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Análise: Cosmophony (Multi) te desafia com as sinfonias

Com a tarefa de esgotar o jogador até a quinquagésima tentativa, o game convida quem esteja disposto a acompanhar seu ritmo frenético.


Gosta de uma batida eletrônica? Talvez não seja o gênero mais adequado, mas há quem estude ouvindo algumas músicas para relaxar e se desprender do mundo, ou até para agitar. Em Cosmophony o uso da música não é nada relaxante, muito pelo contrário. Esteja pronto para enfrentar o universo enquanto ouve uma trilha sonora feita pelo DJ Salaryman nesta tarefa que não é nada fácil de ser cumprida.


Reconstruindo o universo

Todo jogo precisa ter uma história, ou pelo menos deveria, o que há em Cosmophony, mesmo que não seja necessário. Uma deusa recebeu a responsabilidade de zelar pelo universo, mas falhou, e um novo guardião precisa surgir para que ele seja reconstruído. Nisso vem você!
A deusa precisa de sua ajuda, e a partir deste ponto a história se torna inconstante e até envolvente. Encontre a deusa e descubra que agora ela está contra ti pois será necessário que a mate para que se torne um guardião, e então sacrifique sua sanidade mental tentando terminar outra fase novamente para saber o que se sucede na história, sempre com finais de estágios que pedem por uma continuação. Se a dificuldade das fases não fosse tão grande, sobraria um tempo para o jogador lembrar da trama que há por trás de tantos movimentos rápidos, trilha sonora agitada e vídeos confusos de fundo.

Deixe o ritmo te levar

A trilha sonora é o grande destaque do jogo, juntamente com sua dificuldade, e não é por menos. DJ Salaryman não é conhecido, mas não é por isso que seu trabalho é inferior àqueles que estão no top das paradas de sucesso, aliás, ele manda muito bem em Cosmophony. A sensação passada ao jogar é que se está em uma balada alucinante, ou, de modo mais radical, em uma cena de perseguição de filme futurista.
A comunicação entre o desenvolvedor e o DJ certamente foi o que resultou o produto final que se tem em mãos. As batidas se encaixam com os obstáculos nas fases, e vice-versa, tudo foi planejado para que pareça que a nave central que controla está sincronizada com a música, como se você estivesse dançando, acompanhando o ritmo. Mas cuidado! Não se empolgue tanto, pois isso pode te levar a um erro, que com certeza o encaminhará para a dura realidade da morte.

Tente novamente (x50)

Em Cosmophony, até o tutorial pode se mostrar desafiador, e as cinco fases que o sucede só tendem a ser cada vez mais, bem mais. No primeiro nível você consegue chegar ao final com cerca de, no máximo, cinco mortes; no segundo as coisas já complicam e o número de mortes pode até quadruplicar, hora de passar a levar mais a sério o modo prática que o jogo disponibiliza. Ok, com ele você pode ir e vir na fase para qualquer ponto salvo, perfeito para treinar a fuga daquela série de obstáculos que sempre te atrapalha. Passou da fase dois, bem, na terceira o game mostra sua verdadeira face (maligna) e entrega um nível que você não passará até acumular pelo menos 50 tentativas falhas.
A dica de jogo é não se entregar tão fácil. Você erra por um milésimo de segundo e toda a partida se perde sem a possibilidade de retornar a partir de um checkpoint. Foi por não ter atirado no alvo e ter deixado ele te destruir, por estar em terreno novo sem ter passado antes pelo modo prática e não saber o que fazer, ou pelo descuido de mexer a nave rápido demais por já ter decorado todo o trajeto, esbarrando em um obstáculo.
Mesmo assim a grande dificuldade não pode ser um ponto negativo, pelo menos quando se sabe lidar com ela, e esse é o ponto em que se é necessário tocar, pois depende de você, é o jogador que será o verdadeiro juiz, aquele que vai decidir se Cosmophony faz ou não seu estilo. Levando em conta que o jogo foi feito para um público mais persistente, o fato de ser tão difícil de superar as fases é algo ótimo, já que esse é o objetivo.
Para quem gosta de sofrer, mesmo ao final da quinta, e última, fase, chega a vontade de querer mais, pois por mais que as músicas sejam empolgantes, elas cansam. Demora mas acontece. Sem qualquer garantia de atualização com novo conteúdo, ou até mesmo DLC, resta ao jogador aproveitar só o que lhe é oferecido.
Uma boa solução que poderia ser aproveitada seria a construção de fases por parte dos jogadores, usando as próprias músicas do disco rígido, ou até novas oferecidas pelo DJ Salaryman e outros DJs. Assim o game seria desfrutado por mais tempo. Tornando assim a diversão não tão limitada.

