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Análise: Em Disco Zoo (iOS, Android), resolva puzzles cheio de papéis no bolso

Jogando de graça e dando tempo ao tempo, tenha contato com animais selvagens e jogos mobile na medida certa.


Sempre fico com um pé atrás com jogos de celular quanto à questão de durabilidade, eles raramente duram mais do que algumas semanas ou a fórmula é repetitiva o bastante para você largar logo na primeira. Disco Zoo consegue ter uma fórmula muito viciante e duradoura, levando um mês ou mais para ser zerado se jogado com leveza.


O segredo é justamente jogar de pouco em pouco e fruir pequenos momentos de diversão e descoberta coletando animais silvestres para o seu zoológico prosperar, chamando, assim, um público pagante cada vez maior. É um ciclo: você “resgata” (que palavra infeliz para retirar animais da natureza) os bichos em um balão ou dirigível, coloca eles numa jaula, e cobra por isso. Os visitantes te permitem arcar com novas expedições para lugares mais distantes atrás de animais mais raros, que atraem um público ainda maior, e assim por diante.

Quebrando a banca

O sistema de encontrar animais acontece em uma grade de 5x5 quadrados. Eles estão ocultos de cabeça para baixo e dispersos no grid, cabe a você encontrá-los. Lembra muito o minigame de escavação no Underground de Pokémon Diamond, Pearl e Platinum (DS), a diferença é que lá eram fósseis.
"Harvest Zoo".

São diversos padrões que começam com formas simples e que vão mudando ao ponto de as peças não ficarem mais juntas mas continuarem representando ainda o mesmo animal, misturando-se umas com as outras em uma ótima pixel art. Os animais mais comuns são formados por quatro peças. Os da categoria mítica, como unicórnios e criaturas da imaginação, são formados por três, mas não pense que é moleza decorar o padrão de todas sem se confundir. Ao todo são dez habitats diferentes para conferir, todos com seis animais em cada. Depois de um tempo perdendo rodadas indo só pela memória ou pelo instinto, você vai começar a andar com vários papéis no bolso com as formas de cada um anotadas. A fórmula é repetitiva, mas no fundo é viciante.

Prepare seu bolso

De volta ao zoológico, o dinheiro é adquirido automaticamente enquanto os animais estão acordados na jaula entretendo a galera ou com as doações (esmola) que os visitantes deixam no chão do zoológico — às vezes quantias bem polpudas como moedas de prata. Para conseguir mais grana é necessário multiplicar a quantidade de animais, e de preferência das categorias mais altas, que são divididas em comum, incomum, raro e mítico. Os míticos são sempre originários de lendas folclóricas ou fábulas. Um em especial é protagonista de uma franquia com várias tartarugas, mas enfim, é muito divertido descobrir um desses.

Depois de colecionar vários níveis de exibições iguais, você lota a capacidade da jaula e pode escolher transformar as próximas em dinheiro ou usar como “combustível” para gerar um troféu do animal, com efeito meramente decorativo, mas é legal conseguir vários para ter uma ideia do progresso no jogo. Os troféus também têm categorias, sendo a diamante a mais alta.

Melhor continuar free-to-play

Caso você continue encarando como um free-to-play, e não gastando dinheiro de verdade nele, o jogo tem um ritmo suave. A responsabilidade de acordar cada vez mais animais e catar moedas para permitir viajar para novos habitats e ter mais padrões para decorar exige concentração e alguma dedicação, mas você não vira um zumbi do jogo, como na franquia Animal Crossing. O dinheiro de verdade também entra aqui para acordar todos os animais juntos botando o globo de discoteca para girar, com vários esquemas luzes, porque é meio cansativo ficar indo de jaula em jaula acordando a bicharada.
Dancem, macacos, dancem!
Se estiver a fim de experimentar outra vibe dentro do jogo, tem um easter egg no qual você precisa evitar acidentes de trânsito com um ônibus escolar com a mesma mecânica de Flappy Bird (iOS/Android), o minigame Funky Bus. Para cima e para baixo, usando apenas um clique, bem aleatório. Além disso, usando dinheiro real existem vários chapéus e máscaras para comprar na loja e customizar os animais. Curiosidade: tem um cameo de Disco Zoo em Crossy Road (Mobile), o divertido endless runner hipster.

WTF.
O dinheiro real pode ainda ser substituído por dólares do jogo que às vezes são obtidos nas caçadas, mas são raros e, claro, estão em um dos 25 quadrados da grade, logo é melhor não contar com eles e ter a expectativa frustrada. Alguns animais fujões também gostam de escapulir da jaula de vez em quando, e se você recuperá-los a tempo, pode ganhar recompensas como dinheiro (de verdade e de mentirinha) e chapéus.


Nada como desafiarem nossa memória e a nossa constante mania de acharmos que estamos sempre certos. Esse joguinho lançado em fevereiro de 2014 é no geral um ótimo companheiro para carregar no celular, nada muito rebuscado, apenas um passatempo divertido, simples e carismático. Melhor assim do que insistir muito tempo em uma coisa e acabar enjoando. Disco Zoo é recomendado para rotinas entrecortadas e quem conhece a arte secreta de não olhar o celular a todo instante.

Prós

  • Quebra-cabeças que enganam nossa memória;
  • Pixel art carismática;
  • Duradouro se jogado sem neura, sem pressa; 
  • Free-to-play.

Contras

  • Não vai muito além de um passatempo;
  • Fórmula viciante, mas no fundo repetitiva.
Disco Zoo — Android, iOS — Nota 7,0
Versão utilizada para análise: Android

Revisão: Vitor Tibério
Capa: João Gilberto Melo
Rafael Buffon é formado em Jornalismo pela UPF e redator no GameBlast. Além de videogames portáteis curte literatura, jazz e é apaixonado pela banda Velvet Underground.

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