Blast Test

Indivisible (Multi) é um jogo que merece sua atenção

Inspirado em Valkyrie Profile e Metroid, o RPG desenvolvido por membros da equipe de Skullgirls mostra muito potencial.

Dificilmente eu daria este título a uma matéria sobre algum jogo grande, ou mesmo para uma análise de um game lançado. Mas Indivisible merece sua atenção, sobretudo por sua demonstração, ou protótipo, ter qualidade, mas também porque o jogo ainda está em período de financiamento coletivo, e relativamente distante de alcançar sua meta.


A desenvolvedora Lab Zero não faz questão alguma de esconder quais são suas duas principais influências e referências para construir Indivisible: Valkyrie Profile e Metroid. Se este último é um clássico incontestável, criador e influenciador de um gênero importante dos jogos (o tal metroidvania), o primeiro é uma pérola dos RPGs, um título que ousou em diversas frentes, indo na contramão de uma série de convenções do gênero na época e se tornando um dos games mais importantes do PlayStation. O que será que esse protótipo tem a nos dizer sobre Metroid, Valkyrie Profile e, sobretudo, Indivisible?

Diz que fui por aí

Na demonstração seguimos um pequeno animal, aparentemente de estimação, que está fugindo de Ajna. Tal caçada nos leva a explorar as ruínas de alguma antiga construção. Sem nenhum indicador, devemos seguir em frente e ir encontrando os caminhos do local. Em Super Metroid precisamos retornar ao planeta Zebes e explorar todo o lugar, sem nenhum indicador. O título estrelado por Samus Aran não é apenas sobre se perder e alcançar novos locais após conseguir um novo item ou habilidade, mas é também uma experiência hostil e solitária. A angústia frente ao desconhecido que nos trazia uma experiência jogável de ficção científica.


Indivisible não parece hostil, tampouco solitário, mas pretende capturar essa ideia de exploração de um ambiente em side-scrolling, de conseguir alcançar novos locais a partir de um novo item ou habilidade. É claro que em uma pequena demonstração fica difícil criar um espaço muito grande, sendo assim, não foi possível se perder (daquela forma exploratória) no mapa.

Mas dá para ver claramente a intenção de criar cenários cheios de segredos, prontos para serem explorados. Claro que, sem uma atenção especial para essa ideia da exploração, mesmo nesse quesito o título ficará muito mais parecido com Valkyrie Profile do que com Metroid.

Sem tutoriais pipocando na tela, a forma que o pessoal da Lab Zero encontrou para mostrar ao jogador o caminho, ou o que fazer para passar algum obstáculo, é através dos próprios cenários. O melhor exemplo é esse:


Ao ver um machado fincado na parede, logo pode-se concluir que o machado que acabamos de conseguir nos faz escalar paredes. Se esse tipo de utilização do cenário se unir à construção de grandes mapas, recheados de diferentes locais acessados de diferentes formas, poderemos dizer que a influência de Metroid foi bem utilizada para o desenvolvimento de um jogo totalmente distinto.

Sorrir pra não chorar

Ontem a noite eu resolvi jogar novamente Valkyrie Profile. Esse ímpeto pode ser colocado na conta do sistema de batalha de Indivisible, que é muito semelhante ao do clássico de PlayStation. A cada personagem é atribuído um botão, nos possibilitando diversas combinações de ataques, inclusive utilizando especiais tão logo a barra cresce. Mas existem algumas diferenças interessantes, como a possibilidade de se defender dos ataques em tempo real (o que é bastante importante) e os personagens agem de acordo com a velocidade de reposição de sua barra, não a partir do começo de um turno.
Essas diferenças, de ênfase na defesa e de uma batalha com "turno" individual, acabam trazendo uma boa dose de estratégia ao combate, além de puxar a batalha mais para o lado da ação. O que fica muito evidente na última batalha do protótipo, que é bem divertida e desafiadora, fazendo com que usemos tudo que aprendemos ao longo da demo. Assim como Valkyrie Profile, Indivisible também trará um grande número de personagens que são ligados à personagem principal, Ajna. Ainda não sabemos por quais caminhos irá o enredo e como esses personagens serão construídos, mas a impressão que tive é que o novo título irá ser mais leve, trazer menos histórias tristes e soturnas. Aqui a ideia é utilizar uma série de lendas e mitos, de diferentes culturas, para desenvolver personagens, cenários e inimigos.

Indivisible não esconde suas fontes de inspiração, mas também não pretende copiá-las. Tanto do ponto de vista do enredo e da parte visual, quanto em novas ideias para o sistema de batalha, o título parece querer trazer uma experiência nova a partir de influências clássicas.
De qualquer forma, Indivisble ainda precisa conseguir uma quantia considerável no curto período de 10 dias para que se torne realidade. Se você não conhecia o projeto, e mesmo se você já conhecia, considere visitar a página do financiamento. Não seria nada mal esse jogo ser desenvolvido.

Indivisible tem lançamento previsto para PC (Mac, Win, Linux), PS4 e Xbox One.
Pedro Vicente é um homem sem qualidades. Para se esquecer das décadas de fracassos de sua vida real, resolveu passar parte do seu dia jogando. Iniciado nos games por Adventures e JRPGs, hoje em dia joga de tudo. Gosta muito de escrever sobre jogos, mas só dá nota 10 para games em que você pode dar Suplex em um trem.

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