Blast Test

The Flame in The Flood (PC): jangadeando pela correnteza

Sobreviva a uma enchente pós apocalítica ao lado de Aesop, seu fiel companheiro, em busca de recursos enquanto tudo parece estar contra a sua sorte


Esta é a história de Jangadeira, a provável única sobrevivente de uma enchente devastadora em algum lugar da América selvagem. Assombrada por corvos irritantes, lobos famintos e portas que não abrem, paredes invisíveis e javalis teimosos, este Early Access vindo do Kickstarter ostenta nomes de peso, mas ainda precisa de muito polimento para alcançar todo o seu potencial jogável.


Na situação atual, o jogo ainda está muito inacabado, então tentemos evitar os muitos bugs para levar em consideração a ótima qualidade do que já podemos encontrar: uma jornada nada tranquila por um rio turbulento, uma jangada improvisada e um fiel cachorro imortal. Pois ele é Aesop, o contador de lendas, conhecido nestas bandas como Esopo.


Com os gráficos que temos, ainda dificilmente configuráveis, é possível se encantar com os tons cartunescos que mais lembram algo saído de uma animação de Tim Burton, as pontas soltas deliberadamente para causar uma impressão de horror simples e convidativo. Por mais selvagem que seja a aventura, qualquer um pode se divertir aqui, pois não há a exagerada violência dos jogos atuais. A única coisa que poderia perturbar seus filhos e filhas é o fato de que nossa heroína, a Jangadeira, pode ter uma quedinha pelo álcool.

Row row row your boat, gently down the stream...

O grande catch em Flame in the Flood é a exploração. Num formato roguelike isométrico, controlar a Jangadeira por vezes pode parecer difícil, mas, como dito, estamos em Early Access. Controlar sua embarcação rio abaixo é um trabalho penoso, pois às vezes um caminho está bloqueado pelo maior inimigo da Jangadeira: a parede invisível. Ela está em todo lugar: nas ilhas que exploras, em algumas casas, carros abandonados e o já mencionado rio. Há um minigame na correnteza, com itens que podem ser pegos enquanto se passa pelas encostas, e muitos destes itens valem o risco.

Numa pegada que lembra muito Don’t Starve, encontrando materiais pela mata e combinando-os para se criar valiosos itens, a Jangadeira vai aprendendo a fazer itens melhores na medida que coleta e cria, por vezes dificultando o processo e imbuindo o jogador à improvisar para sobreviver. Em uma aventura, a Jangadeira só aprendeu a fazer um canivete de pedra quando já estava nos fins de sua vida, perecendo de sede na frente do Javali Teimoso.


Quando mencionei que nossa heroína pode ter uma quedinha por álcool, é devido a presença dele nos itens: por extrema curiosidade (e, reconheço, por minhas próprias intenções ébrias), dei um gole num álcool tipo Zulu e a Jangadeira ficou bebinha. Não senti muitas diferenças na jogabilidade, mas a sede foi sanada e acredito que os vermes que a infestavam deram uma sossegada.

Segurança em primeiro lugar

Cuidar da saúde é essencial. Não apenas em nossas vidas, mas também em Flame in the Flood. Além da fome, sede e sono, a Jangadeira eventualmente pode ser infestada por diversos parasitas, bactérias e lacerações, ossos quebrados e todos os empecilhos de um escoteiro perdido na mata. Para isso há remédios: tratar sempre a água, evitar os lobos e javalis, assar a carne e limpar tudo que encontrar. Uma vez fui coletar água de uma poça e peguei lombriga. E como não tinha filtros para tratar a água, peguei mais um parasita ao beber, e se o remédio para isso não for encontrado (geralmente, um chá de ervas), sua saúde cai rapidamente.

Uma das dificuldades no jogo é a estranha variação de tempo. Não sei dizer ao certo se o planeta teve sua órbita afetada depois do apocalipse, ou se falta algum polimento na otimização da contagem do tempo no jogo, mas nunca consegui prever a mudança do dia para a noite, me deixando em situações perigosas quando menos precisava.


Os melhores locais para a Jangadeira descansar é dentro de casas e ônibus, mas sempre há uma fogueira pronta para ser acesa em qualquer ponto do mapa, evitando assim a visita indesejada de animais selvagens e pessoas suspeitas. Infelizmente não cheguei a encontrar outros humanos, como o trailer acima indica.

Mas tudo é envolto de uma aura mágica de um rock caipira estadunidense. Chuck Ragan é o responsável por essa mágica. Enquanto se navega pelas correntezas, cria itens e se ensopa na chuva, o violão de Chuck estará lá, como um bardo invisível, encorajando a continuar vivo enquanto se chega à algum lugar. A trilha sonora é um dos aspectos mais belos em The Flame in fhe Flood.

Nem tudo é uma torrente de rosas

Os problemas de um Early Access trouxeram, entretanto, muitos empecilhos à experiência. A falta de teclas de atalho simples, que facilitariam a vida em um roguelike (como os eventuais Escs que dava para sair de um menu, e caía em outro), fazem uma falta monstruosa. As paredes invisíveis, quando se trata de andar pelas teclas WASD, batem em conflito com os comandos de movimentação do mouse, algo que por vezes é fatal.


Pela falta de polimento das configurações gráficas, sempre sou forçado a usar a movimentação de mouse padrão do Windows, já que a versão do jogo é praticamente inutilizável, e preciso reconfigurar isso toda vez que uma nova aventura começa.

Mas, como dito, é um beta, com cara de alpha, mas que já compensa seus reais pela promissora experiência, sem falar da excelente trilha sonora.
Diego Gomez escreve para o GameBlast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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