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Análise: Warhammer 40.000: Deathwatch: Tyranid Invasion (PC/IOS): Um eterno Déjà Vu

Com uma jogabilidade consistente, o título acaba prejudicado pela repetição exagerada.


Concentração, estratégia e abordagens diferentes para as mais variadas situações. Elementos fundamentais para qualquer jogo de estratégia por turnos, eles são facilmente encontrados em Warhammer 40.000: Deathwatch: Tyranid Invasion. Infelizmente, mal trabalhados. Desenvolvido pela Rodeo Games e lançado em julho para IOS, o título chega aos PCs com um visual remasterizado e novos efeitos de iluminação, mas em um port limitado e com poucos atrativos. Um ponto positivo no port, entretanto, está na exclusão das microtransações para compra de itens no jogo. Por enquanto, apenas o modo campanha está disponível. De acordo com o site oficial do game, um multiplayer chegará nas próximas atualizações.
Logo de início, somos apresentados ao “Kill Team”, um grupo que busca eliminar as ameças da raça alienígena Tyranids. Com um contexto vago, seguimos pelos nove atos sem muito foco na história do game, que se resume a algumas linhas lidas com voice over no início dos capítulos.


Trabalho em equipe


A jogabilidade de Deathwatch funciona de forma quase idêntica a jogos como Xcom: Enemy Unknown (PC/IOS). Em um cenário gradeado, cada membro do seu esquadrão possui um número de pontos para serem gastos durante os turnos, seja movendo-se ou atacando. Poucos pontos estão habilitados no início, mas com os upgrades recebidos pelos membros, esses valores aumentam ou se mantêm como inicialmente, dependendo de como os soldados estão evoluindo. O quesito evolução é um dos grandes diferenciais do jogo. Ao eliminar inimigos e completar missões, os membros do seu esquadrão vão recebendo pontos de experiência individualmente. Caso um deles seja eliminado, ou você desista da partida, os pontos acumulados são excluídos e a contagem reiniciará.

Para subir de nível, os soldados precisam de uma quantidade específica de experiência, que sobe a cada nível, podendo chegar a grandes valores. Logo, uma grande frustração pode ocorrer ao perceber que todas as horas tentando evoluir aquele membro foram em vão. Os pontos de experiência também são utilizados para abrir novas habilidades e slots de equipamentos. Para se ter uma noção destes valores, o primeiro slot custa 2.000 de XP, enquanto o segundo passa para os 12.000. Dessa forma, é preciso uma boa quantidade de dedicação para evoluir seus personagens.

Para conseguir novos equipamentos e membros para o “Kill Team”, a cada final de missão o jogador recebe um cartão com conteúdo aleatório e um valor em moedas do jogo. Ao final de cada ato e juntando 100 em dinheiro, é possível adquirir um pacote com três cartas, contendo dois itens e um soldado, cujos níveis de raridade e qualidade variam. Tanto os itens como os soldados podem ser vendidos caso sejam repetidos ou desnecessários.

A troca de soldados é influenciada pelas habilidades diferenciadas que algumas classes podem trazer. Os Blood Angels, por exemplo, recuperam 5% de sua vida a cada abate de inimigo, tornando-os bastante resistentes em campo.

Pouca variedade

O maior problema do título está em sua repetição. Logo no primeiro ato já é possível perceber que a variedade de inimigos é minúscula. Um tipo diferente e mais desafiador aparece apenas próximo ao final do segundo ato. Ou seja, durante todo o período que antecede a esse surgimento, o jogador acaba com uma estratégia limitada e sem grandes incentivos para continuar. Somente após várias horas de jogo é que seu esquadrão se encontra em situações e adversários que requerem um pouco mais de raciocínio para serem superados. Dentre todos os Tyranids, apenas um, o Impaler, possui algum resquício de inteligência artificial, escondendo-se do esquadrão para atacar no turno seguinte. Apesar disso, o game não é fácil. A partir da metade, um simples erro aliado ao grande número de inimigos pode arruinar a missão e pôr a perder toda a experiência acumulada. Até chegar nesse ponto, entretanto, o tédio das mecânicas repetidas pode fazer com que o jogador se afaste do game.

O fator repetição também se aplica aos cenários, que variam entre naves, ruínas, áreas industriais, etc. Todos esses ambientes, apesar de supostamente diferentes, acabam se tornando muito parecidos, por conta da falta de iluminação e corredores estreitos.

A ambientação só não é totalmente ruim por conta da trilha sonora competente, que conta com músicas interessantes. Os efeitos sonoros também merecem destaque, pois é possível saber quais inimigos estão se aproximando apenas pelos sons de seus passos. Essa característica permite ao jogador mudar a disposição de seus soldados antes de uma ameça maior surgir.

Jogatina consistente

Quem curtir o game vai encontrar bons motivos para continuar a jogar. Em certo ponto Deathwatch ganha uma dificuldade cada vez maior, mesmo no nível inicial. Ao fechar a campanha, um modo mais difícil é liberado. A campanha também é bastante longa, podendo passar facilmente das 15 horas de duração. O jogo também é polido no quesito bugs, pois encontrei apenas dois durante a análise. O primeiro, que não prejudica o gameplay, é sonoro e ocorre quando um inimigo ou soldado ataca e o som não responde.

O segundo ocorreu repetidas vezes durante o uso do recurso de avançar rapidamente o turno inimigo. Em várias ocasiões, o jogo travava e nada acontecia, forçando-me a sair da missão e perder instantaneamente todos os pontos de experiência. Mas após várias frustrações, aqui vai uma dica: caso isso ocorra, saia do jogo sem usar o menu (ALT + F4, por exemplo) e reinicie-o. O turno do inimigo vai continuar normalmente.

Fortes limitações

Para quem é fã do gênero, pode ser que valha a pena adquirir Warhammer 40.000: Deathwatch: Tyranid Invasion. Mas tenha em mente que se trata de um port fraco de um jogo mobile, no qual faltam opções gráficas básicas e não possui nem mesmo controle de som. A jogabilidade repetitiva também pode afastar os compradores após algumas horas de jogo.

Prós

  • Trilha sonora competente e som ambiente;
  • Longevidade da campanha.

Contras

  • Excessivamente repetitivo;
  • Inimigos estúpidos;
  • Cenários fracos e sem vida;
  • Pouquíssimas opções nos menus do jogo;
  • Apenas um modo de jogo.
Warhammer 40.000: Deathwatch: Tyranid Invasion — PC/iOS — Nota: 5.0
Revisão: Vitor Tibério
Capa: Daniel Serezane
Hamlet Victor é formado em Jornalismo pela UNIFOR, comprador compulsivo de livros e possui um vício saudável por filmes de várias nacionalidades. Está sempre em busca de manter seu PC atualizado, o que quase nunca consegue. Gosta de jogar quase tudo, mas tem uma queda por FPS e RPGs.

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