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Análise: Assassin's Creed Chronicles: Russia é a volta da franquia ao stealth

Assassin's Creed Chronicles: Russia promete ser a volta da franquia ao gênero stealth. Será que ele atinge esse objetivo?

Assassin’s Creed é uma das séries mais famosas da história dos jogos. Com oito títulos principais, não é de se estranhar que outros produtos acabem surgindo devido ao sucesso da marca, como o futuro filme estrelado por Michael Fassbender ou a série de spin-offs Chronicles. Assassin’s Creed Chronicles: Russia é o terceiro e último jogo da série que leva a mitologia da franquia da Ubisoft para o gênero “plataforma stealth”. Será que o título faz jus à franquia?

Mãe Rússia

Como já é normal em Assassin’s Creed, a história do jogo se passa ao fundo de um grande evento histórico, nesse caso a Revolução Russa de 1918 (ou terceira revolução russa). O jogador encarna Nikolai Orelov, experiente assassino da ordem que tem como missão recuperar uma caixa, visada pelos templários, das mãos do próprio Czar.
Apesar da história do jogo não ser nem um pouco criativa, ela serve muito bem para inserir o jogador dentro do contexto histórico da Rússia pré União Soviética, de forma que todas as interações entre a narrativa do jogo e os eventos históricos narrados são fluidas e não parecem forçadas.

Essa imersão talvez seja o ponto mais forte do jogo. Da narrativa aos visuais, tudo parece ter sido cuidadosamente construído para tornar a imersão do jogador na “Mãe Russia” o mais forte possível (característica comum nos jogos da franquia). Como se não bastasse isso, todos os personagens possuem um forte acento russo, ajudando ainda mais nessa imersão.

De novo?

Eu sei que falar de repetição quando se escreve sobre Assassin’s Creed é um clichê, mas não é exatamente isso que quero abordar. Por mais que Russia seja parecido (ou quase igual) com seus antecessores (India e China) o maior problema deste é a repetição dentro do próprio jogo, em especial na sua jogabilidade.

Primeiramente vamos então explorar essa jogabilidade. Embora o jogo tenha sido passado para um ambiente 2D, a Ubisoft fez um excelente trabalho ao trazer aspectos marcantes da franquia para essa nova ambientação. Assim como nos jogos principais da saga o jogador poderá efetuar execuções, esconder corpos, se esconder em moitas e até mesmo fazer os famosos saltos de fé. E é preciso ressaltar que os primeiros minutos do jogo são extremamente interessantes, pois são neles que temos os primeiros contatos com todas essas possibilidades, além dos gadgets que serão usados ao longo da aventura (como granadas de fumaça e ganchos).

O primeiro grande problema, entretanto, aparece em um aspecto que não foi absorvido dos jogos originais. Se em Assassin’s Creed o jogador tem a possibilidade de enfrentar grandes combates corpo a corpo com diversos oponentes caso seja descoberto, no novo título não é exatamente assim que funciona. Nikolai deve ter faltado as aulas de autodefesa da irmandade, pois bastam dois, ou até mesmo um, ataque físico para que ele seja derrotado e o jogador tenha que refazer uma grande parte da fase.

Essa grande dificuldade não se limita apenas às lutas. Algumas sequências de corrida são insanamente difíceis e (afirmo isso com toda certeza), independente da habilidade do jogador, algumas tentativas serão necessárias apenas para saber como proceder no desafio (e mais algumas para finalmente conseguir superá-lo, devido a alguns problemas nas mecânicas de parkour). Caso você tenha jogado ou jogará o game no futuro, lembre-se da fase em que você precisa seguir um trem em movimento como melhor exemplo disso.

Embora as partes stealth, as mais importantes do jogo, não sejam tão difíceis, elas podem ser muito repetitivas e frustrantes. Muitas vezes eu fiquei parado alguns segundos tentando achar um padrão para usar uma saída “inteligente” para determinada situação, apenas para, depois de repetidas tentativas, usar uma saída mais simples (como abusar do rifle e das granadas de fumaça). Embora muitos desafios estejam presentes no jogo, a falta de uma dica ou linha de ação a seguir, faz com que o jogador acabe optando muitas vezes pela mesma solução tornando a experiência repetitiva.

Nem tudo é vermelho

Engana-se, entretanto, quem acredita que toda a experiência de Assassin’s Creed Russia é ruim. Em determinado momento da jogatina outra personagem é inserido na trama (evitarei spoilers) e o jogador alternará o controle entre ela e Nikolai. Com um set de skills diferente do experiente assassino, a jogabilidade com essa personagem é muito mais interessante justamente por possuir uma linha de ação mais clara para o jogador, recompensando-o por parar para tomar a melhor ação.

Em algumas poucas fases, o jogador deverá controlar ambos os personagens (um de cada vez). Nessas ocasiões a diferença entre eles é muito bem explorada. Nikolai será o responsável por dar cobertura, ao alcançar lugares altos e utilizar seu rifle de longo alcance, para a jovem e misteriosa personagem (sem spoilers) que deverá tentar passar pelos inimigos de forma mais sutil e imperceptível. Esses momentos são extremamente divertidos (porque quebram a repetição na jogabilidade) e salvam o jogo em diversos momentos. O grande erro da Ubisoft aqui foi não ter abusado mais dessa interação. Apesar de ótimas, essas fases não representam uma grande parte do tempo de jogo.

A Ordem dos Assassinos não é para todos

Assassin’s Creed Chronicles: Russia possui algumas qualidades, como ambientação e algumas fases específicas, mas seus defeitos muitas vezes falam mais alto. Embora muito da essência da franquia original tenha sido passada com sucesso para esse spin-off, a repetição de mecânicas e dificuldade elevada pode assustar boa parte dos jogadores. Caso você seja um fã de carteirinha da franquia, vale a pena conferir. Caso contrário, talvez seja melhor esperar o próximo título “normal” da saga.

Prós

  • Ambientação e contexto histórico;
  • Fases com ambos os personagens.

Contras

  • Jogabilidade repetitiva;
  • Dificuldade muito elevada;
  • Pouco carisma dos personagens.
Assassin's Creed Chronicles: Russia - PC/XBO/PS4 - Nota final: 6.5
Versão utilizada para análise: PC

Capa: Esdras Ferreira
João Pedro Meireles é graduando em Engenharia de Computação na UFRGS. Viciado em jogos, em especial Mobas e RTS, passou boa parte da vida jogando-os e pesquisando sobre aqueles que não teve tempo de jogar, o que o levou a virar redator do GameBlast.

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