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Análise: Ultra Hat Dimension (PC) é um puzzle de tirar o chapéu

Desvende os mistérios do castelo e descubra o que aconteceu com os habitantes de Spluff’s Kingdom.




Dentre tantos games lançados nos últimos anos, há aqueles que se destacam pelos seus gráficos hyper realistas e aqueles que se sobressaem em mecânicas malucas e desafiadoras. Mesmo com tantos títulos diferentes, encontramos sempre aquele “mais do mesmo” em sua essência — até porque os games da atualidade utilizam engines parecidas, senão as mesmas.

No meio deste mar de gráficos 3D e cabelos realistas com a tecnologia NVIDIA GameWorks e afins, o que surpreende são os gráficos 16 bits. Como diz o ditado moderno: em terra de chapinha quem tem cacho é rainha.

Ultra Hat Dimension é um indie puzzle, desenvolvido pela Kitsune Games, que apesar de ser um jogo simplista, em pixel art, quebra o marasmo e rende boas horas de diversão.

O concurso de chapéus

No game você controla Bea, uma designer humana que acabara de ganhar o Concurso Anual de Chapéus do Reino dos Spluffs. Enquanto caminhava pelos corredores do castelo, ela percebeu algo errado. Os guardas haviam sumido e o todos os Spluffs, habitantes deste mundo, estavam de mal humor, agressivos e usando chapéus estranhos.

Dentro deste contexto, você deve controlar Bea para que ela possa driblar todos os obstáculos e ajudar os Spluffs. Para isso precisará passar por cinco andares que somam 66 fases afim de desvendar o grande mistério que ronda o castelo.


O grande problema deste número de fases é que algumas são completamente desnecessárias, quebrando a linha de dificuldade do game. No decorrer da jogatina você vai enfrentando desafios cada vez mais difíceis e, de repente, a próxima fase é uma sala vazia, sem desafio algum. Então eu posso dizer que destas 66 fases, apenas 50 irão desafiar seu raciocínio.

O poder do chapéu

Atiçando os Spluffs a brigarem, que coisa feia.
Em Ultra Hat Dimension os comandos são bem simples, você move a personagem com as teclas WASD ou com as setas do teclado, podendo se mover pra cima, pra baixo, pra direta e pra esquerda. A tecla R é muito importante, pois ela reseta a fase, acredite em mim, você irá resetar a fase muitas vezes.

O objetivo de cada fase é conseguir a chave e abrir a porta para prosseguir. Pelo caminho você encontrará vários Spluffs impedindo sua passagem, eles não deixam ninguém se aproximar, empurrando-o, exceto se você estiver usando um chapéu igual ao do Spluff.

Você encontrará quatro tipos de chapéus durante o jogo: estrela, laço, asa e bruxa. Ao vestir um chapéu, todos os Spluffs que usarem o mesmo chapéu se tornarão amigáveis, desta forma você poderá passa por ele sem ser empurrado ou poderá pedir pra que eles se movam — apesar da animação insinuar um empurrão, a protagonista realmente pede para eles se moverem.


Cada chapéu simula uma facção e Spluffs de chapéus diferentes irão ter reações diferentes ao se encontrarem, alguns irão se empurrar enquanto outros ficarão engajados em um combate sem fim. Aprender essa mecânica é essencial para concluir as fases. Mas não se preocupe, Bea irá anotar as possíveis combinações em um papel que poderá ser consultado com a tecla H.

A beleza dos 16bits

A princípio é tudo muito confuso, principalmente para quem esta desacostumado com pixel art igual eu estava, mas em pouco tempo de jogo você já consegue entender toda aquela paisagem e distinguir um tapete de uma parede, ou uma escada de uma parede — sério, para mim tudo parecia parede. O jogo opta por uma paleta de cores fortes, vivas e alegres. Cada andar possui uma esquema de cores próprio que vão desde o azul claro até o laranja.

Aqueles que tiveram a oportunidade de jogar os consoles de gerações passadas sentirão uma pequena nostalgia. Os gráficos de Ultra Hat Dimension são extremamente simples ao mesmo tempo que são totalmente detalhados. É algo muito bonito de se ver, mas gosto é gosto.

Move please, Pow, Hmmmm

O jogo possui poucas músicas, mas as poucas que ali se encontram são de extrema qualidade. É o tipo de música que mesmo em looping não enjoam. Cada andar do castelo possui uma trilha própria, sendo melodias felizes nos primeiros andares, enigmáticas no terceiro e cheias de ação nos últimos.
Pow Pow
A voz da protagonista é algo que me agradou muito e trouxe um charme ao jogo. Não há diálogos dublados no game, mas algumas ações fazem com que a protagonista diga algumas palavras. Quando ela é empurrada pelos Spluffs, por exemplo, ela diz “pow”; para os Spluffs se moverem ela diz “move please”; e quando se reseta a fase ela diz “Hmmm”, como se estivesse pensando em alguma solução. Bea possui uma voz que me lembra muito Anita Lehtola-Tollin, o vocal principal do quarteto Loituma na música Levan Polkka.

Editor de mapas para programadores

Ultra Hat Dimension possui a opção de se jogar mapas customizados criados pelos próprios jogadores. O grande problema é que ele não possui um editor de mapas dentro do game, sendo necessário a utilização de um software à parte (de terceiros). Mesmo o software sugerido pelos criatores do game sendo gratuito, o processo de criação é complicado e exige muito tempo. No site do game você pode baixar um manual em .pdf que ensina o passo a passo.

Das três fases costumizadas que acompanham o game, a terceira é um easter egg de Legend of Zelda.


Um chapéu para todos governar

No final da aventura você terá uma batalha épica utilizando todos os macetes que aprendeu até então. Diferentemente de jogos de aventura e ação, até na batalha final é preciso usar o raciocínio para dar cabo do boss.

Ultra Hat Dimension é um jogo de gráficos simples, jogabilidade simples e história simples. Mesmo com todo esse simplismo, ele se torna um grande jogo indie e recomendado apenas para quem gosta do gênero.

Quem está acostumado com jogos AAA e não possui a mente aberta para jogos indie, é melhor deixar os chapéus de lado.


Prós

  • Pixal art de primeira;
  • Trilha sonora excelente;

Contras

  • Dificuldade não linear;
Ultra Hat Dimension — PC — Nota final: 7.0
Revisão: Gabriel Verbena
Capa: Diego Migueis
Douglas Fubarion Marciano escreve para o GameBlast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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