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Análise: Euclidean (PC) – a matemática nunca foi algo tão assustador

Apesar do novo game da Alpha Wave ser inovador e possuir uma atmosfera envolvente, ele ainda é focado em um público restrito.


Euclidean (PC) foi a chave de entrada da Alpha Wave Entertainment na Steam, entretanto este não foi o primeiro jogo desenvolvido por esta Software House, antes disso ela produziu Aridne’s Thread (PC) e The Everton Experiment (PC). Este último, da mesma maneira que Euclidian, é um jogo inovador, possuindo compatibilidade com hardwares de realidade virtual.


Euclidean é um jogo de terror com visão em primeira pessoa, no qual você está constantemente caindo nas trevas em um lugar desconhecido. Seu objetivo é desviar de todos os obstáculos e criaturas durante o seu trajeto em direção ao solo, sempre buscando encontrar os mesmos globos negros misteriosos que lhe transportaram para este estranho lugar.

Tudo irá matar você. Boa Sorte!

Por trás de nossas confortáveis e conhecidas dimensões, por de trás das profundezas do espaço atemporal, há um lugar que a humanidade não tem conhecimento, há um lugar que a humanidade não conhece o significado. Um Lugar hostil para toda a vida. Nós não pertencemos a esse lugar. Nós não sobreviveríamos lá. Ao menos, não por muito tempo…
Tanto a  história como a maioria dos elementos do game é algo misterioso e obscuro, que  só será revelada aos poucos, à medida que você progride em sua jornada e, mesmo assim, de maneira metafórica. De qualquer maneira, podemos resumi-la da seguinte forma: tudo começa quando você escala uma espécie de montanha para observar os astros com seu telescópio e se depara com uma enorme placa de pedra contendo escritos e caracteres pertencentes a um idioma que você nunca viu antes e, em questão de minutos, você repentinamente se vê cercado de inúmeros globos pretos que lhe teleportam para um abismo.

Como foi dito há pouco, o game não possui qualquer tipo de prólogo ou introdução, de modo que, mesmo sem saber ao certo o motivo, você começa sua jogatina em cima de uma montanha, à sua frente há um quadro, cujo desenho parece servir como um ponto de referência; à sua esquerda, uma luneta, que serve para entrar nas opções do game; à direita há uma corda com um gancho, que provavelmente você usou para chegar até o topo desta montanha e também servirá para você abandoná-la, em outras palavras, clicando nela você sairá do jogo; atrás de você há vários pilares destruídos compondo uma espécie de ruína com uma placa de pedra ao centro, esta placa servirá para que você selecione a fase em que você deseja ir, porém você tem de desbloquear cada uma das fases para poder selecioná-las posteriormente, ou seja,  no início, ela será inútil. E eis o primeiro desafio do game, como começar, de fato, a jogatina? Nada como olhar para os astros celestes para se inspirar (me recuso a dar spoilers). Após resolver este puzzle, o chão abrirá sobre seus pés e você será transportado para outra dimensão.
O visual do jogo mistura uma espécie de fotorrealismo de cores cartunescas, muito presente nos primeiros minutos de jogatina, com elementos geométricos 3D, presentes na maior parte do game.

O game conta com um sistema de mecânicas bem simples, no qual você só pode executar apenas cinco tipos de ações, se movimentar para frente, para trás, para direita, para esquerda e executar o comando phase, que lhe permite ver todos os monstros e obstáculos abaixo de você, uma vez que, na maior parte de sua jornada, os abismos serão poucos iluminados, dificultando enxergar qualquer coisa com nitidez, porém esta habilidade é limitada, podendo ser usada poucas vezes durante cada estágio.


O objetivo do jogo também é bem simples e consiste basicamente em duas coisas: desviar dos monstros e obstáculos do próprio cenário; e cair sobre ou muito próximo a uma esfera negra (há apenas uma por estágio), que te transportará para próxima fase. O problema é que o personagem se movimenta muito lentamente, enquanto, em contrapartida, há muitas criaturas que se movem mais rápido que ele. Além disso, você nunca sabe onde a esfera negra estará, o que faz com que, muitas vezes, você passe por todos os empecilhos, chegue ao fundo do abismo e simplesmente morra, coisa que frustrará muitos jogadores. O interessante é que, ao morrer nesse tipo de circunstância, você libera um achivement chamado I Can Almost Reach It... , o que traz certa medida de humor negro a situação.

Não há deuses para os quais você possa rezar

Há diversos monstros de diferentes tamanhos e movimentos, mas todos têm uma coisa em comum, o fato de sempre possuírem formatos e movimentos geométricos, com destaque para amalgamas de  triângulos, círculos e retângulos.

O jogo possui um total de nove fases, o que o torna muito curto, pois cada uma delas pode ser concluída em cinco minutos em média. No entanto, desde o início, há a opção de Permadeath (morte permanente), o que com certeza tornará sua jornada mais longa e desafiadora.
Pode ser difícil compreender à primeira vista, mas Euclidean é considerado um jogo de terror. Ora, é difícil ter medo quadrados, mesmo aqueles que consideram matemática uma disciplina assustadora. Mas, então, qual é razão para considerarem este como pertencente a tal genero? A resposta rapidamente vem à tona se lembrarmos de que este é mais um game da Alpha Wave que possui compatibilidade com óculos de realidade virtual, o que definitivamente o torna bem mais apreciável e a assustador, afinal de contas, praticar qualquer esporte que envolva queda livre já acelera os batimentos cardíacos e faz muito marmanjo gritar, agora imagine fazer o mesmo  em meio a monstros e obstáculos. Dessa maneira, com certeza não faltará emoção!

Um jogo para poucos


Euclidean é um game de mecânicas simples, com um visual pouco inovador e proporciona poucas horas de gameplay, porém possui uma atmosfera envolvente. Esse grande diferencial fica ainda mais evidente quando combinado com os óculos de realidade virtual. Infelizmente, esse equipamento ainda é para poucos, principalmente devido ao seu preço elevado, o que também torna o game pouco recomendado àqueles que não o possuem.


Prós
  • Mecânicas simples
  • Atmosfera envolvente
  • Compatibilidade com óculos de realidade virtual 
Contras
  • Proporciona poucas horas de jogatina
  • Pouco atraente sem a presença dos óculos VR
Euclidean – PC – Nota: 7.0
Revisão: Alberto Canen
Capa: Victor Pereira
Manoel Siqueira Silva é formado em Análise de Sistema e Filosofia pela UFSCar. Aprecia games de todos os gêneros, mas confessa ter uma queda por RPG e jogos de mundo aberto. Está sempre em busca de games de qualidade que foram subestimados ou são desconhecidos. Este ser pode ser encontrado no Twitter e no Facebook.

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