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Análise: Guilty Gear Xrd -Sign- (Multi) mostra o poder dos games de luta 2D

Personagens clássicos, coleção de músicas sensacional e estilo gráfico de cair o queixo se misturam em jogo de luta desafiador e acessível.

Desde o lançamento em meados dos anos 90 no primeiro Playstation, a série Guilty Gear é uma das mais bacanas e criativas do mundo dos jogos de luta, competindo no quesito qualidade com os melhores do gênero. Claro que isso é nada mais do que o natural se considerarmos que a equipe da Arc System Works criadores do Sol Badguy, Ky Kiske e companhia, é composta por ex-funcionários da SNK, como Daisuke Ishiwatari, principal responsável da saga The Last Blade.


De lá para cá a série ganhou diversos títulos, dentre sequências e spin-offs – alguns que fogem, inclusive, do gênero de luta – em vários consoles e de quebra influenciou outros jogos a seguirem o mesmo estilo. Em 2014, após um longo hiato causado por problemas com a marca, os fãs receberam o terceiro título da série X: Guilty Gear Xrd -Sign- (Multi).


O retorno do bom e velho Guilty Gear

Este novo título é uma sequência direta de Guilty Gear 2: Overture (X360), e o primeiro no mundo das lutas desde o lançamento de Guilty Gear XX A Core Plus (Multi) em 2008, a última de diversas atualização do jogo original Guilty Gear XX, lançado para Arcades e Playstation 2 em 2002. Ufa! Que bagunça! Mas todo esse processo além de adicionar novos personagens e pontos na história, também reformulou algumas mecânicas da série.

Além disso, durante o hiato da série a desenvolvedora trabalhou duro no estabelecimento de uma outra franquia de luta: BlazBlue. Ou seja, Guilty Gear Xrd -Sign- era muito esperado por diversos motivos. O resultado de tantas experiências é um jogo com um sistema de combate que apesar se ser bem intrincado e exigir muito do jogador que quiser dominar todas as técnicas, é familiar e tenta dar aquela mão aos novatos.
Sistemas apresentados no jogo são bem explicados em tutorial.
Essa característica se deve em grande parte pelos muitíssimo bem elaborados tutoriais. Lá são explicados de forma exemplar uma infinidade de princípios que podem ser utilizados tanto nas lutas do jogo como em qualquer título do gênero. Eles cobrem desde o básico do básico até conceitos avançados que exigem uma maior concentração do jogador, como a combinação de combos mais complexos, contra-ataques aéreos e noção de espaço.

Logo, se você ainda não teve a chance de conhecer a série, esta é uma ótima porta de entrada.

Mantendo jogadores na ponta do sofá

Entre as novidades que os desenvolvedores prepararam para esta edição do jogo está a expansão do sistema de Roman Cancel, que agora permite ao jogador cancelar qualquer animação de ataque, tenha ela atingido o oponente ou não. Isso adiciona uma nova camada de possibilidades ao combate e exige que os jogadores estejam ainda mais atentos ao que acontece na tela.


Novas possibilidades de combos também foram adicionadas com a expansão do sistema de Dust Attacks, ataques que levam o oponente ao ar. Agora a partir do arremesso é possível também dar um dash que permite a formação de uma variedade de combos ainda mais destruidores. Outro estreante é o Blitz Shield, um movimento defensivo que ajuda a escapar de oponentes muito ofensivos, algo extremamente útil quando a barra de sangue está próxima do fim.

Personagens e modo história excêntrico

Elphelt é uma das Gears que chega ao time de lutadores.
Apesar de ser provavelmente o melhor jogo da série em questões técnicas, há um ponto que pode decepcionar muitos jogadores da “velha guarda”. A quantidade de personagens em Xrd -Sign- é extremamente pequena e vários personagens queridos infelizmente acabaram ficando de fora da seleção final de 15 lutadores, como Anji Mito, Baiken, Dizzy, Jhonny e Jam Kuradoberi. Pelo menos estes três últimos já foram confirmados para a primeira atualização -Revelator- que chega ainda este ano.

Ainda que sejam poucos nomes se comparados a outros jogos da linha, e até mesmo outros do gênero, os personagens aqui presentes são diferentes uns dos outros e também são profundos o bastante para garantirem uma boa diversidade de elenco. Desta forma, o valor replay continua alto por muito tempo até que cada uma ou boa parte das particularidades de cada um seja dominada.

Cada um dos lutadores também possui o seu próprio caminho no modo Arcade, levando todos a um evento importante da história principal do game. Este é outro ponto a ser ressaltado por ser bem exótico: o modo história não é jogável, mas é uma espécie de anime que somente assistimos e lemos as legendas.


O porquê da decisão de deixá-lo separado é uma incógnita. Seria uma resposta às reclamações sobre as longas cenas de Persona 4 Arena (Multi)? Talvez.

Trilha sonora de peso

Quando Dragon Sol entra na parada ele chuta bundas, literalmente.
Quem é fã de Guilty Gear sabe o quão importante é a música dentro da série, tanto durante as lutas quanto na criação dos personagens, inspirados em artistas e bandas de sucesso. A trilha sonora continua tão forte quanto sempre foi e conta com faixas excelentes desde a apresentação, como a ótima Heavy Day, tema utilizado em todos os trailers do jogo.

Confesso que senti muita falta de “Blue Water, Blue Sky” tema do estágio de May em Guilty Gear X e Guilty Gear XX; Porém, não há como deixar de lado músicas empolgantes como “Ride the Fire!”, usada na transformação de Sol. Outras faixas imperdíveis são “Black Blank Blah-Blah-Blah”, “Reunion” e “Flash Rider”. Fãs do estilo metal vão delirar.

Visual de cair o queixo

Outra área em que Guilty Gear Xrd -Sign- acerta em cheio é no visual, que continua surpreendente a cada novo jogo. Desenvolvido a partir da Unreal Engine 3 os gráficos no estilo cel-shading são espetaculares e substituem os tradicionais sprites desenhados à mão utilizados na maioria dos games anteriores da franquia.


O único momento em que a qualidade cai é durante alguns dos Destroyed – golpe especial que mata o inimigo instantaneamente – nos quais o chão acaba sendo todo distorcido. Porém, isso não apaga o brilho e a vivacidade do jogo. É simplesmente lindo ver o jogo em ação tanto pelos modelos dos personagens quanto pelos cenários bem trabalhados e criativos.


Em resumo, Guilty Gear Xrd - Sign - é um jogo de luta excepcional, com muitas novidades e que merece sem dúvida marcar presença na coleção de qualquer dono de PC ou consoles da Sony.

Prós

  • Acessível para novatos, porém, desafiador;
  • Novidades trazem novas possibilidades às lutas;
  • Lutadores variados e únicos;
  • Tutoriais abrangentes facilitam a vida dos iniciantes;
  • Trilha sonora diferenciada no mundo dos jogos de luta;
  • Gráficos em cel-shading fenomenais.

Contras

  • Número de personagens muito baixo;
  • Modo história sem batalhas é desnecessário.


Guilty Gear Xrd -Sign- — PS3, PS4, PC – Nota: 8.5

Revisão: Érika Mitie Honda
Capa: João Leal

Thiago Caires escreve para o GameBlast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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