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Análise: ENYO Arcade (PC): morra muito e continue tentando

Desconfie de qualquer pixel perto de você.


Feito por apenas um desenvolvedor, James Mearman, ENYO é um platformer de tiro com movimentação bastante rápida, onde qualquer pulo (e qualquer coisa) podem significar sua morte. Sem pretensão de ter uma história envolvente de background, o jogo inicia apenas informando sobre seu planeta, Ataraxia, que um dia já foi bastante próspero, mas hoje vive em guerra e seu objetivo é simplesmente fugir dele.

Atire primeiro, pergunte depois

Contando com apenas 4 estágios, o primeiro é utilizado como tutorial de como o jogo funciona, sua movimentação e estratégias básicas. As armas estão todas desbloqueadas em estações onde você deve escolher apenas uma e depender dela até a próxima estação. Acredite, essa escolha pode tornar seus próximos passos fáceis, ou extremamente irritantes. Apesar de variadas, com alcance, impacto e precisão diferentes, certas armas parecem feitas apenas para tornar sua progressão mais difícil.

Em um jogo onde as maiores exigências são velocidade e reflexo, ter uma arma com cadência de tiros extremamente baixa parece uma decisão bastante duvidosa, senão ruim. Tanto que em uma primeira jogada, das 8 armas disponíveis, só achei realmente 3 utilizáveis: a Nail Gun, que aparenta ser um auto rifle, a Plasma Gun, que já lembra mais uma pistola e a Rocket Launcher, que apesar de bastante lenta, ajudava muito contra turrets e robôs. Entre as outras 5, estão minas, drones e outros tipos de pistola, além de uma “shotgun” de longo alcance.

Depois da fase tutorial, as próximas já mostram bem mais as armas do jogo contra você. Além dos inimigos, todo o cenário é uma grande armadilha. Ao mesmo tempo em que você deve atirar muito para sobreviver aos constantes inimigos, um pulo errado ou com pouco impulso é o suficiente para fazer seu personagem cair em um campo de força ou buraco. Para piorar, você não tem direito a erros, qualquer dano é morte e você volta ao início da área que entrou. Quase um misto de Super Meat Boy (Multi) e Contra. Apesar disso, o jogo só conta com duas lutas contra “chefes” que mal podem ser assim consideradas, graças a facilidade, rapidez e falta de impacto no encontro contra eles.

Retrô moderninho

ENYO se aproveita muito bem do seu gráfico pixelado. Mesmo com o visual muito minimalista, os detalhes são discretos e bem feitos, enquanto a animação é fluida e precisa, como um jogo desse estilo pede. Além da clara inspiração em jogos dos anos 90, os pixels também servem para camuflar os inimigos menores, que podem ser confundidos com partes do cenário.

A jogabilidade é sólida tanto para os que preferem o teclado e mouse, quanto para os usuários de controle. Enquanto usar o mouse favorece bastante a mira, o controle auxilia muito nos movimentos rápidos do personagem. Isso possibilita até uma mistura entre os dois, dependendo da situação. Apesar disso, nos momentos de aperto, o que seria um ponto forte do jogo pode tirar bastante a paciência, pois há trechos onde ambos, velocidade e mira, são importantes.


Focado no seu alto fator replay, no final da primeira partida o jogo estimula você a tentar novamente sem morrer e sem matar ninguém. Além disso, na tela inicial há um ranking dos jogadores que fizeram as partidas mais rápidas, então no final das contas ENYO se comporta como um mini arcade aliado às conquistas da própria Steam.

Arcade de fichas infinitas

Pelo seu preço consideravelmente baixo (R$ 13,99), ENYO é recomendado àqueles que gostam de jogos rápidos que trazem de volta a sensação dos fliperamas antigos com um alto fator replay, em partidas com armas diferentes, sem mortes ou sem matar ninguém. Apesar de muito curto, é uma diversão rápida e garantida, levando em média 2 horas para terminar a primeira vez e deixando a possibilidade de você se desafiar de formas variadas em outras tentativas. Só é necessário lembrar que ele também se inspira muito bem na dificuldade elevada desses mesmos fliperamas, então espere alguns bons momentos de frustração. E lembre-se: continue tentando.

Prós

  • Jogabilidade rápida e precisa;
  • Alto fator replay.

Contras

  • Variedade de armas engana;
  • Muito curto;
  • Chefes de fase são irrelevantes.
ENYO Arcade - PC - Nota: 6,5
Revisão: Gabriel Verbena
Capa: Gabrielle Mustafa
Gabrielle Mustafa estuda Sistemas e Mídias Digitais e é redatora no GameBlast. Só lembra de largar o controle para dividir tempo com seus outros vícios: animes, mangás, livros e bichos. É apaixonada por RPG’s, platformers, hack’n slash e qualquer outro jogo com uma narrativa incrível.

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