Entrevista

Conversamos com o maior colecionador de videogames do Brasil

Alex Mamed fala sobre seu trabalho, coleção, paixão pelos videogames, projetos e muito mais.


Que jogador nunca sonhou possuir todos os videogames de que gosta? E conseguir colocar na estante todos os jogos favoritos de determinado console? Pois é, a paixão pelos videogames, muitas vezes, vai muito além do simples ato de jogar. Muitos jogadores não se desfazem dos seus consoles e jogos, e guardam tudo com carinho. No caso do nosso entrevistado, essa paixão por colecionar atingiu um nível inacreditável.

Alex Mamed, que começou como você e eu, guardando o seu primeiro console, hoje possui uma coleção capaz de fazer muito marmanjo por aí deixar cair uma lágrima marota de emoção. Não é para menos. Alex é dono da maior coleção de videogames do Brasil, reconhecida pelo livro do recordes. Numa pausa entre uma jogatina e outra, ele conversou conosco, num papo descontraído sobre sua vida, coleção e projetos. Acompanhe.
Quem é Alex Mamed? 
Empresário do ramo de combustíveis, loterias e avicultura, é uma pessoa cristã. Nascido em São Paulo, capital, já morou em diversas cidades, como São Paulo/SP,Caçapava/SP, Salvador/BA, Cedral/SP e atualmente está em São José do Rio Preto/SP. Estudou até o 3º colegial completo e fez quase um ano de Direito pela UNIP.
Alex, como começou a sua paixão pelos videogames? Conte-nos como foi o seu primeiro start.
Minha paixão começou nos anos 1980, quando o meu irmão Alexandre, voltando do Paraguai, nos trouxe um Atari 2600. Daí em diante, dias e noites seriam de pura diversão com amigos e familiares, em que poderíamos ver o quanto era divertido jogar em um equipamento eletrônico ligado na TV. Jogos como Enduro, River Raid e H.E.R.O. eram uns dos que mais jogávamos. Naquela época, um videogame fazia amigos, logo eu era o cara mais conhecido da rua.

Depois do sucesso do Atari, outros jogos e aparelhos foram  lançados. Por sorte meu pai me presenteou com um Master System — esse sim era meu de verdade. Com mais cores, óculos 3D, pistola, o Master era uma revolução. Foi nele que joguei títulos que me grudavam na frente da tela, como Alex Kidd, Altered Beast e OutRun. Com o passar dos anos, os videogames começaram a fazer  sucesso, e minha vontade de conhecer mais aumentava cada dia mais.
E a coleção? Conte um pouco como começou a colecionar. Quais os itens que você coleciona? Como guarda a coleção? Tem alguma preferência na hora de compra?
A coleção começou por acaso. Eu tinha uma pequena locadora de games na cidade de Cedral/SP e, depois de alguns anos, resolvi fechar. Com isso, ficaram comigo seis TVs e seis consoles. Fui trocando aqueles itens por modelos de videogames diferentes, e com isso aumentei meu numero para 13 consoles distintos. Foi aí que pensei: “agora sou um colecionador”. Comecei a partir disso a procurar videogames em todo lugar e em qualquer data. Natal, aniversário, Dia das Crianças, tudo era motivo para eu ganhar mais aparelhos.

Coleciono de tudo: consoles, jogos, acessórios e tudo que seja relacionado a videogames. Tenho toalha, roupas, tênis, perfume e até caixa de cereais de videogames. Minha coleção fica guardada a “sete chaves”, quer dizer, com alarme, portas trancadas, tudo organizado, numerado e cadastrado. Tento manter sempre tudo em ordem. A Nintendo é uma das minha preferidas, por isso, tenho muita coisa desta empresa. Mas coleciono de tudo mesmo.
Tem algum item super-raro? 
Tenho alguns bem raros. Adventure Vision: uma característica particular desse console é o seu "monitor". Em vez de usar uma tela de LCD ou um aparelho de televisão, como outros sistemas, o Adventure Vision usa uma única linha vertical de 40 LEDs vermelhos combinados com um espelho no interior da caixa de fiação.

Mega Duck: parece uma maleta, mas, ao abrir, é um console raríssimo. Existem também versões portáteis, mas esse tem até um teclado tipo piano no próprio console.

