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Análise: Dungelot: Shattered Lands é um campo minado com elementos de RPG

O novo título da série Dungelot mostra que mudança não é sinônimo de qualidade.


Depois de dois títulos exclusivos para celular,  a Red Winter resolveu compartilhar o terceiro jogo da série Dungelot com o PC. E este jogo trata-se de Dungelot: Shattered Lands (PC/Mobile), que foi lançado simultaneamente com a versão para mobiles em 18 de fevereiro de 2016.

Para aqueles que não estão familiarizados com a franquia, o game é um puzzle que mistura o clássico jogo de Campo Minado (PC) com roguelike, que, por sua vez, é subgênero  do RPG, cujas principais características são: a geração procedural, o nível elevado de dificuldade e a morte permanente.

Dungelot: Shattered Lands (PC/Mobile) não apenas herda muitas das principais características de seus predecessores como tenta melhorá-las, mas, como veremos a seguir, isso acaba sendo algo desastroso.

Uma terra dividida

A aventura se passa no mundo de Pangeus, que era o único continente existe no mundo. No ano de 156 B.R, seus habitantes aprenderam a extrair um líquido mágico, conhecido como mana. A partir daí, eles inventaram diversos artefatos que não só eram úteis como facilitavam muito suas vidas. O planeta, entretanto, começou a morrer devido a falta do liquido em seu subsolo e Panegeus sofreu um terrível cataclisma, sendo  dividido em três grandes porções de terra: Dead Wood, The Crosslands e Waterless Fields. Em cada um desses continentes, foi aberto um portal que canaliza a energia vital e emoções das pessoas, fazendo delas verdadeiros pesadelos. Você encarna na pele de um paladino que deseja entender o que realmente está ocorrendo.

Apesar de, inicialmente, parecer se tratar de uma jornada épica, a história é quase ausente durante a jogatina e o pouco que é apresentado rompe com o clima de seriedade dos games anteriores. Ela tenta rechear os diálogos de piadas e muito bom humor, mas falha miseravelmente neste intento, conseguindo, no máximo, arrancar, a muito custo, um breve e tímido sorriso.

Ser ou não ser infantil, eis a questão

Entre Dungelot 2 e Shattered Lands,  até houve um bom avanço em relação aos gráficos, porém, o estilo deste último foi bastante infantilizado, o que não é bom nem ruim, mas simplesmente, diferente. Não se sabe ao certo a razão para uma mudança brusca como essa, talvez, por se tratar de um spin-off .

Uma surpresa diferente a cada novo clique

Como já foi dito, o game tem muitas semelhanças com Campo Minado. Suas mecânicas básicas consistem, basicamente, em encontrar a chave dourada que abre a porta para o andar posterior. Para isso, você terá que quebrar os bloco de pedra da sala onde você se encontra até encontrar a chave.

Durante este empreendimento, atrás de cada um dos blocos, você pode encontrar tanto tesouros — magias, dinheiro, itens (utilizáveis apenas uma vez)  e até novos equipamentos — como também monstros, que podem por fim a sua vida. Todavia, você não é obrigado a entrar em conflito imediatamente ao descobrí-los e é aí que a estratégia começa.

Caso deseje evitar o conflito, você pode quebrar os outros blocos que não estão próximos ao inimigo,  porém, mesmo que você quebre todos os blocos da sala, poderá não encontrar a chave. Isto significa que ela estárá em posse daquele monstro ou, ainda esteja entre você e o restante dos blocos. Em suma,  muitas vezes lutar será algo inevitável para que você avance no game.

Esse sistema de quebrar blocos, com certeza, é o grande diferencial do jogo e funciona de maneira excepcional, principalmente se você estiver usado um dispositivo móvel como tablet e celular, pois facilitam a execução das mecânicas.

Mas isso é apenas o começo. Dungelot: Shattered Lands possui também vários elementos típicos de RPG, como classes de personagem, atributos e até mesmo tomadas de decisão. Infelizmente, é partir daí que Shattered Lands deixa muito a desejar em relação aos jogos anteriores da franquia.

O título possui um total de quatro classes: Paladino, Vampiro, Bruxa e Bardo, cada um com suas habilidades e vantagens únicas. O problema é que, infelizmente, apenas o Paladino está disponível desde o inicio do jogo, o que pode ser frustante para quem não gosta desse tipo de personagem. Além disso, é comum que RPGs atuais deixem uma certa variedade de personagens jogáveis à disposição desde o começo de sua jornada.

Em alguns momentos na sua partida, você deverá tomar determinadas decisões que envolvem aceitar (ou não) pedidos de ajuda de habitantes locais e explorar melhor determinados lugares. Dependendo da atitude que você tomar, será premiado com itens ou punido com perda de vida. O problema é que, apesar desse desafio ser gerado proceduralmente,  não há muita variedade de situações, fazendo com que você se depare com as mesmas escolhas em uma mesma dungeon.

Outro fator que pode comprometer o jogo é fato dele ter apenas duas opções de idioma: o inglês e o russo. Eu entendo a necessidade de ter o jogo em sua língua materna e que o inglês é considerado atualmente a língua universal, porém, isso pode limitar bastante suas vendas em outros lugares mundo, como a Europa, onde existem vários países que falam francês ou espanhol.

E, por fim, você já se deparou com aqueles momento preguiçosos em que só quer se atirar no sofá, pegar o controle e jogar algo tão simples, cujas mecânicas são quase que intuitivas? Isso seria algo perfeito para fazer com Shattered Lands, porém, ele é um dos poucos lançamentos do Steam que não possui suporte ao joystick e que não há qualquer previsão para tal.

Morrer pode não ser seu passatempo predileto

Dugelot é um verdadeiro “banho de água fria”, apesar de todas as suas imperfeições. Você inexplicavelmente fica viciado e não consegue parar de jogar, mas a diversão não dura muito, pois, em um determinado ponto de sua jornada, a dificuldade aumenta absurdamente, o que pode impedir seu progresso e causar uma enorme frustração.

Infelizmente, Dungelot: Shattered Lands não é um jogo recomendável, a não ser que você tenha um dispositivo sem qualquer outra opção, o que é difícil imaginar com toda a tecnologia dos dias de hoje. Além disso, a diversão não durará mais do que algumas horas, quando a dificuldade se tornar um empecilho quase que intransponível.

Prós

  • Viciante.

Contras

  • História sem graça;
  • Tomadas de decisão repetitivas;
  • Dificuldade má nivelada;
  • Sem suporte a joystick.

Dungelot: Shattered Lands — PC/Mobile — Nota 5.5
Versão utilizada para análise: PC

Revisão: Jaime Ninice
Capa: Peterson Barros

Manoel Siqueira Silva é formado em Análise de Sistema e Filosofia pela UFSCar. Aprecia games de todos os gêneros, mas confessa ter uma queda por RPG e jogos de mundo aberto. Está sempre em busca de games de qualidade que foram subestimados ou são desconhecidos. Este ser pode ser encontrado no Twitter e no Facebook.

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