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Análise: Doors (PC) traz um bom clima, mas sem profundidade

A busca por bacon, embora rápida, irá levar você por desafios de lógica interessantes.

Você tem somente uma missão: escolha a porta certa e prossiga na sua jornada em busca da felicidade; entre na errada e a morte te espera do outro lado. Nada muito complicado, não é verdade?




Desenvolvido pro Calvin Weibel, e somente por ele, Doors é um jogo de puzzles que é calcado única e exclusivamente na lógica para a solução de seus problemas. Apesar da premissa meio boba (bacon ou morte), há algo de interessante nesse título, se você gosta de jogos que desafiam sua mente.


Em busca do bacon perdido

A mecânica essencial de Doors é basicamente uma: em cada “sala” existem duas ou mais portas, cada uma com uma sentença, que podem estar certas ou erradas. O jogador, então, analisado cada frase, deve tentar deduzir com base nessas informações qual porta leva para a felicidade e assim prosseguir adiante.

Podendo ser enquadrado na categoria “walking simulator”, seu personagem não interage com nenhum elemento do cenário, apenas anda e passa por portas. Todo o “esforço” cabe a você, em pensar qual a escolha correta.

Em todos os puzzles uma porta leva ao bacon. As outras levam a morte
Contudo, errar não é exatamente um problema. Ao morrer, você volta para o inicio da sala, já de cara com as portas, sem nenhuma punição. Sabendo o que acontece com uma das portas, resolver a lógica das sentenças da sala fica mais fácil, já que os problemas não mudam.

Talvez um sistema de puzzles aleatórios fosse uma boa adição ao desafio do jogo, não tornando tão fácil a vida do jogador após uma falha. Isso daria uma sobrevida maior a Doors que, uma vez terminado, não traz conteúdos extras.

Já vi essa porta em algum lugar

A ambientação de Doors traz muito de suas influências declaradas, Portal e The Stanley Parable. Não só por serem puzzles em primeira pessoa, mas por carregaram um ar de mistério sobre seus mundos. Uma sensação de que há uma história por trás do que é inicialmente mostrado. Mas aqui não existe a profundidade desses outros dois títulos.

Exceto por um único trecho, não existe muita informação disponível. Eventualmente você acaba percebendo que nem tudo é bacon e alegria. Mas não espere um drama profundo com reviravoltas. Não convém aqui falar muito mais para não entregar spoilers, mas não vá esperando achar grandes feitos.

Consegue dizer qual a correta?
Não sei se foi intencional ou não, mas em geral há mais indícios do que fatos sobre o por que você faz tudo que faz no jogo. Mas, sinceramente, acabei não me importando com nada do que motiva a história. Há boas ideias, mas resolver os puzzles por si só me motivou mais do que descobrir onde eu estava.

Visualmente, é clara a inspiração em Limbo, com seus cenários em tons de cinza. Dentro do jogo, existe um porquê das fases serem assim, mas, novamente, melhor não estragar a trama com spoilers.

Uma porta para o novo mundo

Doors é uma experiência bem curta, levando de uma a duas horas no máximo para ser concluído. Os puzzles lógicos são bem interessantes e forçam você a colocar a cabeça para funcionar. Mas uma vez terminado, não existe muito o que fazer a mais, exceto se você quiser todas as conquistas do Steam.

O jogo não te proíbe de simplesmente sair passando pelas portas até achar a certa, mas fazer isso não tem muito sentido. Por que pegar um jogo para tirar toda a graça dele sem razão aparente? O bacana é comprar a ideia e se esforçar para solucionar os problemas. Caso erre, é um bom exercício tentar repassar as sentenças e descobrir onde você falhou.

Ei, de onde veio tantas portas?
Mas como dito, Doors um título bem curto. Pode não agradar a alguém que quer ser desafiado aos limites ou pirar em altas teorias de enredo. Mas vejo ele como um ótimo jogo de porta de entrada, para introduzir esse gênero a pessoas não habituadas ao estilo ou mesmo para videogames em geral. Ou simplesmente um bom passatempo para os mais experientes.

Um último detalhe: o jogo é todo em inglês. Mas como só há textos e não existe ação, usar algum tradutor no lado é uma opção válida para quem não entende o idioma.

Prós

  • Jogabilidade simples;
  • Desafio bem equilibrado;
  • Exige bom nível de raciocínio;

Contras

  • Trama sem muita relevância;
  • Não há punições por erros;
  • Replay praticamente inexistente

Doors — PC — Nota: 7.0

Revisão: Vitor Tibério
Flávio Augusto Priori é formado em design de jogos e tenta ganhar a vida com esse negócio chamado video game. Para ele Metal Gear é a melhor série já feita e ainda acredita na volta da SEGA. Escrevia para o saudoso Minha Tia Joga LoL e hoje pode ser achado no Facebook e no Twitter.

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