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Análise: Star Horizon (PC) falha em tudo que não deveria

Um ótimo exemplo de como não fazer um Shooter On-rails.


Mais uma guerra espacial. Federação contra Rebeldes. Em um futuro bem adiante, numa galáxia talvez muito, muito distante (calma que não é Star Wars). Você é John, um simples piloto da Federação em uma nave quase totalmente controlada pela Inteligência Artificial chamada Ellie. Sua única função é atirar e matar Rebeldes. Em um contexto bastante clichê, a Tabasco Interactive promete dar uma nova cara ao On-rails, não tendo tanto sucesso assim.

Dúvidas e caminhos diferentes


Logo no início, Star Horizon avisa que suas decisões importam no rumo da história. Ainda que de forma simples, a maioria das missões sempre lhe oferece duas escolhas diferentes, que vão mudar como seu personagem interage com a Federação e os Rebeldes, causando dúvidas sobre que lado você deve seguir. Um grande ponto positivo, pois apesar da campanha curta, é um bom incentivo para revisitar o jogo, conhecendo o outro lado da história ou até fazendo um misto, pois cada escolha é independente de uma missão para a outra.

Com apenas 10 fases lotadas de ação e muitos inimigos, durando cerca de 10 a 15 minutos cada. É possível atingir uma pontuação de até 3 estrelas ao final das fases, influindo em quantos créditos você ganha para gastar em upgrades da nave. O jogo consegue ser muito exigente, pois se você for razoavelmente mal na missão sua recompensa vai ser pouca, te deixando apertado na hora de escolher uma evolução de arma ou armadura. Talvez até com a intenção de que se repita várias vezes uma missão para acumular mais dinheiro, pois o salto de dificuldade entre uma missão e outra é grande.

Mirar e explodir, ou esquivar e morrer?

Uma das características principais que um on-rails deve ter é um ótimo sistema de mira. Star Horizon não tem. Diferente de outros do gênero, como Star Fox e Panzer Dragoon, onde a mira guia seu personagem, aqui é a nave que guia a mira, obrigando você a adivinhar a posição exata da nave para mirar nos inimigos. Pode não soar tão ruim assim, mas é. Diferente de um shoot’em up 2d, atirar para todo lado não funciona aqui.

Em um jogo que vende a idéia de ação ininterrupta com muitos tiros e explosões em 3D, parar para acertar seu local exato de mira enquanto tenta esquivar de obstáculos, lasers e mil inimigos é uma tarefa não apenas difícil, como frustrante. Apenas uma das suas armas tem lock-on (múltiplo, pelo menos isso) e você vai gastar muito para deixá-la efetiva, quando na verdade deveria estar comprando uma armadura melhor, que também é bem cara.

Aliás, graças aos controles nada responsivos, a esquiva deixa muito a desejar. Usando o mouse e teclado (foi impossível testar o jogo em gamepad, ele não reconheceu de forma alguma), a nave não acompanha o movimento do mouse com perfeição, dando um grande atraso na resposta e falhando muitas vezes no momento de esquivar.

Engraçadinhos no espaço

Para compensar o ritmo intenso de ação, Star Horizon tenta lotar seus diálogos com alívios cômicos, uma triste decisão que não afeta os jogadores de forma positiva. O que deveria tornar o jogo engraçado, faz as conversas e personagens parecerem muito forçados, com piadinhas clichês e excessos de frases de efeito. Tudo fica ainda mais grave com uma atuação fraca dos dubladores. Isso acaba tirando muito do interesse na história, que já não é um ponto forte do jogo.


Apesar de barato (R$16,99), as falhas de Star Horizon superam bastante seus pontos positivos, deixando uma experiência frustrante e não satisfatória, tudo graças a algumas pequenas decisões cruciais no design do jogo. Se o sistema de mira fosse eficiente, os outros erros seriam diminuídos em vista do potencial do título. A ação e a customização são boas, mas nada disso pôde ser bem aproveitado, infelizmente.

Prós

  • Escolha de rumos diferentes na história;
  • Nave customizável com upgrades de armadura e arma.

Contras

  • Controles fracos e não responsivos;
  • Mira sofrível e nem um pouco prática para um on-rails;
  • Salto de dificuldade incoerente;
  • Dublagem dos personagens deixa a desejar com excesso de piadas forçadas.
Star Horizon - PC - Nota: 3,0
Revisão: Gabriel Verbena
Capa: Gabrielle Mustafa
Gabrielle Mustafa estuda Sistemas e Mídias Digitais e é redatora no GameBlast. Só lembra de largar o controle para dividir tempo com seus outros vícios: animes, mangás, livros e bichos. É apaixonada por RPG’s, platformers, hack’n slash e qualquer outro jogo com uma narrativa incrível.

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