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Análise: else Heart.Break() vai tirar você da programação padrão

Jogo traz uma experiência fora da curva sobre exploração e relacionamentos. Você vai ter que correr atrás de tudo sozinho.

Venho aqui, com muita classe, realizar minha função, que é criar um método para falar de else Heart.Break(), jogo indie idealizado pelo sueco Erik Svedäng. E já adianto que o game é um tanto quando diferente de muita coisa que vi até hoje. Acredito que peculiar seja uma boa palavra para defini-lo.




function Main();

Um bom ponto para começar a falar de else Hear.Break() é sua história. Você joga como Sebastian. De início não sabemos muito sobre o rapaz, apenas que ele mora com os pais e que é seu aniversário. Eis então que Seb (seu apelido) recebe uma ligação. Acaba de conseguir um emprego como vendedor de refrigerantes. O único “porém” é que ele terá que se mudar para longe. Sua nova casa será na cidade de Dorisburg.

Ao por os pés na cidade nova é que o jogo começa de fato. Você tem duas instruções iniciais, que são achar o hotel que eles reservaram para você e achar o vendedor que será seu instrutor. E como você vai encontrá-los? Bom, problema seu.

Não está fácil para ninguém
Nada no jogo é dado ao jogador. Você terá que procurar coisas e falar com as pessoas se quiser saber de algo. Achar um mapa, pedir ajuda a um estranho ou mesmo sair procurando a esmo são todas escolhas possíveis.

É conversando com outros NPCs também que você irá estabelecer relacionamentos com eles, avançando na história e conhecendo mais sobre Dorisburg. Pensando no contexto da coisa toda , é algo que faz bastante sentido. Somos um jovem que acabou da sair da casa dos pais, em uma cidade distante, tendo que se virar por nossa própria conta. Essa sensação de “estar perdido” é muito bem recriada.

Sozinho no meio da multidão?

Como deve ter ficado claro no parágrafo anterior, conversar é um dos seus principais recursos. Geralmente você tem opções de diálogo, podendo escolher como quer tomar o curso da conversa.

As falas não são um poço de profundidade, variam entre diálogos interessantes a situações bem banais. No começo confesso que fiquei meio incomodado. Depois de algum tempo até me adaptei, chegando a simpatizar com alguns personagens. Mas para outros, ainda havia um sentimento de vazio. Algo do tipo “ah, cara, por que eu estou perdendo tempo com você?”. Agora, escrevendo, fico pensando se isso foi proposital do jogo ou não.

Tantas opções....
De qualquer forma, else Heart.Break() carece de algum sistema para não deixar alguns momentos muito frustrantes. Não há um log do que você já fez e, por vezes, o NPC não repete alguma informação importante logo depois que você fala com ele.

Da mesma forma, não existe nada que te indique qual é o próximo passo a tomar. Você tem que estar sempre atento ao que os outros falam para deduzir o que você pode fazer. É possível rodar por quase uma hora sem que nada aconteça — que foi o meu caso — fato que me obrigou a começar de novo. E isso foi bem chato.

Vamos deixar as coisas do meu jeito

Em determinado momento de else Heart.Break() você irá ganhar um dispositivo que vai te permitir hackear coisas, e esta é basicamente a base do gameplay, além das interações sociais.

Com essa espécie de computador, você pode manipular praticamente qualquer coisa usando linhas de código. Literalmente. A interface usada é como se você realmente estivesse usando uma linguagem. O que não quer dizer que você precise ser formado em Ciências da Computação para jogar, embora uma facilidade com o assunto vá lhe facilitar a vida.

Não é esse o computador que você usa para hackear, só pra deixar claro
Ainda assim, você consegue aprender muitos dos comandos fuçando pelo mundo, conversando com pessoas ou encontrando informações em disquetes. Mas novamente, o jogo por si só não vai te passar nada. É você quem tem ir atrás e vasculhar os cantos de Dorisburg em busca de conhecimento.

Além de poder editar o mundo simplesmente para deixá-lo do seu agrado, o ato de hackear coisas também é um dos pontos centrais da trama. Mas como isso acontece, cabe a você descobrir. Talvez você tenha uma ideia quando Sebastian chegar ao hotel pela primeira vez.
É esse aqui

Um mundo repleto de cores

Do mesmo jeito que em pontos da mecânica e como a história é contada, posso dizer que else Heart.Break() é único no que diz respeito a sua parte visual e sonora. Mas aqui não tenho ressalvas a fazer.

Tudo é muito colorido, com um visual “retrô dos anos 80”. A cidade tem diversas alterações de ambientes. Transições entre dia, noite, sol e chuva também acontecem a todo momento, dando um clima vivo a Dorisburg.

Uma casa como outra qualquer
Vale também citar a câmera, que é livre, podendo ser manipulada praticamente sem restrições. Ela lembra bastante jogos como Final Fantasy Tatics, permitindo ver o cenário sob qualquer ângulo, mesmo em ambientes fechados. Ótimo para exploração. Só tomar cuidado para você não achar que está em outro mapa quando, na verdade, só está vendo o mesmo por outro ângulo.

Seria um bom dia para ficar em casa
O som do jogo também é digno de elogios. Com uma batida eletrônica, a trilha sonora é composta por mais de 50 músicas. Várias delas são executadas em locais específicos, como bares ou cafés. Casa muito bem com todo o resto.

Típica balada

Chega de programar, vou tomar um café

Acredito que a primeira coisa que preciso dizer é que else Heart.Break() não é um jogo para todos. E, dependendo do seu estilo, talvez você tenha que investir bastante nele, até as coisas engrenarem.

A proposta do jogo é uma exploração livre e total. Não há tutoriais nem menus explicativos, o que pode ser um pouco frustrante, especialmente se você deixar algum detalhe passar batido. Algumas decisões são únicas e talvez você só perceba isso quando for tarde demais. A parte de programação é bem construída, e é responsável por dar uma identidade única ao título. A liberdade dada ao jogador impressiona.

Por outro lado, se você gostaria de tentar uma aventura diferente, descobrindo tudo por si mesmo, talvez valha a pena dar uma chance a este jogo.

Prós

  • Interações variadas com outros personagens;
  • Hackear coisas é instigante;
  • Leva o termo "explorar o mundo" para outro patamar;
  • Gráficos e músicas bem produzidos.

Contras

  • Falta de qualquer feedback de ações anteriores;
  • Ritmo lento, especialmente no começo.
  • Pode ser frustrante, dependendo do seu estilo de jogo 

else Heart.Break() — PC, MAC, LINUX — NOTA: 7.5
VERSÃO UTILIZADA PARA ANÁLISE: PC
 Revisão: Vitor Tibério
Capa: Felipe Araújo

Flávio Augusto Priori é formado em design de jogos e tenta ganhar a vida com esse negócio chamado video game. Para ele Metal Gear é a melhor série já feita e ainda acredita na volta da SEGA. Escrevia para o saudoso Minha Tia Joga LoL e hoje pode ser achado no Facebook e no Twitter.

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