Não olhe por muito tempo

Enquanto se concentra na trilha que é necessária destrinchar, buscando a passagem entre grandes vãos ou em espécies de becos que é preciso se espreitar para seguir, há os movimentos de fundo realizados de maneira categórica e repetitiva, mas que podem prender a atenção do jogador ao notar o que se é mostrado.
Um peixe nadando? Espera, agora é uma gota de sangue caindo. Uma flor de maracujá abrindo e fechando. São muitas cenas que são exibidas rapidamente, acompanham a batida da música e alternam de acordo com ela.
A sensação de velocidade não é percebida somente pelo ritmo das músicas, como também pelo intervalo de tempo que os obstáculos chegam até você, assim como as linhas espalhadas nos cenários, sumindo mais rapidamente, a bola que pulsa de acordo com as batidas e a alternância das cenas de fundo. Tudo é sincronizado para que a sensação de união seja passada, o que inclui o jogador e seu controle sobre a nave. Psicodélico é um bom adjetivo para ser usado para determinar a arte de Cosmophony.

Sobreviventes?

Cosmophony cansa a paciência de muita gente, mas ao mesmo tempo diverte bastante. Sua proposta é entregar uma experiência original e desafiante que coloca o jogador em uma área na qual seus estímulos necessitam de uma agilidade maior do que a do game.
Dependendo do estilo de jogador que se encontra com Cosmophony, há duas possibilidades de pensamento em relação à dificuldade: a primeira é achar ele desafiador, rir com a própria morte e mostrar insistência e concentração; a segunda é achar ele desafiador, enlouquecer tentando jogar, irritar-se e fechar o jogo para nunca mais. O game realmente pode te pegar de jeito, e fazer com que tenha uma crise existencial por não conseguir sobreviver por dois minutos em certas fases, o que é bom e ruim ao mesmo tempo, até porque ninguém deve comprar Cosmophony sem antes saber com o que está gastando, caso espere que nada seja entregue nas suas mãos, mas que seja preciso usá-las para arrancar à força o que quer, assim estará fazendo um bom negócio.
A alta dificuldade te desafia até onde você conseguir enfrentá-la, a música o embala enquanto tenta a todo custo se dedicar, os vídeos psicodélicos o entorpecem com tantos efeitos de luz que em alguns momentos não se imagina o caos que se está vivendo tentando desviar dos inúmeros obstáculos e eliminar diversos alvos triangulares. Sentiu-se atraído por Cosmophony? Bem, você deve ter uma paciência e habilidade singular, então mergulhe fundo!

Prós

  • Boa trilha sonora;
  • Bastante desafiador;
  • Modo prática para adaptação do jogador;
  • Visual psicodélico.

Contras

  • Poucas fases;
  • História poderia ser mais bem aproveitada;
  • Falta de conteúdo novo;
  • Sem criação de fases pelo jogador.
Cosmophony — Android, iOS, Linux, Mac, PC, PS3, PS4, PS Vita, Wii U, Windows Phone — Nota: 7.0
Plataforma usada para análise: PC

Revisão: Vitor Tibério
Capa: João Leal

Janderson Oliveira ainda não chegou ao patamar de universitário por estar no Ensino Médio, entrou no GameBlast com o intuito de unir o que aprendeu em sala com o que andou jogando enquanto deveria estudar para Química. Tem Facebook caso queiram catalogar a espécie.

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