciso criar iscas de carne e esperar que o animal se interesse por ela. Ao ficar distraído, é possível se aproximar e domá-lo com o toque de um botão.

Essa habilidade é extremamente divertida, e usar seus animais como companheiros para criar estratégias de ataque para a invasão de territórios hostis será um diferencial no jogo. A primeira criatura aliada, uma coruja, será de extrema importância para o planejamento, pois ao tomar o controle do animal, uma vista aérea permite identificar o que está por vir e, com o tempo, até mesmo usá-la em ataques-surpresa.
Gerencie bem seu armamento e materiais para não ficar no aperto.
Não só Tensay o ajudará nesta jornada. Alguns membros da tribo também demandarão upgrades em suas tendas, e fazê-los melhora suas habilidade em todo tipo de atividade, como caça, luta, criação de armamentos, defesa e confecção de equipamentos como bolsas de suprimento, roupas (necessárias para enfrentar regiões mais frias) e armas.

Armamentos serão algo bastante trabalhado por aqui. Uma vez que não é possível contar com armas de fogo, o negócio então é apelar para flechas, tacapes, lanças e usar seus animais para o ataque. Para que uma invasão ou batalha seja bem-sucedida, será preciso colher todo tipo de material para construir seu equipamento. Para isso, madeira e outros itens são encontrados em abundância. O único porém é ficar sem armas e materiais durante um confronto e, acredite, isso acontece. O jeito é partir para uma retirada, o que torna as missões mais estratégicas do que corporais quando os números não estão a seu favor.

O que fazer em Oros

Há muito o que se fazer em Oros além de seguir a história principal. Descobrir pontos importantes no mapa, procurar colecionáveis como pedras especiais e colares de companheiros derrotados, caçar novos animais e domar alguns raros são tarefas divertidas que irão ocupar boa parte do seu tempo.

Desbravar Oros, por mais que pareça uma tarefa sem fim, acaba sendo recompensador. Algumas vezes durante essas explorações, passamos de caçadores a meros espectadores nesse ecossistema criado pelos desenvolvedores. Presencie bandos de animais atacando outros ou tribos inimigas, ou uma manada de mamutes viajando tranquilamente pelo território, tudo isso em paisagens paradisíacas, fazendo com que o jogador perca um tempinho apenas observando ao redor.
Atividades é o que não falta em Oros.
As missões secundárias, porém, são o ponto fraco do jogo. Elas são basicamente as mesmas o tempo todo, o que pode acabar se tornando repetitivo, além de se basearem fortemente nos outros jogos da série. Proteja pessoas, liberte outras, ajude-as contra ataques de animais e de inimigos, e encontre desaparecidos. Essas tarefas contribuirão para aumentar a população de sua vila, o que cria mais suprimentos e melhora a defesa do local, mas que serão pouco satisfatórias de cumprir após se fazer a mesma atividade pela décima vez, se tornando apenas uma obrigatoriedade.

Tomar postos de controle e encontrar fogueiras abandonadas criarão pontos de descanso e viagens rápidas, uma vez que não há veículos. Esses pontos serão muitos e bem espalhados pelo mapa. O principal deles será a aldeia onde as melhorias são implementadas, então prepare-se para muitas viagens rápidas.

Um mundo pré-histórico de aventuras

Far Cry: Primal é um sopro de novidade para a série, mas que acaba não sendo inovador em vários aspectos. Herdando mecânicas de seus antecessores, a fórmula parece já estar apontando sinais de desgaste e pedindo por novidades. A inclusão da possibilidade de domar feras e usá-las como companheiras foi uma grande sacada, mas não o suficiente para disfarçar esse cansaço.

Outro ponto relevante a ser levantado é a semelhança entre os mapas de Primal e a quarta versão da série. Para aqueles que exploraram bastante a região de Kyrat, as coisas podem parecer um tanto familiares em Primal. Localização de rios, cachoeiras, desfiladeiros e outras estruturas são bastante semelhantes entre os dois, algo que demonstra o reaproveitamento de material.
Apesar dos problemas, Primal traz uma incrível experiência de jogo.
Entretanto, esses problemas acabam por não ofuscar as qualidades de Primal, que entrega uma experiência divertida, trazendo na bagagem mecânicas já conhecidas e incluindo outras muito bem-vindas que possivelmente serão aproveitadas mais para frente.

Far Cry: Primal não demonstrou nenhum problema gráfico ou de carregamento, tudo foi dentro do aceitável e não depreciou a aventura de Takkar e seus companheiros, que conta com belos gráficos, jogabilidade afiada e muita coisa para se fazer. Apesar da história simples, Primal é uma boa adição à série que não deixa de lado seu legado e acaba viciando aqueles que decidem se aventurar por Oros.

Prós

Ambientação nova para a série;
Belos gráficos;
Domar feras selvagens.

Contras

Mapa parecido com o do jogo anterior;
História não muito elaborada;
Missões simples e repetitivas.
Far Cry: Primal – PS4, Xbox One e PC – Nota: 8.0
Versão utilizada para análise: Xbox One
Revisão: Henrique Minatogawa
Capa: João Leal
Fabio Oliveira é Analista de Sistemas formado pela UERJ. Além da paixão pelo mundo dos games, é fanático por seriados americanos, cultura japonesa e filmes de ficção científica. Fã de Mario e Resident Evil resolveu contribuir para o universo gamer sendo newposter no GameBlast.

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