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Análise: Xeodrifter (Multi) é um divertido metroidvania miniatura

Explore planetoides repletos de perigos e segredos nesse ótimo título indie.

Xeodrifter, um título da produtora independente Renegade Kid para praticamente todos os consoles disponíveis, tem tudo o que faz o gênero metroidvania tão divertido: vários mapas para vasculhar, inimigos em todos os cantos e novas habilidades para alcançar locais antes inacessíveis. O jogo conta com temática retrô e é uma experiência intensa, por mais que um pouco curta.


Um explorador espacial está viajando quando sua nave é atingida por um meteoro, que danifica os sistemas de teletransporte da espaçonave. Por sorte, a nave fica à deriva próximo de quatro planetoides e análises indicam que eles possivelmente têm materiais para os reparos. Sendo assim, o piloto decide explorar os planetas em busca de equipamentos.

Desbravando planetas

Xeodrifter é um ótimo representante do gênero metroidvania. Controlando o explorador espacial, você irá desbravar mapas labirínticos repletos de segredos e inimigos. Como é de praxe, algumas áreas só podem ser acessadas ao possuir certas habilidades, o que torna necessário retornar a alguns lugares em momentos futuros da aventura, sendo que todos os quatro planetoides estão disponíveis desde o início. A progressão é simples: vá para um mapa, derrote o chefe e em seguida descubra onde a habilidade recém adquirida deve ser utilizada para alcançar novos lugares.


Para atacar, o personagem conta com uma simples arma. Pelos mapas estão escondidas melhorias, que permitem alterar atributos da pistola como poder de fogo, velocidade dos tiros e a forma como os projéteis se movimentam. O mais interessante é que esses atributos podem ser alterados livremente sem limite de vezes, o que permite alterar a arma de acordo com a necessidade do momento. Melhorias para a energia do personagem também estão espalhadas pelos planetoides.

Exploração tensa

Xeodrifter tem uma característica única na perspectiva de exploração: ao contrário de outros jogos do gênero, não existem vários pontos para salvar o progresso pelo mapa — salvo um checkpoint temporário antes dos confrontos contra os chefes. Caso você seja derrotado durante a exploração, o personagem recomeça a aventura de sua nave, perdendo todo progresso. Essa decisão de design é interessante, pois força o jogador a ser cuidadoso ao avançar. Contudo, pode ser também frustrante: é meio chato ter que repetir grandes áreas por ter morrido antes de alcançar o chefe. Essa sensação é intensificada pelo fato de que o posicionamento dos inimigos não é dos melhores — em boa parte das vezes eu avançava e levava dano de surpresa, pois os monstros apareciam do nada e eu não tinha tempo hábil para reagir. No fim das contas, a sensação é de sempre estar jogando uma mini-fase.


Tudo isso levanta outro ponto: a dificuldade desbalanceada do título. Ao contrário de outros jogos, Xeodrifter é difícil no início, mas vai ficando mais fácil com a progressão da aventura. O motivo disso é que no começo do jogo você tem acesso a pouca energia e a arma é bem fraca, mas conforme melhorias são coletadas o personagem fica mais poderoso e resistente, tornando tudo mais fácil. A segunda metade da aventura, para mim, foi bem trivial e sem muito desafio.

Retrô moderno

Xeodrifter tem visual pixelizado e colorido, sendo que o áudio também segue a linha retrô — é bem parecido com Mutant Mudds (Multi), outro título da desenvolvedora. O resultado é simples, porém agradável. Mas é fácil perceber que o jogo teve um desenvolvimento limitado: a variedade de inimigos é bem pequena e os mapas têm tamanho reduzido. Existe um único chefe no jogo, que é reaproveitado durante toda a aventura — a criatura muda de cor e ganha novos ataques a cada novo confronto, mas a sensação é de estar enfrentando a mesma coisa sempre. A sensação de limitação fica ainda mais evidente ao perceber que a aventura é bem curta, tem poucos segredos e não tem extras.

Ótimo, enquanto dura

Xeodrifter é uma experiência divertida e intensa, mesmo sendo curto. Gostei muito de explorar os planetoides pixelizados atrás de segredos ou então só tentando sobreviver — morri muito no começo, quando a dificuldade é mais alta. As habilidades são bem legais e fazem sentido dentro do universo do jogo, mas senti que elas foram um pouco subutilizadas. Alterar livremente as características da arma é um recurso interessante, mas no fim das contas eu acabei utilizando somente as melhorias de poder e velocidade do tiro — não vi necessidade em usar os outros atributos.


É meio decepcionante ver que o jogo é bem limitado: os mapas são pequenos, os inimigos se repetem (principalmente o chefe) e o visual tem pouca variedade — os planetas têm aparência distinta, mas não têm elementos únicos, o que os tornam praticamente iguais. É meio chato ter que repetir áreas longas por ter morrido para algum inimigo que aparece de surpresa — fiquei com leve sensação de que esse recurso foi utilizado para alongar o tempo de jogo. Por fim, são poucos segredos e bastam poucas horas para terminar completamente o jogo.

Xeodrifter é para aqueles que gostam muito do estilo metroidvania e não se importam em gastar algumas poucas horas em uma aventura divertida, mas pouco memorável.

Prós

  • Jogabilidade simples e divertida;
  • Ótimo visual e música;
  • Flexibilidade na configuração da arma.

Contras

  • Pouco conteúdo;
  • Dificuldade desbalanceada;
  • Pouca variedade de inimigos e desafios.
Xeodrifter — PC/PS4/PS Vita/3DS/Wii U — Nota: 7.0
Versão utilizada na análise: PS Vita
Capa: Guilherme Kennio 
Farley Santos é brasiliense e gosta de explorar games obscuros e pouco conhecidos. Fã de Yoko Shimomura, Yuzo Koshiro e Masashi Hamauzu, é apreciador de boardgames, game music, fotografia e livros. Além de mostrar seus cliques no Flickr, tem também um blog onde escreve sobre inúmeros assuntos.

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