Famicom Box: o protótipo do Famicom era modelo de console não para venda e sim para teste em hotéis. São os três mais raros da minha coleção, mas em um estoque de mais de 300, fica até difícil falar apenas desses, não é?
O que significa ser colecionador de games para você?
Isto para mim tem vários significados: um sonho que se tornou realidade; responsável em manter a história viva; um juntador de tralhas; ficar feliz por algo tão velho ao mesmo tempo se tornar novo na coleção; gastar muito em coisas tão baratas e às vezes achar raridades por valores tão pequenos; vê que a sorte está do nosso lado; se divertir com itens que apenas colecionadores de games pode imaginar; viver em um outro mundo onde você pode ser herói, craque, piloto, guerreiro ou um simples encanador gorducho e de bigode.
Fale sobre os seus projetos. Ainda pensa no museu? Ou tem coisa nova a caminho?
Tenho vários projetos, mas há anos estou trabalhando muito por um museu fixo de videogames no Brasil. Existem exposições de altíssima qualidade, que viajam por todo nosso país, do meu grande amigo Cleidson Lima, mas um museu com grande espaço onde todas as gerações de pessoas e consoles possam se reunir em um só lugar há de ser feito, pois sabemos hoje o quão importante a indústria de games é para o nosso país, seja na economia, serviços, comunicação, relacionamentos, diversão, mobilidade ou tecnologia.
Só uma pequena parte da coleção. Demais, não é?
Podemos a cada dia ver um crescimento em vários setores que nunca imaginaríamos. É cada vez maior a importância dos videogames para a sociedade. Um museu mostrando a história e todos esses avanços não pode ficar apenas no papel. Tenho quase tudo aqui. Faltam apenas pessoas com comprometimento, seriedade e visão para fazermos história.
Hoje virou moda colecionar games, não é? O que você acha dessa enorme quantidade de novos colecionadores? Ajuda ou atrapalha?
Fico muito feliz em ver tantos colecionadores. Sempre que posso, ajudo com dicas, conselhos e até trocando peças pessoais. É muito engraçado quando me deparo com vários me elogiando, até me colocando como ídolo — sempre fico um pouco tímido por acreditar que somos todos iguais. Neste mundo onde muitos querem tudo de qualquer maneira, prezo sempre por amizade, honestidade e respeito. O colecionador tem que ter primeiramente sorte em achar coisas, respeito com que está vendendo ou doando, e honestidade em qualquer momento de aquisição desde item.
Para quem quer começar uma coleção de games, quais as suas dicas?
Façam tudo com amor, pois por mais que pareça “careta” nos dias de hoje, é assim que consegui chegar onde estou. Sendo honesto, você será lembrando sempre. Sendo gentil, negócios que pareciam negativos se concretizam. Sendo humilde, você se torna mais forte e consegue enfrentar qualquer coisa. Com tudo isso, agora sim você pode começar a procurar seus itens preferidos em classificados, sebos, lojas de games, feiras livres, internet, lojas de usados e principalmente com amigos.
Não podemos esquecer que você é o maior colecionador de consoles de vídeogames do Brasil. Conte um pouco como foi esse reconhecimento. Qual é o órgão? É verdade que está no livro dos recordes?
Em 2013, tive a curiosidade de saber qual era a maior coleção de vídeogames do Brasil. Vendo apenas algumas afirmações e nada realmente registrado, um amigo colecionador (Antonio Borba) me indicou o Rank Brasil — empresa independente que atua há anos em todo território nacional, registrando exclusivamente recordes brasileiros —, que fez uma grande pesquisa. Após meses, confirmaram meu recorde.

Em 2013, todos os recordes ficavam registrados apenas online, mas em 2015 o livro foi publicado e até hoje mantenho meu recorde homologado com 300 consoles. Hoje possuo muito mais do que isso e já estou aguardando um novo recorde.
Por fim, tem algo que você queira dizer aos nossos leitores sobre você, sobre coleção ou até sobre games em geral? Pode ficar à vontade.
Gostaria de agradecer ao GameBlast pela oportunidade de ser entrevistado tão livremente, podendo expor minha trajetória de mais de 22 anos de pesquisa, dedicação, trabalho e comentar sobre meu grande sonho de fazer um museu de videogames para que todos possam ver toda a história, evolução e modelos de consoles nunca vistos por muitos. Além disso, fico feliz e orgulhoso pela oportunidade de ajudar e contribuir com os novos colecionadores.


Agora aproveito o espaço para pedir para todos que querem o Museu dos Videogames no Brasil que me ajudem em meu site, na minha página no YouTube, no Facebook e Instagram. Preciso muito do apoio de todos. Só vocês podem me ajudar a fazer essa história. Ao GameBlast, todo meu respeito e agradecimento.

Revisão: Minato
Capa: Felipe Araujo
Ítalo Chianca escreve para o GameBlast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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