Analógico

Glitches e zumbis: uma combinação apocalíptica

Após um ano de seu lançamento, Dying Light continua sendo afetado por glitches e a comunidade se divide.


Com a chegada de The Following, a nova DLC de Dying Light, toda a comunidade do game despertou para o hype. Tópicos e mais tópicos brotaram nos grupos do Facebook com as mais variadas dúvidas, desde os impacientes querendo saber quando será o lançamento da DLC até os mais perdidos perguntando o que, afinal, era “DLC”.

Das muitas novidades lançadas — que vocês poderão conferir na íntegra aqui no site — o Nível Lendário promete muitas horas de jogatina. Utilizando a mecânica de master level encontrada em vários jogos do mercado, o Nível Lendário disponibiliza uma aba de talentos adicionais que vão progredindo com a experiência excessiva e que aumentam o poder de ataque e sobrevivência a níveis absurdos.


Por exemplo, uma das armas de fogo mais fortes do game, a espingarda de repetição gravada, possui dano 2500. Até o nível 25 de Nível Lendário, este valor pode chegar à casa dos 8000. No nível 250, o máximo que pode ser atingido, o valor chega à casa dos 34000.

Para se tornar o mais forte e alcançar o máximo de Nível Lendário possível, os jogadores deveriam se dedicar ao extremo, mas não foi isso que aconteceu, pois, logo após o lançamento da DLC, muitos já estavam no topo, graças aos glitches de duplicação.

Foi sem querer querendo

Quase todos os jogos possuem algum tipo de glitch, leve ou grave; alguns ajudam os jogadores e outros atrapalham. Existem aqueles causados acidentalmente, como um chefe super difícil que fica travado na parede, permitindo que você o mate sem esforço algum, e aqueles que causados intencionalmente, como os cheats dos jogos de outrora.

Até o famoso The Witcher 3, ganhador do Game of the Year #2015, possuía um glitch intrigante com o qual, numa determinada luta, o jogador aumentava permanentemente seus atributos ao utilizar bombas de demerítio.



Quando um jogo possui os famosos cheat codes, os desenvolvedores assim quiseram e os disponibilizaram para seus jogadores. Mas quando os jogadores descobrem um “cheat” não intencional, muitos acabam por se aproveitar desta falha do sistema e, em vez de alertar os desenvolvedores, compartilham a informação por todas as redes.

E é neste ponto que a comunidade se divide entre os defensores dos bons costumes do jogo limpo e os usurpadores dos poderes proibidos do glitch.

Existe o bem e o mal?

Espingardas com 54777 de dano.

Na jogatina offline cada um joga da maneira que achar conveniente. O jogador pode usar artimanhas para subir de nível mais rápido, conseguir dinheiro infinito, munição infinita e infinitos itens infinitos. É uma linha direta entre ele e o jogo, o meliante trancado no quarto com sorriso maroto por estar infligindo a lei do jogo limpo sem ninguém poder puni-lo.

Assim como, por outro lado, há também aquele jogador com olhar sério, cabelo de lado e talvez uma gravata-borboleta, admirando a interface do game, lendo todas as missões, decorando todos os botões. Em seu rosto há o mesmo sorriso maroto; não por estar infligindo leis morais da comunidade, mas por estar zerando o game na dificuldade mais difícil apenas com uma faca de cortar peixe.

Mas quando o jogo oferece a opção online, o contexto muda. O jogador não está mais sozinho, e suas ações se refletem diretamente nos outros jogadores, de forma positiva ou negativa, dependendo de com quem se joga.

Haverá aqueles interessados em aprender os segredos obscuros do glitch ou apenas dispostos a usufruir do poder que outrem conquistou. E entre palhaçadas e gargalhadas, munições infinitas e hordas de zumbis famintas, estarão aqueles que se movem estrategicamente, poupando munição, seguindo a jogabilidade planejada, jogando como o jogo foi projetado para ser jogado.



Enquanto cada jogador estiver em seu território com seus iguais, estará tudo bem. Mas quando estas duas forças opostas se encontrarem, a guerra é certa. Em um cenário online com a possibilidade de PvP, o caos se instala.

Um dia da caça, o outro também

O PvP de Dying Light, chamado Seja o Zumbi, é uma competição de até quatro sobreviventes contra um zumbi super poderoso, todos controlados por jogadores — ao estilo do game Evolve. De um lado da batalha, temos os sobreviventes que ganham poder ao jogar a campanha normal do game; de outro, temos o zumbi poderoso que ganha poder caçando os sobreviventes e invadindo suas partidas.

A principio, o zumbi é mais forte que os sobreviventes, então uma boa estratégia e trabalho em equipe são altamente necessários para a vitória. Mas com o advento do glitch de duplicação de itens e a possibilidade de atingir o tão sonhado Nível Lendário 250 rapidamente, o jogo se torna injusto para quem controla o zumbi, pois ele não possui nenhuma “mecânica” que lhe ajude a atingir seu poder máximo, exceto caçar os sobreviventes. Mas como caçar aquilo que está no topo da cadeia alimentar? Ainda mais se forem quatro contra um.



O jogo recompensa o jogador de acordo com suas ações: se os sobreviventes derrotarem o zumbi, ganharão experiência e itens poderosos; e se o zumbi matar os sobreviventes, ganhará experiência a qual poderá habilitar habilidades mais poderosas. Mas como o zumbi ganhará experiência com o desequilíbrio causado pelo glitch?

Em uma análise a longo prazo, é normal que os sobreviventes cheguem ao Nível Lendário 250 mesmo sem glitch — o jogo foi projetado para tal —, mas haveria equilíbrio nas partidas. Os dois lados, tanto dos sobreviventes quanto dos zumbis, progrediriam com igualdade.

Somos todos uma escala de cinza

Eu particularmente não utilizo glitches, mas não posso dizer que sou santo. Sou o tipo de jogador que explora todas as mecânicas possíveis para tornar o caminho das pedras o mais fácil possível, mesmo que para isso eu tenha que enganar a própria mecânica do jogo, mas sem a utilização de glitches. Como isso é possível? Imagine-se em um cenário onde você pode conseguir armas de fogo e munição logo nas primeiras missões — que foram projetadas para serem jogadas com um pé de cabra —, mas que, para isso, você teria que atravessar todo o mapa do game e depois voltar para então começar a aventura de verdade.

Claro que este tipo de estratégia é de gosto pessoal e requer um grande conhecimento do game, geralmente depois de ter zerado uma ou duas vezes, mas não deixa de ser uma trapaça ou uma “manha”, como dizem os saudosos.

No fim das contas, ninguém é bom ou mau, ninguém é trevas ou luz; somos todos como uma escalas de cinza, uns em tons mais escuros e outros em mais claros, mas ninguém nos extremos absolutos. Acredito que ninguém nunca tenha jogado um jogo do começo ao fim sem usar glitch ou bugs ou tenha reiniciado o game porque houve um glitch que facilitou as coisas sem querer. O que deve existir é o respeito entre os jogadores: cada um joga do jeito que se diverte, desde que não atrapalhe o game do companheiro.

Convido a todos para compartilhar suas experiências e opiniões. Comentem!

Revisão: Bruno Alves
Capa: Douglas Marciano

Douglas Fubarion Marciano escreve para o GameBlast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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