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Análise: Zombie Vikings (PC/PS4) apresenta um ousado senso de humor negro

O novo jogo de Zoik Games é um beat ‘em up cheio de piadas marcantes.


Não é de hoje que os mortos-vivos estão em voga não só mundo dos games, como todas as demais mídias, tanto em narrativas do gênero terror como recem lançado Resident 0 HD Remaster (Multi) como em histórias de comédia como em Plants vs. Zombies (Multi) e a série Dead Rising. Bons jogos envolvendo este último gênero, no entanto são bastante incomuns. Para preencher esse vazio, a Zoink Games,  a mesma desenvolvedora de Stick It to the Man (Multi), criou Zombie Vikings (Multi), um Beat ‘em up (briga de rua) de ação, aventura e, principalmente, com uma narrativa recheada de humor negro.

Como um livro pop-up

A história do game se passa há séculos atrás, quando Odin, o pai dos deuses nórdicos, mais uma vez, está decorando sua lança de guerra com (acredite!) glitter, quando seu irmão Loki, o deus do caos e enganação, astutamente rouba seu olho mágico. O pai dos deuses resolve devolver parcialmente a vida a 4 dos maiores guerreiros vikings já existentes: Seagurd, Caw-Kaa, Gunborg e Hedgy e os incumbe de recuperar este importante artefato.

A primeira vista, o game lembra muito a série Rayman, tanto devido a trilha sonora quanto ao estilo de desenho quanto dos personagens e do cenário. O paradigma, porém, é quebrado quando se começa a observar a movimentação dos heróis e descobre-se que estes não possuem laterais, mas  apenas a frente e costas , em outras palavras, se tratam de Figuras de papel 2D. O visual lembra muito jogos como Paper Mario (Wii, Wii U, N64, DS, IQue Player) e, principalmente, livros pop-up infantis.

Cérebro é vida, literalmente falando

A primeira coisa que se nota é o loading (carregamento) inicial do jogo que é extremamente demorado, fato no mínimo curioso visto que até mesmo os computadores mais simples são capazes de roda-lo sem qualquer dificuldade.

Há dois modos de jogo: Story (história) e Versus Arena. O modo história lhe permite conhecer a narrativa do game e  percorrer os mais de 25 estágios que fazem parte do mundo. Enquanto o segundo modo disponibiliza cinco Arenas, para que você possa desafiar seu amigos para diversos desafios, incluindo combates. Ambas as modalidades suportam um multiplayer de até 4 jogadores simultâneos, em uma mesma partida.

Como foi dito a pouco, existem 4 personagens no jogo base, mas também há outros dois outros personagens que podem ser adquiridos via DLC pago. Recentemente, foi adicionada gratuitamente a versão zombie do personagem Raz, protagonista do jogo Psychonauts (Multi).

Cada um dos heróis possui habilidade únicas: Seagurd é uma criatura meio zumbi, meio polvo e pode contaminar seus inimigos com sua tinta de molusco e arremessa-los para longe com seu tentáculos; Caw-Kaa é uma harpia zumbi, seu par de asas permite tanto voar sobre os adversários quanto produzir vento e empurrá-los; Gunborg, uma enorme guerreira que pode arremessar seu braço e inchar todo o seu vigoroso corpo até explodir; e, finalmente, o favorito dos jogadores,  Hedgy um baixinho invocado que pode cuspir esqueletos explosivos e joga-los contra seus adversários. Se você não ficou satisfeito com essa descrição dos personagens, não se preocupe, durante sua jornada você terá oportunidades de conhecer mais de perto a história pessoal de cada um dos heróis.

Além de seu personagem, também será possível escolher sua espada e sua runa. Cada uma das armas possuirá tanto vantagens como desvantagens, aumentando ou diminuindo atributos como dano e velocidade, além de fornecer algumas habilidades especiais únicas, como envenenamento e jogar o inimigo para longe.

Há duas maneiras de adquirir novos equipamentos, comprando com moedas - que você adquire durante as fases, quebrando barris, derrotando inimigos ou realizando side-quests. Apesar de definitivamente não ser um RPG, o game possui várias dessas missões em cada uma das fases, algumas bastante evidentes e outras escondidas. De qualquer maneira, a maioria delas exige que você recupere um determinado item para um determinado NPC e em troca ele lhe presenteia com um novo equipamento (espada ou runa) que não poderia ser adquirido de outra maneira.

Na maioria dos estágios, você poderá ser acompanhando de uma espécie de pet, uma criatura que lhe ajudará a destruir seu inimigos e alcançar seu objetivos. Na primeira fase, você será acompanhado por uma cabeça falante de um zumbi milenar, a qual você pode arremessar nos inimigos. A partir do segundo estágio, este zumbi passa a ser o seu mentor e seu novo companheiro será um porco com asas e um chifre de unicórnio; ele vomita um tipo de lavagem que lhe auxilia a alcançar lugares mais altos, impossíveis de se chegar normalmente e, posteriormente, poderá ser equipado com um canhão.

Uma vez que será uma longa jogatina, afinal de contas são dezenas de mapas e estágios, o jogo lhe permite salvar seu progresso vários momentos. O mais comum deles é durante as fases através de uma estátua de Zumbi que simboliza Checkpoint, mas você também pode fazer isso no intervalo entre uma fase e outra ou ainda, automaticamente, ao se deparar com um Boss.

Zombie Vikings todavia não é apenas um mero Beat ‘em up, sua narrativa é composta de inúmeros momento hilários, como quando Loki finge estar romanticamente interessado em uma velha bruxa em troca de proteção contra Odin. Acontece que essa velha, além de ser gorda, nariguda e verruguenta, como uma típica bruxa de contos infantis, ainda por cima possui fungos em lugares inusitados e tenta utilizar isso para conquistar Loki e convence-lo a se banhar com ela em seu caldeirão.

Outro destaque são as músicas que tocam quando você pausa o game, começa a tocar um um dingle sobre “breaks” e aparece uma xícara de café no fundo de tela, como se você realmente estivesse fazendo uma “pausa para o lanche”. Vale ressaltar também o grito agudo, típico de Heavy Metal melódico, que ressoa todas as vezes em que você mata seu inimigos usando um ataque carregado.

Uma senso de humor nórdico

Infelizmente, o game não possui localização nacional, em outras palavras, interface, dublagem ou legendas em português, o que facilitaria a compreensão não só da narrativa, mas principalmente dos momentos cômicos do jogo, que são presença constante e exigem um domínio maior do idioma estrangeiro.

Zombie Vikings apresenta uma combinação de estilo visual, música e narrativa simplesmente impressionante. Mas o ponto forte do jogo são realmente as piadas de humor negro, principalmente as que envolvem o vilão, Loki. Infelizmente, esse é mais um game que não traz grandes novidades em questão de mecânicas, o que de maneira alguma ofusca seu brilho.

Prós

  • Visual Pop-up 2D
  • Humor negro
  • Personagens únicos

Contras

  • Não possui grandes inovações em questão de mecânicas 

Zombie Vikings — PC / PS4 — Nota 7,5
Versão utilizada para análise: PC

Revisão: Gabriel Verbena
Capa: João Leal

Manoel Siqueira Silva é formado em Análise de Sistema e Filosofia pela UFSCar. Aprecia games de todos os gêneros, mas confessa ter uma queda por RPG e jogos de mundo aberto. Está sempre em busca de games de qualidade que foram subestimados ou são desconhecidos. Este ser pode ser encontrado no Twitter e no Facebook.

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