Jogo do Mês

Testemunhe a sagração de The Witness (PC/PS4) como o Jogo do Mês de janeiro

O povo escolheu e The Witness se torna o nosso primeiro Jogo do Mês!

Na semana passada, perguntamos a vocês qual era o melhor jogo lançado em janeiro. Após uma votação acirrada, temos o nosso campeão. O Jogo do Mês de janeiro é…

The Witness (PC/PS4)

Esse não foi o primeiro “adventure em primeira pessoa em que o jogador controla um personagem mudo numa ilha desértica misteriosa e precisa resolver vários quebra-cabeças espalhados pelo mundo para desvendar o seu segredo.” Essa honra pertence à Myst, o clássico de PC lançado em 1993.

Myst chegou ao mundo na era de ouro dos adventures, época em que a LucasArts e Sierra Entertainment agraciaram o mundo com alguns dos jogos mais memoráveis do gênero. O mercado estava quase chegando ao ponto de saturação com games do estilo. Para cada clássico eternizado na memória de todos, como The Secret of Monkey Island e Gabriel Knight, havia mais dez títulos que foram esquecidos pela história.

Como Myst conseguiu se sobressair nesse cenário e virar um dos jogos mais bem-sucedidos de todos os tempos, com 6.000.000 de cópias vendidas? Sendo uma verdadeira revolução para o gênero.
A concorrência não era fácil nos anos 90.
Adventures sempre tiveram um grande conflito entre suas histórias e seus quebra-cabeças. Muitos jogos do gênero são excelentes, exceto pelos puzzles — o que é um pouco problemático quando se considera que adventures são nada menos que histórias contadas através de puzzles. Tirando os puzzles da equação, temos apenas a história.

Infelizmente, essa frase é verdadeira em muitos casos. Não é incomum os quebra-cabeças terem como única função dar ritmo à trama dos jogos do estilo. Eles são uma ferramenta, não um fim em si. O foco dos adventures e o que os torna realmente memoráveis são os personagens e a história.

Myst seguiu o caminho contrário. Aqui, não havia personagens e a trama não estava no holofote. O foco era a exploração e os puzzles. Em vez de meras ferramentas, os quebra-cabeças eram um fim em si e parte integral da experiência. A ilha de Myst era nada mais do que um gigantesco puzzle com vários pequenos puzzles dentro dela — todos eles fazendo parte e afetando o mundo misterioso em que o jogador se encontrava.
13 anos se passaram e a história parece se repetir. The Witness é um novo Myst não só conceitualmente, como também contextualmente. Estamos no meio de uma grande renascença do gênero de adventure, com vários games inspirados na era de ouro do gênero sendo lançados (Kentucky Route Zero, Dropsy, Deponia e Broken Age sendo apenas alguns exemplos). A maioria desses games têm como inspiração justamente os clássicos que se focavam na trama e personagens — e, por conseguinte, acabam se deparando com os mesmos problemas.

Nesse contexto, surge The Witness. Enquanto todos tentam ser o novo Monkey Island, obra de Jonathan Blow consegue ser o novo Myst, fazendo algo diferente de todos os seus concorrentes. Mas The Witness é mais do que apenas um descendente de Myst. Apesar de todos os paralelos, vivemos numa época diferente, com suas particularidades. John Blow soube olhar para o estado atual do gênero e criticá-lo em seu novo título.


Muitos games decidiram atenuar ou até mesmo eliminar completamente os puzzles da equação que caracteriza os adventures, tornando a linha que os divide das visual novels ainda mais tênue — caso do excelente The Walking Dead. Outros, focaram-se na ambientação e exploração, mas colocaram a interação em segundo plano, dando origem aos infames walking simulators.

A princípio, The Witness parecer ser uma desconstrução dessa problemática. É como se o game dissesse “puzzles e história em adventures não interagem muito bem? Então vou tornar a separação ainda mais explícita!”. Contudo, à medida que se joga, ele se revela uma aversão ao problema. Os painéis de quebra-cabeças espalhados pela ilha estão integrados ao ambiente e é necessário entender o lugar que você se encontra para resolvê-los. Assim como Myst, o jogo como um todo é um gigantesco puzzle com pequenos puzzles dentro dele. Diferente do clássico, temos a clareza como parte central do game design.

Porque vivemos num mundo que esqueceu das lições de Myst e por refletir sobre problemas de adventures novos e antigos, The Witness é o nosso Jogo do Mês.

Resultados da votação

  1. The Witness (PC/PS4) — 37,5%
  2. Darkest Dungeon (PC) — 27,1%
  3. Oxenfree (PC) — 18,8%
  4. Pony Island (PC) — 10,4%
  5. The Aquatic Adventure of the LastHuman (PC) — 6,3%
Obrigado a todos que votaram e até o próximo mês!
Lucas Pinheiro Silva é analista de sistemas web por profissão, gamer por vocação. Tem grande interesse em game e level design, o que o levou a escrever para o GameBlast. Em seu Facebook e Twitter também fala de outras coisas, como HQs, música e literatura.

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